Crise  

Posted by: Cris Andersen in ,

E devo estar passando por uma crise nesse momento. Crise de fim de faculdade, crise de fim de ano, crise de ganhei 6 quilos, crise de to embarangando, crise de tenho prova e não sei nada, crise de o estágio ta uma merda, crise de cansei de ser pobre, crise de simplesmente ter crise. Crise sem nome, sem porque, sem motivação aparente. Simplesmente um crise.

Aí escuto Matanza e me inspiro: "Ta fazendo o que em casa? Por acaso está doente? (...) Bom de noite é ir pra rua mesmo quando está chovendo". Então lavo as vergonhas, passo um cremezinho no cabelo, dou rebocada na cara e vou pra naite. Mas antes tenho uma crise juvenil e tiro uma fotinho pra registrar o modelito pré-adolescente acima do peso.

Não satisfeita, ainda fico de ladinho e registro um outro ângulo da obesidade. Sabe como é, eu não me acho, eu sou. Gorda e branca. E sem lá muita maturidade emocional, né.


Aí, pensando que eu só sei ser retardada sozinha, claro que não, encontro um grupo de retardadas tanto quanto eu e tiramos fotos fazendo poses temáticas LeigaCats. Não entendeu? Dá uma espiada no cartaz que tem pendurado lá atras. Se eu tivesse Photoshop instalado aqui eu até me prestaria pra fazer uma montagenzinha mais imbecil ainda. Planos futuros. Parênteses, o modelito viúva negra não foi combinado.


E pra quem pensou que o surto infantilóide era um fato isolado, redondamente se engana. Ainda me presto pra me arrumar e posar pra fotinho de costas, afinal o vestido pede uma foto evidenciando o corte.

Não satisfeita, resta a foto de ladinho, sabe como é, nasrcisismo rulez. Não que cinza seja a melhor cor pro meu pálido tom de pele, mas era o que tinha no guarda-roupa, neam.


Então ta, passado meu surto pre-adolescente, vou pra formatura comer e beber às custas do formando. Ano que vem sou eu, e eu to contando os dias. Medinho? Que nada, quero mais é que esse ano voe! No mais, que os shoe designeres desenvolvam sapatos mais confortáveis. Sabe como é, salto alto não combina com festa a noite toda.

Taí, inútil, mas com classe. Maquiada e de salto alto.

Manda um "y", aí.  

Posted by: Cris Andersen in , ,

Não, eu não sou lésbica, mas também não faço a mínima questão de esconder (bem pelo contrário, aliás) que se eu tivesse tido a chance de escolher qual o bendito cromossomo que iria fazer par ao "x" da mamãe, eu teria escolhido um másculo e poderoso "y".

Claro que vagina e peitos tem lá suas vantagens, não nego, mas eu, francamente, daria o cu pra poder voltar atras e nascer com um tico, e nem precisava ser um tico grande. Aí vai vir um cretino metido a espertinho e mandar eu fazer uma operação de mudança de sexo. Tirando o fato de que eu seria gay (de tanto que eu detesto buceta), talvez se essa idéia tivesse sido dada pra minha mãe, algo tipo 22 anos antes, eu não me oporia. O problema é que agora eu já fui criada pra ser mulherzinha, e a grande verdade é que o que me encomoda MESMO em ter ovários, não é exatamente o ovário, mas essa cacetada toda de hormônios que ele produz somado aos inconcebíveis pensamentos intrinsicamente femininos.

Pensem comigo, só o fato de não mesntruar, poder ser pai sem sofrer, não ter relevância a ação da gravidade sobre os peitos e poder fazer xixi não importa o quão imundo esteja o banheiro já são vantagens que superam (quase) todas as ditas vantagens femininas. Quando começo a pensar nas vantagens sociais, então, tenho vontade de espancar o filho da puta que inventou a tal diferença entre os sexos, e só tenho mais certeza de que 'justiça' e maior piada da nossa existência patética.

Acham que eu to exagerando? Pois aposto que alguém aí ja pensou "que feio, menina falando tanto palavrão". Piça pra vocês. Falo palavrão mesmo, nem tô. Mas se eu fosse homem isso seria normal e, mais que isso, esperado, viado seria eu se NÃO falasse. Tomar no cu mesmo. Sem contar que sempre tem mulher pra gostar de um feinho simpático pra ser só dela, homem só come se for gostosa, e só pensa em algo mais se o sexo for bom, quando pensa.

Outra coisa, homem solteiro aos 35 é opção, mulher solteira ao 35 é encalhada. Homem que pega geral é garanhão, mulher é puta. Bunda de homem não interfere na vida profissional. Cabelos grisalhos pro homem é charme. A velhice torna os homens experientes e as mulheres fofoqueiras. Homem engorda e fica simpático, mulher engorda e fica gorda. Homem pode pensar em sexo o tempo todo, além de que querer comer todo mundo é normal. Homem quando leva um fora pra partir pra outra só precisa de uma bunda (ou peitos) dando sopa no local. E, é claro, comprar camisinhas é honrado, jamais constrangedor.

Falando da sociedade feminina em particular, homens não precisam se preocupar em estar mais bonitos e arrumados que outros homens, ninguém vai reparar neles. Homem não precisa ficar maquinando sobre quem pode estar falando mal dele nesse exato momento. Amigo sempre respeita namorada de amigo. Cinismo é opcional, mas um soco sempre resolve de um modo muito mais adequado a situação. Ah, o que eu não daria pra poder distribuir uns socos por aí.

Eu ficaria até amanhã listando vantagens, mas infelizmente não posso, tenho que ir lá trocar o absorvente, retocar a maquiagem e discretamente fugir de uma cara chato que não larga do meu pé, enquanto o carinha que eu queria pegar ta lá, bem faceiro, tentado pegar aquela insossa. Aí eu volto pra casa sozinha, com aquela sensação de vazio, querendo dar o cu em troca de um mísero abraço.

Não apenas o cu, mas o que eu não daria para poder vestir as calças e ser feliz sem preocupação com detalhes. Se é que me fiz entender.

Eu me Basto  

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Ninguém precisa queimar meu filme, afinal é como eu sempre digo, eu me basto. E me basto plenamente, para quase qualquer coisa. Só não sei cozinhar. Todavia antes que minha prolixidade inata leve à fuga do tema, vou fazer o que vim aqui pra fazer, e que ninguém pode fazer por mim (e não é xixi).

Em fim, no meio de todo aquele tédio repleto de coisas para se fazer que no fim não se faz nada, recebi (e li, o que é mais surpreendente) um e-mail, desses de bobagem, com uma lista de coisas imbecis que as pessoas comumente fazem. Baseada nas respostas da pessoa que mandou o e-mail (cuja identidade será mantida em sigilo para a proteção da mesma), percebi que eu sou muito, mas muito imbecil. E como parte da minha imbecilidade é saber dar risada da minha própria cara, decidi fazer uma lista pessoal e, sabem como é, compartilhar com outrém a alegria de rir de mim mesma.

Não que rir de alguém que faz idiotices que todo mundo faz seja engraçado, a questão é quando muitas idiotices vem juntas. Até porque, sejam sinceros comigo, quem nunca tentou encostar a língua no cotovelo? Eu já, e não consegui. Não se sinta idiota por estar tentando agora, ok?

E o fato de eu ja ter perdido o chiclete da boca em meio a um discurso provavelmente infundado não é tão anormal, é? E nem vem que eu não falo demais. Não mesmo. Juro. E só porque eu já me engasguei com a minha própria saliva porque não deu tempo de engolir não significa que to errada, né? Engasgar com chiclete acho que nem se fala. E anormal é quem nunca engasgou com as balas soft, fala sério (desenterrei a bala soft... to ficando velha).

Deixando as engasgadas de lado, atire a primeira pedra quem nunca acenou para alguém na rua sem que esse alguém fosse o alguém que tu pensaste que fosse. Maior vergonha o abano no vácuo. E por falar em vácuo, beijar erroneamente a boca de alguém ao cumprimentar é bem desagradável, quase tanto quanto fazer menção do terceiro beijo (pelotenses...) e ficar com o biquinho não correspondido. Dou a dica "3 pra casar, to encalhada, preciso de ajuda" quase sempre melhora o clima e a vergonha vira piada, quando a piada mesmo é somente tu.

As besteiras que fazemos no sono deveriam ser perdoadas, poxa, eu já dei de cara em algo invisível quando tentava ir fazer aquele xixi madrugadal, assim como já caí da cama (e no meu caso foi muito mais idiota, caí do andar de cima do beliche). Seguidamente acordo babada e não raras são as vezes que acordo achando que estou caindo. Todo mundo já passou por isso. Né?!?

Eu também já mandei mensagem de texto para a pessoa errada, assim como já liguei para o número errado também. Não satisfeita, liguei duas vezes consecutivamente para o (mesmo) número errado. Já pensei em algo muito mais muito engraçado que só eu sabia o que era, dei muita risada sozinha e no fim não consegui explicar a graça pra ninguém. Eles não entenderia, afinal. Freud deve explicar. Espero que também explique por que eu já chamei a professora de "mãe" e, principalmente, por que é tão comum eu dar risada com a boca cheia do que quer que seja e acabar cuspindo tudo. Não maliciem, ta gente?

E pra finalizar, na sessão "não tão idiota, mas o Alzheimer gostosão ta me pegando", já calcei o sapato esquedo no pé direito, e ainda não entendi o desconforto. Já vesti a roupa do avesso e sequer me prestei pra achar a costura estranha. Já saí na rua com a etiqueta do preço anexada à roupa, óbvio que era promoção. Já coloquei sal no café, mas a culpa eram dos potes mal identificados, juro. Já tentei servir bebida com a tampa da garrafa fechada, assim como também já derramei alguma coisa na mesa achando que estava acertando o copo. Já procurei loucamente alguma coisa que estava muito bem escondida na minha mão. Já empurrei quando dizia "puxe", e olha que eu já sabia ler. Já apertei os botões do controle remoto com mais força quando a pilha estava fraca, e ainda mais força usei quando não funcionou. Tu não tens teto de vidro, tens?

Sejamos francos. Eu sou imbecil, ok, aceito. Mas todo mundo carrega consigo um pouquinho de imbecilidade também. Garanto, a vida é muito mais divertida pra quem consegue rir de si mesmo, bastando unicamente a si ou não.

Adeus aos Manuais  

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Antes de mais nada, eu gostaria muito de saber quem foi que, diabos, inventou essas tais "regras" de comportamento social, as quais regem como as pessoas devem vertir-se, o quanto devem pesar e, o que mais me irrita em todas elas, como devemos agir e o que devemos em sentir em determinadas situações pré-estabelecidas. Não que eu, particularmente, ache que velório é um bom lugar para um show de piadas, entretanto eu realmente gostaria que no dia em que eu finalmente bater as botas as pessoas fizessem uma listinha das pérolas da minha vida - exemplos não irão faltar - e pudessem dar um pouco de risada da minha cara branca e gelada (e agora morta).

Todavia é óbvio que não era exatamente de piadas em em velórios o que eu queria falar quando comecei a escrever, mas seguindo o exemplo, acho absurdamente infundada a idéia de que mulher tem que ser romântica e esperar que cada cara que ela fica seja o seu príncipe encantado montado em um cavalo branco vindo resgatá-la das garras negras do dragão da solteirice. Sinceramente, foi-se o tempo em que ser solteira era uma coisa feia, impura e de mulheres perdidas na vida. Hoje em dia a gente não quer mais saber dessa coisa 'amélia' de lavar, passar, cozinhar e dar ao bel prazer do marido, bem pelo contrário, aliás. Gosto muito de ter a liberdade de escolher quando limpar a casa (ou pagar alguém para fazer isso), ir às festas acompanhada da ordem das solteiras, sair de lá bêbada sem saber exatamente como voltar para casa e, o mais revolucionário de tudo, escolher de acordo com a minha vontade quando e para quem entregar o corpinho. E se no dia seguinte eu acordar de ressaca, no meio da bagunça e acompanhada de um desconhecido, gosto muito de poder escolher nunca mais olhar para a cara do infeliz. Bebi, dei e não me apaixonei, isso não faz de mim uma vagabunda nem menos digna de qualquer dessas coisas que as que casam virgens merecem. É quase 2010. minha gente!

Agora, vamos pensar em uma situação semelhante porém com desenrolar um pouquinho diferente: bebi (ou não), dei (ou não) e me apaixonei. Há quem diga que no coração não se manda, eu, particularmente, discordo, mas não é esse o ponto. A questão é: to apaixonada e esperando desesperadamente que toque o telefone que parece que não vai tocar. Contraditório isso, é feio dizer que peguei e não me apeguei, entretanto soa tão mal quanto assumir que está sentada, sacudinado a perninha, escorando o queixo na mão, olhando para aquele aparelhinho maldito que sisma em permanecer em silêncio. Quem quer que tenha proclamado as tais regras, por favor decida-se, ou sou mulher-macho ou sou mulherzinha, as duas coisas ao mesmo tempo definitivamente não da. Supondo um estilo mais mulherzinha apaixonada, então entregue-se e curta profundamente esse momento "casa das sete mulheres". Não tem porque negar, a gente sofre, chora, espera, torce e até reza. Não importa muito se no final vocês casaram e tiveram lindos filhos com a cara do pai, ou se ele nunca deu sinal de vida e tu acabou por desencanar após breve surto depois de encontrá-lo aos beijos com outra em alguma festa, o importante é reconhecer e assumir uma postura condizente com o que se sente, o que TU sentes, jamais com o que irão pensar de ti.

A paixão é linda, disso todo mundo sabe. O que parece que pouca gente vê é que a falta de paixão também é maravilhosa, desde que a gente se permita aproveitar o que cada situação tem de bom. A gente tem que parar de se prender a convenções sociais, sejam elas quais forem. Se eu estou um pouco acima do peso? Grande coisa, até barriguinha saliente tem seu charme. Tenho o cabelo crespo? Tenho mesmo, não faço chapinha e assumo meus cachos com o volume que eles tiverem, minha cara não combina com cabelo liso mesmo. Sou branquela? Sol causa câncer de pele, não recomendo. E, finalmente, peguei e não me apeguei? Pois é, o cara não soube me fazer cair de quatro (no bom sentido, é claro - ou não - ). Fiquei apaixonadérrima por alguém que não me da a mínima bola? Paciência, meu coração é trouxa, mesmo, daqui a pouco as endorfinas serão metabolizadas e ficar olhando o telefone deixa de ser interessante. É maravilhosa a sensação de liberdade ao me livrar do manual de "como me portar hoje em dia". Sério. Excetuando-se o fato de que agora eu sou obrigada a sair da minha casinha e ir votar toda bendita eleição, benditas sejam aquelas que queimaram sutiãs.

Segura na mão de Deus e vai...  

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Algumas pessoas são anjos, porém sem asas.

Ela é um anjo.
Ela ia à missa todo domingo de manhã.
Ela fazia comida para dar às crianças de rua todos os dias.
Ela tirava seu próprio casaco caso visse alguém passando frio na rua.
Ela criou três filhos sozinha, enfrentando uma viuvez inesperada e a consequente falta de dinheiro.
Ela deixou de "viver" para dedicar-se à amparar seu pai doente, logo em seguida à mãe.
Ela sempre foi o porto seguro de qualquer um que sempre precisou de apoio.
Ela pegava minha mão toda noite na hora de dormir, enquanto ouvíamos os sapinhos do terreno do lado.
Ela me levava a mamadeira na cama no outro dia de manhã, enquanto brincávamos de esconde-esconde embaixo da coberta de pena que tinha o cheiro dela.
Ela passava boa parte da manhã procurando os óculos para então perceber que eles estavam pendurados em seu pescoço.
Ela ria disso.
Ela sempre tinha bala azedinha no guarda - roupa.
Ela sempre tinha talquinho.
Ela sempre tinha água - benta na entrada do quarto, bem como muitos santinhos e imagens espalhados pela casa.
Ela fazia arroz e antes de servir enrolava a panela em um saco de pão. Era o melhor arroz do mundo.
Ela adorava arroz, feijão e maionese.
Ela ia ao supermercado comigo, e sempre teve paciência com uma criança chata pedindo tudo ao redor.
Ela brigava comigo quando eu deixava as coisas fora do lugar ou as gavetas abertas.
Ela fazia croché com uma perícia incrível.
Ela cuidava de suas roseiras quase como se fossem uma criança.
Ela encerava a casa e brigava caso eu andasse de pés descalsos.
Ela comprava meias com anti-derrapante para mim.
Ela me ensinou a jogar "cinco - marias" com pedrinhas de brita.
Ela fez saquinhos de "cinco - marias" com arroz dentro quando eu comecei a machucar os dedos com a brita.
Ela cuidava das parreiras para que as uvas fossem sempre bonitas e gostosas.
Ela me ensinou a fazer "tripa de porco" quando algo me desagradasse.
Ela tinha o pé do jeito que eu queria ter.
Ela tinha unhas que nunca quebravam.
Ela não tinhas cócegas em nenhum lugar do corpo.
Ela não sabia escrever, mas eu sempre achei linda a letra de quando ela escrevia seu nome.
Ela era canhota. Por causa disso sempre odiei ser destra.
Ela não gostava muito do cabelo dela, mas eu sempre achei lindo. O prateado dava um charme ao liso natural.
Ela era linda.
Ela tinha a paciência de um anjo.
Ela contava rindo sobre como ficou viúva.
Ela sempre achava o lado bom das coisas.
Ela ria de qualquer situação, o que as tornava não tão ruins assim.
Ela realmente sabia viver.
Ela foi a melhor nonna que eu poderia ter tido.
Ela foi a melhor pessoa que eu poderia ter conhecido.
Ela foi a melhor pessoa que poderia ter existido.
Ela sempre vai morar na minha mente e no meu coração.
Ela me ensinou a dançar a "dança do pezinho"

'ai bota aqui, ai bota ali o seu pezinho
seu pezinho bem juntinho com o meu
mas depois não vá dizer que você me esqueceu'

Tudo tem seu tempo. Tudo tem seu fim. Missão cumprida.
Descansa em paz.
Volta pro teu lugar junto aos anjos. Segura na mão de Deus e vai...

Meu Blog por Mim Mesma (e o Google)  

Posted by: Cris Andersen in

Eu tenho um blog (constatação inútil, afinal se tu estás aqui, provavelmente já é portador dessa informação). As vezes eu até acho meio idiota 'teen' essa coisa de diário virtual, mas aí eu penso que sempre tem a possibilidade de eu vir a ficar rica com as coisas que escrevo (da série 'quem me dera'), então deixo minha preocupação imbecil pré-adolescente de lado. Nao tenho bem certeza, mas acho que dei início às minhas atividades virtuais quando eu ainda nem tinha computador próprio, meados dos meus 17 ou 18 anos (atrasadinha, né?). Aí cansei da bagaça do windows live de lá, mudei de provedor e comecei tudo de novo, aqui. Naturalmente muito mais madura do que outrora (caindo do pé, até), algumas coisas ainda passam em minha mente exatamente do jeito que passavam 5 anos atras... como diabos as pessoas chegam até aqui, e que tipo de pessoa iria perder tempo se divertir lendo as coisas que alguém desinteressante ortodoxo como eu escreve.

Diferentemente de eras passadas, o oráculo Google esta aí para responder todas as nossas perguntas. Obviamente eu sou anta tecnófoba o suficiente pra não saber bem como funciona, mas a gente cadastra a conta no Google Analytics e ele nos da um relatório completo de quantas visitas tivemos, quanto tempo ficaram no site, de onde vieram, mais umas outras infinitas informações inúteis desinteressantes e algumas outras, no mínimo, curiosas, como as keywords que levaram a criatura até meu blog a partir de uma busca no oráculo Google.

Descobri que quase todo mundo que me visita vem referenciado do orkut (30%) ou da própria busca do Google (25%), o que já me da referências de por onde começar a apelar caso eu deseje por em prática algum plano de, de fato, ficar rica com meu blog (sonhar é de graça, ok?). Entretanto, o que realmente chocou chamou minha atenção, pelo menos a ponto de eu querer comentar a respeito, foram as tais palavras-chave que as pessoas digitam no campo de busca. Das duas uma, ou eu não usufluo de todo o potencial da internet ou as pessoas em geral manifestam interesses medonhos inusitados quando sentam na frente de um computador conectado à rede mundial.

Astrologia é a chave da divulgação, pois as variantes de "peixes com ascendente em escorpião" (digitado dos mais bizarros diferentes modos) respondem a quase 40% das pesquisas que foram direcionadas ao meu singelo espaço de divagação pessoal. Eu até tenho um texto cujo título é esse, entretanto deve ser meio frustrante chegar nele quando o que se quer, muito provavelmente, é alguma dissertação sobre a tal combinação dos signos. Eu, particularmente, acho que essa coisa toda de astrologia é meio de desocupado duvidosa, mas não deixa de ser interessante, até certo ponto. Aqui não é o lugar, mas na Wikipédia certamente vocês, astrólogos virtuais, vão encotrar o que procuram. Ficadica.

E em segundo lugar na corrida maluca vem as variantes (mais bizarras ainda) de "melanie klein - seio bom e seio mau". Aí sim pode ser que meus leitores saiam um pouco mais satisfeitos, afinal eu tenho um texto que fala só disso. Não é a coisa mais interessante e imparcial do mundo, mas até da pra aproveitar alguma coisa com um pouquinho de cérebro esforço. Entretanto, tetas à parte, o maior proveito que vocês poderão tirar do meu blog é que o contrário de BOM é MAU, com "u", não com "l". Ficadica². Agora esqueçam reforma ortográfica, ok? Hífen nunca foi meu forte antes... agora menos ainda.

E do terceiro lugar em diante vem os campeões em bizarrice diversão. Fico pensando o que exatamente a criatura queria encontrar quando pesquisou "a lagarta so vira borboleta quanto esquecer o passado". Meu blog certamente não era. Contudo a internet certamente é o melhor modo de entender como "a internet provoca alterações na mente humana", óbvio que meu blog explica, né google? O que o oráculo pode não saber saber é que alguem no estado de encalhamento solteirice em que me encontro talvez não seja a melhor pessoa pra falar "como encontrar um amor em 7 dias", "como reencontrar o amor da vida" ou ainda "amor da vida". Acho que o oráculo esta perdendo os poderes, hein...

Aí quando a gente acha que já viu de tudo nessa vida, a mente humana vai la e mostra que tem capacidade pra muito mais. Não que eu tenha preconceitos, mas alguém pra pesquisar "contos erotico com11anos vi o pinto do meu padrasto" não pode ser lá muito mentalmente sã normal. Não que nos dias atuais ver o pinto do padrasto seja algo muito incomum, infelizmente. Quanto a "eu tenho um seio maior que o outro", é normal meninas, quase toda mulher tem, e eu também, como já tinha dito aqui em outro momento, sem contar que ninguém além de nós mesmas nota a tal discrepância. É puro charme. Já no que tange a "faço hemodialise posso fazer lipo", cirurgiões plásticos e nefrologistas ganham dinheiro pra tirar essas dúvidas.

E por último, porém não menos importante, a dupla que divide o lugar mais alto do podium da bizarrice: "videos de homens que adoram chupar tetas gordas" e "videos com gordas peludas". Será que o oráculo ta dizendo que sou gorda? Ou gorda peluda? Ou tenho tetas gordas? Ou ainda que tenho tetas gordas, peludas, de tamanhos diferentes e disponibilizo vídeos? Esse Google só me fode me racha a cara... se pelo menos me ajudasse a enriquecer, né...

Nosce te Ipsum  

Posted by: Cris Andersen in

Todo dia alguém pergunta como estou. A grande maioria das vezes, pra não dizer todas, respondo que está tudo bem. Resposta automática, porque a verdade é que em nada importa se estou bem ou não, a resposta vai ser sempre essa. Sejamos francos, ninguém que pergunta como estou e sequer para pra ouvir a resposta pode estar interessado em saber a verdade. Entretanto, nos últimos tempos, estranhamente para mim, a resposta tem sido, embora automática, verdadeira. Não que a minha vida tenha mudado muito desde os tempos em que mentia ao dizer "tudo bem", todavia o que mudou foi meu estado de espírito, o modo como meus olhos vêem o tudo igual que sempre me cerca.

Há um certo tempo eu não tinha uma vida muito... própria... digamos assim. Costumava fazer aquilo que me era imposto a fazer. Pensava aquilo que me era sugerido pensar, sentia aquilo que pensava ser certo sentir. Meus desejos, sonhos e opiniões não eram exatamente meus, eram compilações alheias que julguei apropriadas a mim no momento. Em resumo, eu não era eu, simplesmente porque eu não existia. Não é difícil entender porque a sensação de "alguma coisa faltando" era tão grande. Até que, em uma dessas rasteiras que a vida nos dá, vi-me andando sozinha pela estrada da minha vida, precisando pensar por mim mesma, decidir o que é melhor para mim e fazer o que eu achar adequado... sem cartas, platéia ou ajuda dos universitários.

Mais perdida que filho de puta em dia dos pais, tive que criar em meses o eu que deveria existir por anos. Preenchi o espaço de algumas coisas que haviam sido tiradas de mim, assim como daquelas que eu mesma tive que jogar fora. Refiz minha caderneta de prioridades, remontei meu manual de certo e errado. Reinventei meus princípios e reconstruí minha torre de prazeres. Preenchi comigo quase todos os espaços livres do meu dia e a minha rotina é mais minha do que nunca. Excetuando-se a questão financeira (que nem é tão importante assim, né?), sou dona de mim mesma, e comigo faço e tenho feito o que eu bem entender, sem me preocupar com o que vão pensar ou aos princípios de quem vou ferir.

Claro que isso também tem seus aspectos não tão positivos. A começar pelos tais corações que andam dizendo que piso. Em minha defesa digo que só piso em quem se deixa ser pisado, e além do mais, já deixo bem claro o momento que estou vivendo a quem quiser saber. Todo mundo que paga pra ver tem que estar preparado pra perder, de modo que não nutro tanta culpa assim pela perda das fichinhas alheias. Outro ponto é que em alguns momentos me olho no espelho e não sei bem o que vejo, chego a parecer uma estranha à mim mesma. Porém pra quem não sabe exatamente o que é, não posso querer saber o que esperar encontrar no espelho todo dia de manha. É questão de tempo, sou uma criança aprendendo a reconhecer a imagem como minha.

Portanto, quando me perguntarem como estou, saibam que, embora a resposta jamais vá ser diferente, estou de fato bem. Criando e conhecendo a mim mesma. Coração cada vez mais duro, é verdade, porém cada vez mais ciente de porque vim ao mundo e do que é preciso abrir mão para conseguir sair dele com a sensação de objetivo cumprido. Ademais, fica a dica, pra ser feliz o ambiente não importa, nadica de nada. O segredo é o modo, não só como vemos, mas como encaramos o que nos cerca. E o primeiro e grande passo, conselho de mãe, já estava escrito na porta do Templo de Delfos na Grécia Antiga: "gnōthi seauton". De Sócrates traduzido para o latim, nosce te ipsum. Cristine também é cultura...

Entre Lágrimas e Tropeços  

Posted by: Cris Andersen in , ,

Certa vez ouvi dizer que as maiores lições da vida não aprendemos na escola. Extrapolando para a faculdade, a assetiva permanece extremamente verdadeira, talvez até mais do que originalmente. Ainda tenho gravado na mente os principais marcos pelos quais passei ao longo dos quase 5 anos que curso medicina. O paciente terminal no primeiro semestre, a viúva no terceiro, a primeira anamnese no quinto, o primeiro exame ginecológico no sexto, a primeira morte no oitavo. As lições foram tantas e tão intensas que cheguei a quase acreditar que não havia em mim mais espaço para novos aprendizados em tão pouco tempo.

Foi quando, então, já na reta final do estágio da cirurgia, minha doce e insensata ilusão foi brusca, repentina e insensivelmente quebrada. Em resumo, um paciente de 49 anos com câncer de cabeça de pâncreas (câncer de gente famosa, aliás) com início de sintomatologia há apenas 1 mês desenvolveu insuficiência renal pós contraste de tomografia. Resumindo novamente, iria morrer, e logo (as 5 semanas mais longas da história também é coisa de Hollywood). A família foi chamada, a notícia foi dada e ficou no ar a pergunta: "dialisar ou não dialisar, eis a questão!". Não que o paciente fosse durar muito com a diálise, mas pelo menos ia durar um pouco (bem pouco) mais. A família decidiu não fazer a diálise e já agilizar possíveis transplantes, desejo manifestado pelo paciente em vida.

Do lado de fora da roda de pessoas que cercavam o residente da equipe, observei atenta a todos os questionamentos e sofrimentos manifestados pelos familiares daquele que estava prestes a passar dessa pra melhor. Lágrimas aqui, soluços ali, fungadas acolá, tudo dentro do esperado para a condição em que eles se encontravam. Porém o que de fato era meu maior interesse, e o que sem dúvida mais me surpreendeu no desenrolar da história, foi a reação do médico residente lidando com umas das situações mais difíceis com a qual um médico pode se deparar. E ele enfrentou tudo com seriedade, maturidade e talvez o mais importante, frieza. A frieza de um pilar indispensável à manutenção da sanidade perante tamanha fragilidade emocional. A frieza que eu, com os olhos cheio d'água escorada na parede ao lado, tenho certeza que não teria... pelo menos não agora, não desse jeito.

Claro que toda essa minha empatia com a sofrida família na verdade não passa de reflexo de um sofrimento meu desenterrado pela situação diante dos meus olhos, porém quantas vezes mais situações alheias despertarão em mim lembranças e sofrimentos a tanto enterrados? E quantas vezes mais não conseguirei domar minha própria dor e mostrar-me o porto seguro para aqueles que naquele momento precisam? Talvez nenhuma... talves muitas mais. Todavia ninguém nunca me deu um manual de como agir nessas situações.

E assim, às lagrimas e aos tropeços, o ciclo da vida continua para todos, sem exceção. A faculdade segue e as aulas também (apesar das intercorrências e férias suínas). Porém as lições, talvez as mais difíceis e mais importantes, profissionais ou não, virão com o tempo e provavelmente longe da sala de aula. Fica a grande dúvida se nós seremos capazes de aproveitá-las...

Dia de Encontrar o Amor da Vida  

Posted by: Cris Andersen in , ,

Todo mundo melhora após um término de namoro. Depois da tradicional fossa inicial, é claro. A gente chora, assiste filmes de romance acompanhada de uma panela de brigadeiro, vai à cafés tomar capuccino sozinha, dorme mal, descuida do melhor dia para ir ao cabeleireiro, fica tempos sem fazer as unhas ou depilação, não usa maquiagem. No fim das contas nos encontramos gordas, peludas, cheias de olheiras, o cabelo repleto de raízes e os dedos com mais cutícula que unha. A visão do inferno, sendo otimista.

Aí, quando a gente menos espera, vem aquela vontadezinha de subir depois de um fundo de poço bem aproveitado. A gente entra pra academia, decide fazer caminhadas diárias com o cachorro, volta a frequentar o salão de beleza, passa a fazer as unhas, adere à depilação radical só para experimentar e até muda a cor do cabelo, sem falar na maquiagem, que volta com força total. Os filmes são deixados de lado, capuccinos também, a programação agora é junto ao clube das solteiras. Até que a gente enche o saco de tudo isso e volta à programação normal.

Já de volta ao usual, a gente deixa de se preocupar tanto com o cabelo e a maquiagem, até ganha uns quilinhos de novo, se bobear. Volta a se preocupar com questões profissionais e o sábado chuvoso sozinha em casa vendo um filme (com ou sem brigadeiro) não é uma opção tão desencorajante como outrora (exceto, talvez, pra quem está demasiadamente preocupada com o peso). Com os fantasmas já exorcisados, começam a vir os dias em que os 15 minutos a serem dedicados à aparência passam a ser preciosos demais para o sono que jamais será suficiente, fazendo com que, inevitavelmente, cheguem os dias em que saímos de casa mal arrumadas, sem maquiagem, cabelo desgrenhado, com a cara inchada e repleta de olheiras.

Não sei vocês , mas eu costumo chamar esses dias de "dia de encontrar o amor da vida". Não que eu encontre um amor da vida toda vez que, por um motivo ou outro, saio de casa nesse estado (no mínimo, deplorável). Porém todas as vezes que encontrei um amor da vida em potencial (e que talvez tenha até sido o amor daquele período na minha vida), eu estava do modo supracitado pra pior. Claro que Murphy e eu temos uma relação demasiadamente íntima para que se tome esse exemplo como regra geral, mas vai dizer, as coisas sempre acontecem no pior momento possível, mesmo que seja algo muito e muito desejado. Obviamente não seria diferente com amores da vida... ou ofertas de emprego.

E e aí que, parando pra pensar, a gente percebe que não importa quantos quilos a gente ganhou nem quantas lágrimas rolaram nesse meio tempo, a gente simplesmente supera, as vezes até esquece, e segue vivendo. Conhece muitas outras pessoas, experimenta diversas outras comidas, vive incontáveis outras situações e enfrenta infinitas outras dificuldades, de peito aberto e rosto erguido, maquiada ou não. Até porque, sejamos francos, a vida fica muito mais fácil quando a gente se permite, permite engordar, permite chorar, permite curtir a fossa e, porque não, permite um dia de encontrar o amorda vida!

Deprimo e como. Como e deprimo.  

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Nesse mundo globalizado não há quem não tenha ouvido falar no tal do "efeito sanfona". Pelo menos na televisão ou revista de fofoca, daquelas que indicam dietas milagrosas para perder 6kg em uma semana. Aos desavisados (o texto tem que ser completo, né?), sanfona é aquele instrumento musical (da pra chamar assim?) que se parece muito com uma mola, o qual aumenta e dimunui expulsando o ar e gerando som, estando ora grande e ora pequeno (a google não vai interpretar isso como pornográfico e deletar meu blog, vai?).

Pornografias à parte, eu sou exemplo vivo do efeito sanfona no peso. Lembro bem que com 13 anos pesava 62 Kg, e me achava uma baleia (e era, pelo menos comparada às pequenas meninas de 13 anos que circundavam meu habitat). Aí entrei pro CEFET e perdi um pouco do controle do peso, porém nunca esquecerei da apresentação de teatro em que fui um passarinho (bizarro, né?), antes da qual me pesei e figuravam 75Kg na balança. Aí os anos passaram, até que no final de 2008 a balança dizia que eu acrescentava à Terra 68Kg, o que particularmente bom para uma mulher grande e alta como eu. E aí, mês passado, no ambulatório, por curiosidade, subi na balança. Independente do frio e das muitas roupas que eu usava (calça jeans, bota, sobrepele, blusa gola alta, básica de lã e jaleco), o número que me encarava era 77,5.

Decidi que era MESMO a hora de comçar uma dieta, cortar os chocolates-quentes (maldito hífen) diários, diminuir o chocolate e ponderei até começar a comer salada. Comprei frutas, granola, iogurte light e tentei convencer a mim mesma que comer pouco de 3 em 3 horas iria satisfazer minha gula. Também decidi que caminharia 1 hora por dia (até porque academia foge do meu orçamento de universitária pobre). Caminhar diariamente nunca consegui, afinal é inverno, eu moro em Pelotas e curso Medicina. É frio, chove e eu costumo chegar em casa depois das 7 da noite. Mas a dieta até que durou uma semana, quando o estresse de uma vida fadada à encomodação sobrepôs meu repúdio pelo espelho.

Não sei vocês, mas entrar em cirurgia às 13:30h e sair da mesma às 21:30h ininterruptamente (leia-se: sem comer, sem fazer xixi, sem sentar e sem coçar o nariz) é o tipo de coisa que faz com que eu chegue em casa, além de 30 minutos depois (afinal eu não tenho carro e ando a pé), querendo comer o que aparecer pela frente, compulsivamente, em meio às lagrimas de irritação. Resumindo, é humanamente impossível para alguém emocionalmente instável como eu conseguir comer regularmente (e pouco) quando buracos cronicamente vazios na minha existência só são completados com comida.

Filosofias de banheiro à parte, eu deprimo e como, como e deprimo. É um ciclo vicioso que me deixa cada vez mais deprimida e cada vez mais gorda. Não é pedir demais conseguir despachar uns 10 quilinhos... é? Só preciso achar onde quebrar essa corrente... Até porque, gravem o que estou dizendo, na primeira oportunidade que a pobreza sair da minha vida (que eu espero que aconteça em no máximo 2 anos), eu vou fazer uma lipoaspiração. Bem que a minha sanfona podia permanecer fechada e quietinha, né?

Queria...  

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Eu queria um microondas...
queria uma estufa...
queria um casaco de cada modelo e cada cor...
queria muitos pares de sapato...
queria morar na europa...
queria ser rica...
queria ter nascido com o cabelo liso...
queria não ter a sobrancelha crespa...
queria nao ter compulsão por comida...
queria não ter celulite...
queria não ter gordura localizada...
queria fazer uma lipo...
queria não precisar fazer uma lipo...
queria ser simpática...
queria não falar palavrão...
queria saber aproveitar melhor o meu tempo...
queria poder ler tudo o quero ler...
queria conseguir escrever tudo o que quero escrever...
queria lembrar de todas as coisas...
queria esquecer de algumas outras...
queria esquecer até algumas pessoas...
queria ter minha mãe por perto sempre...
queria ter algumas pessoas longe para sempre...
queria apaixonar-me perdidamente...
queria nunca tornar-me vulnerável pelo amor novamente...
queria um marido perfeito...
queria ser solteira bem resolvida...
queria devolver toda a humilhação...
queria virar a página com a ferida cicatrizada...
queria nunca ter o coração pisoteado outra vez...
queria mandar em mim mesma...
queria mandar no mundo...
queria poder comandar os pensamentos das pessoas...
queria poder comandar os meus pensamentos...
queria que as coisas fossem como eu queria que fossem...
queria saber o que eu realmente quero.

Amores e Desamores  

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Amor é um tema que, embora esgotado, nunca esgotará. Pode-se falar de amores novos, amores perdidos, amores passados, amores reconquistados, amores platônicos, amores doentios, amores correspondidos. Amores que são amores e até amores que não são, de fato, amores. Tudo depende do coração de quem ama. Ou de quem não ama.

Não acho que amor, aquele dito como verdadeiro, pra existir precise despertar taquicardia ou sudorese, nem sequer as tais borboletas no estômago. Não vejo relação de obrigatoriedade entre amar e deixar tudo de lado pelo amor, nem fazer planos intangíveis para o futuro, ou não consequir imaginar a vida bem vivida sem outrém. Amar não tem que, necessariamente, ser intenso e ensurdecedor. Amar pode ser reflexo da calmaria de um céu azul sem nuvens. Sem ventania, sem vendaval.

O amor em brisa proporciona que aqueles que amam e são amados possam sentir-se perdidos em um campo repleto de flores perfumadas, sob a luz do sol, sentindo o leve ar da primavera no rosto enrubecido. O amor nunca deve se parecer com uma sala trancada, escura e fria. Amar deve sempre ser na dose certa, se demais tritura, se de menos tortura. Não deve secar nem transbordar. Que apenas flua.

Já experimentei amores barulhentos, intensos e fugazes, bem com já caí nas graças do sentimento leve e silencioso, carregado pelo vento. Já amei e não fui amada, já fui amada e não amei. E, ao contrário do que muitas pessoas alegam de suas vidas, posso dizer com segurança que já fui verdadeiramente amada enquanto amei. Passados os amores porém não as dores, digo que sou uma pessoa de sorte. Sorte por ter tido a oportunidade de sentir. Porque sofrer também é sentir. E é preciso sentir para viver.

Amei verdadeiramente. Agora acabou, e o espaço em meu coração agora está reaberto para um, quem sabe, novo amor, recém nascido ou renascido. Assim como funciona para mim, o coração daqueles que um dia me amaram também encontrará um novo alguém por quem sofrer. Não acho que um amor que tenha tido começo e fim seja menos verdadeiro do que aqueles que duram para sempre. Até porque o "para sempre" é aquela coisa que sempre acaba, cedo ou tarde.

Malditos Seres Bem Resolvidos  

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Eu invejo tanto as pessoas que são solteiras bem resolvidas, ou casadas bem resolvidas, ou gordas bem resolvidas e ainda as amgras bem resolvidas. Em fim, tenho uma inveja colossal das pessoas que são simplesmente bem resolvidas. Isso porque eu não faço parte do grupo dos bem resolvidos. Quando emagreço fico magra demais, quando engordo fico gorda demais, quando estou solteira quero namorar, quando namoro quero ficar solteira. Ser a pessoa menos resolvida que eu conheço dói muito, não apenas em mim, mas também nas pessoas que me cercam. E isso faz com que eu sofra duplamente.

Quando eu vejo aquelas pessoas que são convictamente solteiras, daquelas que pegam e não se apegam, adeptas do "lavou ta novo", eu chego a chorar de raiva, delas e de mim mesma. Desde que eu me lembre eu sofro por alguém. Vale ressaltar que "desde que me lembre" compreende meados de 2004. De lá pra cá eu NUNCA estive sequer um dia sem pensar em alguém, sem desejar alguém, sem sofrer por alguém. Esses 'alguéns' até mudam, uns mais rápido, outros mais devagar, porém todos em algum momento são esquecidos e enterrados, alguns são revividos e então reapagados novamente. O foco, na verdade, não importa muito, a questão é que eu não me lembro de um período na minha vida no qual eu estivesse plenamente satisfeita com o que me cerca, bem resolvida gorda ou magra, feliz sem nenhum foco de sofrimento por alguém.

E falando em ser feliz como sou, ainda ontem, com a cara enfiada em um balde, estive pensando no que eu pensaria de mim mesma caso a Cristine de 6 meses atras encontrasse, assim bem casualmente, a Cristine de hoje. Cara em baldes à parte, eu jamais me imaginei ouvindo sertanejo, cantando junto e curtindo as letras de corno. Isso sem falar no cabelo (momentaneamente) liso e na blusa de oncinha. Desconsiderando o fato de que eu estava parecendo uma onça prenha, muita coisa mudou em mim. E quando digo que mudou não me refiro apenas ao acréscimo bizarro ao gosto musical, mas sim à identificação com a letra de muitas dessas músicas, às festas e a quase inacreditável independência. E apesar de todas essas mudanças, tem coisas que provavelmente não mudarão jamais, e aí sim eu me refiro à eterna falta de resolução que sempre me acompanha.

Sofrer é ruim, todavia pior ainda é saber que todos esses anos eu não sofri por alguém, eu sempre sofri por mim mesma, porque eu sempre precisei sofrer. Se alguém for perguntar se eu sofro por alguém agora, é mais que óbvio que a resposta será "sim". Tenho chorado, esperado por um calento que não vem, praguejado minha falta de amor próprio. E é exatamente essa a questão, a mim falta amor próprio, para estar bem com o peso que que tenho, ou para sentir-me feliz e conseguir aproveitar o que cada situação tem de melhor, seja namorando ou solteira. Será que pedir apenas para ser bem resolvida é querer demais? Pelo menos inveja ainda não mata...


Abandono  

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Meu blog andava meio abandonado. Um mero reflexo de como andam quase todos os aspectos da minha vida. Abandonei alguns sonhos. Deixei de lado vários desejos. Escanteei até algumas pessoas. Menosprezei a mim mesma. E o que talvez doa mais, escondi de mim e em mim o que eu estava e ainda estou sentindo. E parando pra analisar mais a fundo, o que dói é exatamente isso, o quão abandonada por mim mesma eu estou.

Continuo tomando banho todo dia, passando creme no cabelo, e até passo lápis no olho, mesmo que vá ficar em casa. Ainda escolho a roupa que me deixe menos gorda e não abro mão da combinação de cores, mesmo que digam que combinar cinto com sapato é coisa fora de moda. O que significa que, quem passa por mim na rua pode até pensar "bah, que guria feia...", mas acoplado a esse pensamento virá "coitada, só nascendo de novo, porque nem a produção ajuda". O abandono não é visível, não é palpável, não é mensaurável. Todavia é real e doloroso.

E aí eu pergunto a mim mesma, por que eu me permito isso? Sim, porque ninguém além de mim controla as pessoas com as quais eu me relaciono, os beijos que dou, as carícias que recebo e o amor que permito-me sentir. Assim sendo, se sofro por alguém, a culpa é inteiramente minha. A responsabilidade é minha, pois eu que me permiti sofrer.

E assim, abandonada segue a minha vida, minha índole, meu carater, meu amor próprio e meu blog. Até quando? Quem sabe até alguém vir salvar-me de mim mesma. Talvez esteja aí meu erro primordial, esperar por alguém, quando na verdade eu, e somente eu, deveria bastar.

A Saga da Gineco  

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Neste exato momento eu deveria estar estudando. Ginecologia e Obstetrícia. Uma especialidade médica, mas que eu, apenas uma graduanda, devo ter TODA na mente para a realização de um prova. Até aí tudo bem, um médico tem que saber um pouco de tudo, de fato. O que não está tudo bem é o motivo pelo qual terei que realizar essa prova, associado à situação na qual encontro-me para a tal avaliação.

Primeiro deixem-me explicar o funcionamente da cadeira de ginecocologia da UFPel. Média teórica, peso final 4, dividido em 3 avaliações escritas, de pesos 1.2, 1.4 e 1.4 cada. Média prática, peso final 6, nota dada por avaliação individual de cada aluno pelo grupo de professores. Três aulas teóricas semanais, mais duas manhãs de ambulatório prático. Maravilha.

Não é novidade pra ninguém que eu ODEIO gineco. Foi enfadonho estudar. E como. E não é que consegui médias 8.8, 7.2 e 8 nas provas teóricas? Faceiríssima, achei que tinha superado minhas próprias capacidades. Qual não é minha surpresa quando uma colega avisa que minha média final em gineco havia ficado em 5. Puts exame. Mais surpresa ainda fiquei quando vi que minha nota prática havia ficado em 3, tornando-se 1,8 na média final . De 6, os professores me deram 1,8.

Foi uma mescla de sentimentos, desde raiva, até desespero, passando pela impotência, sem esquecer da sensação de que eu devia mesmo ser um cú de aluna atendendo às pacientes da gineco. Fui falar com a professora 'chefa', tentar entender o porquê de tamanha desaprovação por parte dos professores. Grosseirias à parte, ela não explicou nada, porém nas entrelinhas disse que eu não tinha interesse pela disciplina, levei o ambulatório na brincadeira e costumava matar muito tempo para não atender mais pacientes. Por fora soube que ela disse para uma das residentes que eu não sabia atender pacientes, e que tinha é que rodar mesmo.

Nesse momento todos os outros sentimentos fundiram-se e viraram apenas raiva. Afinal, se querer ler o prontuário da paciente antes de chamá-la é matar tempo, sou matona e serei até o fim do meu exercício da medicina. E o que é muito pior, houve uma situação em que uma paciente gestante paupérrima de uma cidade próxima havia ido consultar no ambulatório de ginecologia da UFPel, e a ficha da coitada caiu nas minhas mãos. Devia mostrar um exame, porém o marido havia ido buscar enquanto ela dirigiu-se ao ambulatório para não perder a ficha. Devido a falta de condições financeiras ele foi até a FAU e voltou para a Leiga a pé. Pra quem não conhece, a passo rápido 20 minutos de ida e 20 de volta. A professora queria que eu dispensasse a paciente, para que ela retornasse outro dia com o exame em mãos. Preferi esperar um pouco, para que o marido chegasse e eles não perdessem a viagem e o dinheiro gasto, já tão escasso. Se essa espera foi por vagabundagem, foi com o intuito mais altruísta possível, e por nota nenhuma faria de modo diferente, nem agora, nem daqui 50 anos.

E em meio a essa raiva, rancor e esporro logo pela manhã, meus estágios curriculares tiveram início. O que significa que agora sou doutoranda, não tenho mais aulas teóricas, trabalho de graça para a faculdade e tenho uma intensa rotina a cumprir. No meu caso específico, deveria estar no bloco cirúrgico abrindo campo cirúrgico para algum cirurgião prepotente, ao invés de estar em casa estudando gineco e começando com péssima impressão o tão temido estágio.

A raiva me consome, a sensação de injustiça me destrói e o rancor toma conta de mim. Impotente, nada posso fazer contra o sistema. Resta apenas apegar-me à índole, não apenas como médica mas como pessoa, mantendo a conciência limpa de que o que fiz e como fiz, foi meu melhor. E de fato, pra ser um mínimo parecida com aquele tipo de profissional que encontrei na cadeira de gineco, prefiro largar a medicina e ir fazer outra coisa. E no mais, essa semana de cão vai ter fim, trazendo de saldo positivo o conhecimento ginecológico, o qual em algum momento certamente será útil.

Todavia a raiva... ahm vai ficar aqui por um tempo. A lição para sempre.

Da lagarta à Borboleta  

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Desde o primeiro momento em que comecei a pensar a respeito de como seria o meu ano de 2009 eu sabia que seria o ano marcado pelas mudanças. Das mais gritantes às mais singelas, certamente seriam as mudanças o carro chefe do meu ano. Não foi preciso nenhum poder à Mãe Dinah pra chegar a essa conclusão, qualquer pateta que não apenas visse, mas enxergasse as minhas possibilidades seria capaz de concluir a mesma coisa.

Eis então que, antes do esperado (bem antes do esperado, diga-se de passagem), as coisas começam MESMO a mudar. Em 2009. A começar pelo coração, metaforicamente falando, é claro. Amei, desamei, amei novamente, odiei, amei mais uma vez e, finalmente, a calmaria da consolação passada a desolação. Calmaria necessária para a tempestade, a qual mal sabia eu que estava por vir. Logo eu, tão descrente e desacreditada, a surpresa veio do único lado para o qual eu não estava olhando, o passado. E é exatamente assim que os acontecidos podem ser definidos, uma grande, inesperada e, até então, satisfatória surpresa.

E em meio a tantos amores e desamores, veio a mudança de casa, mudança de lar. Sonho adolescente morar sozinha, e, no entanto, quando ele bate à porta para realizar-se, o medo infantil vem junto, quase fazendo com que a cama se torne um esconderijo. Todavia infelizmente a vida não espera para que recuperemo-nos dos choques, e parar com o mundo girando não é mais uma opção. Sequei as lágrimas e de cabeça erguida juntei meus poucos pertences e esperei. Esperei pela oportunidade. Esperei para que tudo desse certo. Esperei tempo a seu tempo. E aí, assim como uma tempestade de verão, as coisas encontraram seus devidos lugares, e agora pairam, cada qual em sua gaveta ou prateleira, esperando apenas o meu comando para serem utilizadas. Sim, minha casa, minhas coisas, meu comando. Agora eu moro sozinha, eu limpo, eu cozinho e eu decido. Ainda choro, é verdade, mas choro no meu lugar ao sol.

E assim, deitada na minha nova cama, espero o passar dos poucos dias que faltam para o início dos estágios curriculares da faculdade. Trabalho escravo e inumano me espera. Sei bem que muitas crises de choro ainda virão, mas também sei que serão um obstáculo a ser transponido no caminho que me leva ao recanto profissional com que sonhei, e por que não, ainda sonho. E por falar em vida profissional, cada vem mais compreendo o que fez com que eu escolhesse os passos que escolhi, e a cada dia agradeço mais pelas escolhas que fiz, e até por aquelas que não fiz.

E aqui estou, novamente filosofando sobre coisas da vida, até porque existem algumas coisas que não mudam jamais. A quem interessar possa, estou bem, feliz, realizada e lutando com unhas e dentes (literal e figurativamente) pelas coisas que desejo, afinal mais ninguém além de eu mesma tem controle sobre a minha vida. E a partir de agora, do que é meu eu faço o que quiser. Felicidade é momento, e meus momentos escolho eu. Mudei, cresci e evoluí. E agora estou de volta, arrumado o casulo e mais borboleta do que nunca.

Filosofando sobre a Deprê.  

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Depressão está na moda. Vai dizer, todo mundo já entrou em alguma grande depressão alguma vez na vida. Não sei da onde tiraram essa visão besta de que estar triste é errado, de que chorar é pecado. Parece que todo mundo esquece que o que diferencia a tristeza fisiológica da patológica é o grau de congruência com o estímulo. Ta, nem eu entendi bem a frase acima, mas o que eu quis dizer foi que em determinadas situações (que todo mundo conhece bem onde aperta seu calo) é absolutamente normal ficar triste. Deprimido é aquele cuja tristeja é desproporcional ao estímulo, se é que há um estímulo. Capici?

Eu tenho estado triste ultimamente. Chorado pelos cantos e até pelos meios. Matado aula pra curtir a autodepreciação na solidão da minha casa. Sorrido de um modo que não convence nem a mim mesma, buscado apoio em qualquer vivente que tenha o azar de atravessar o meu caminho. Ando por aí cabisbaixa, pensando nas coisas da vida, enchendo os olhos de lágrimas e engolindo o choro antes que alguém veja. Tenho sentido-me mais sozinha do que jamais lembro de ter sentido. Tenho sofrido querendo um abraço, dormido sonhando com um toque afetuoso. Tenho desejado, implorado, até, por conseguir preencher um vazio que eu não sei como se preenche. Não tenho sido uma boa companhia para mim mesma, e ninguém além de mim tem machucado mais meu pobre coração.

Se eu acho que estou deprimida? Não. Todavia estou indubitavelmente triste, sem conseguir elaborar meus lutos. Trocando um objeto de obsessão por outro quando, na verdade, eu deveria aprender a não precisar de um objeto. Não tenho conseguido ser feliz comigo, muito menos bastar a mim mesma. E aí fica essa angústia causada por esse vazio que não se preenche.

Não é mole, né? Pelo menos eu vejo onde as coisas se inserem e o que eu devo fazer para arrumá-las. Por que, então, sigo agindo como se nada disso eu soubesse e não passasse de um mero animal regido por instintos? Eu sou um animal que brinca de pensar, mas que não consegue mudar seu modo de agir.

Tapas da Vida  

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Fazendo um retrospecto mental dos meus últimos anos (e com isso lê-se 5), percebi que eu estava enganada em muitos aspectos. E digo 'muitos' com uma sensação um tanto quanto eufêmica, porque 'todos' (pelo menos os importantes) seria mais de acordo com a realidade.

Eu era muito bitolada. Ainda sou, é bem verdade. Entretanto creio estar paulatinamente conseguindo livrar-me dessas correntes de descrença que me prendem. Sendo mais específica, eu tinha um seleto grupo de amigos:



E esses amigos foram intensamente meus pelos aproximados 3 anos que durou meu ensino médio. Desentendimentos à parte, meus poucos e bons supriam totalmente minha necessidade de amizade e eu, adolescente, sentia que aquela confortável e estável situação jamais mudaria. Eis que veio a formatura, seguida do vestibular, e então o início da faculdade.

Iniciei a faculdade sentindo-me plena de amigos. E eu ainda namorava na época, estável, perdidamente apaixonada. O que significa que eu não me permiti encontrar novos amigos no novo ambiente que estava inserindo-me. O que me faz pensar em uma pesquisa recentemente publicada, a respeito do número máximo de amigos que uma pessoa pode ter, em que fica comprovado que o cérebro humano só consegre relacionar-se com um número X de pessoas. Faz sentido. Pois bem, apesar de toda a minha plenitude, comecei a relacionar-me, ainda que superficialmente, com algumas pessoas com quem encontrei mais afinidade:




Qual não é a minha surpresa quando a tal da amizade não dá la muito certo e a decepção tras a mim lembranças de decepções antigas regadas a intermináveis rios de lágrimas. Aceitado o tombo, retomei a posição ereta (sem malícia) e dei continuidade a meus passos, certa de que havia aprendido a lição: as pessoas não são confiáveis, logo, não confie em ninguém.

A vida seguiu seu rumo. Para mim e para todo mundo. O que significa que meu estável grupo de amigos dissolveu-se (fisicamente, não a amizade em si, entretanto um amigo longe não cumpre o papel de amigo com maestria, por mais amigo que seja). E aí eu deparei-me com a seguinte situação: amigos verdadeiros longes, ferida com falsas amizades (talvez chamar assim seja forte, mas na época foi o que senti) e desacreditada da possibilidade de novos amigos. Foi um período deveras complicado.

Eis, então, que devagarinho, como quem não quer nada, duas pessoinhas conquistaram o meu coração:

Se eu dissesse que por muito tempo não acreditei na fidelidade delas, estaria mentindo. Duvidei. E duvidei muito. Nesse ínterim devo ter até destratado muitas vezes. E ainda assim elas confiaram em mim, permitiram minha entrada em suas vidas, dedicaram a mim a mais sincera amizade. Decidi permitir-me confiar nelas, de carater extraordinário, de exceção. Continuei paranóide. Delirante, até, se bobear. Manti-me desacreditada. Plenamente descrente quanto a possibilidade de encontrar sinceridade em meu habitat.

E então, num piscar de olhos, deparei-me com a seguinte situação: morando sozinha, solteira, carente e com uma enorme sensação de solidão, poucos amigos, desconfiada, descrente. Que período bem difícil. Justamente nesse momento de dificuldade que a vida novamente estapeou-me o rosto e provou que eu estava errada. De novo. Nesses momentos difíceis e de choro fácil, duas pessoas, em especial, conquistaram seu lugar no meu coração e mostraram que é possível conhecer novas e boas pessoas, e que, embora o lugarzinho dos velhos esteja sempre reservado, novos e bons podem vir. E eles vêm mesmo. No caso, elas:




E depois de tanto tempo bloqueando-me e prendendo-me, algumas pessoas conseguiram libertar-me das minhas próprias correntes e provar que fidelidade é rara sim, mas ela existe. E que por mais sozinha que eu me sinta, eu tenho a quem ligar as 2h da madrugada simplesmente para chorar no ouvido de alguém, sem receber cobranças de volta, apenas o desejo de que a recíproca seja verdadeira. E sabe, depois de muito tempo, eu posso dizer que ela é. De verdade.

Nesse pequeno espaço de tempo também aprendi que amigos de verdade, no mais amplo sentido que a expressão pode ter, são raros, muito raros, exatamente por isso devemos lutar com unhas e dentes pelos que temos. O valor disso é imensurável. Entretanto, parceiros para festa existem aos montes, e já que não podemos ter crises matutinas de choro no ombro destes, então aproveitemos o que de bom eles tem a nos oferecer. A começar pelas aulas de como chupar:


Ou como fazer uma pose engraçadíssima, fazendo parecer que todo mundo quer morfar quando a idéia era só fazer "X":

Ou ainda ser plenamente retardado e sem culpa sobre a mureta do prédio da faculdade:

Ou toda a maestria de propor uma foto com pose de popozudas e não entrar na brincadeira (e obviamente não avisar esse pequeno detalhe):

Ou simplesmente cantar sem motivo, ser feliz sem motivo. Cantar na chuva, mesmo sem chuva:


Em fim, nesses últimos 5 anos tives muitas certezas na vida. E essas certezas mostraram-se falsas, todas elas. Confiei quando não deveria confiar, não acreditei quando podia acreditar, entreguei-me quando não deveria entregar, não me dediquei quando precisava dedicar-me. Errei e muito aprendi. Aprendi a me divertir, seja com quem for, até porque se alguém que perde a tua agenda vira a amiga mais querida do teu coração, por que um parceiro de festa não pode revelar-me uma pessoa de incrível valor a amizade?

Hoje não mais me iludo achando que tenho certezas. Quem garante que daqui 5 não anos não estarei relendo o que hoje escrevo e pensando como pude enganar-me tanto? Novamente? Até porque de todas as vezes que pensei ter encontrado todas as respostas, mudaram todas as perguntas.

Dias Ruins  

Posted by: Cris Andersen in ,

Dias ruins todo mundo tem. E todo mundo sabe disso. Mas quando o dia ruim é o da gente, parece que o mundo vai acabar. A gente chora, a gente sofre. Sente como se fosse a laranja podre do pacote. Pensa que nunca será digno das coisas boas que todo mundo deseja e parece que só a gente não tem. Sofre como se o poço fosse o mais fundo e o túnel, escuro e sem saída. O cabelo fica mal arrumado, o rosto inchado e dos olhos correm rios de lágrimas ao mínimo e banal pensamento. Dias ruins acabam com a beleza de qualquer um. Todavia a notícia boa é que eles acabam. Assim como começam pra todo mundo, eles também terminam.

Hoje eu acordei em um dia ruim. E para falar bem a verdade, ontem também foi um dia ruim. Se um dia desses já é bem ruim, imagina dois, um logo depois do outro. E as vezes vem até três. E eu digo, bem do fundo da fossa de um segundo dia ruim, que eles acabam. Hoje mesmo, já está quase acabando, por mais que eu tenha chorado, sofrido, soluçado, desesperado-me, desacreditado-me, desvalorizado-me, o dia está quase no fim, dando espaço para um novo amanhã. E é sempre bom pensar que vai existir um amanhã, seja para dar continuidade ao maravilhoso hoje (o que definitivamente não é o caso) ou para provar que dias ruins SEMPRE acabam.

Ontem eu sofri bastante, chorei muito pouco. Já hoje eu chorei muito mais do que sofri. Cheguei a pensar que eu jamais vou encontrar alguém que goste de mim pelo que eu sou, que queira estar comigo pela companhia e que saiba ser fiel, e mais que fiel, leal, no sentido mais amplo da palavra. Pensei que a solidão não acabaria nunca, que a carência seria eterna. Senti-me vazia, e mais que vazia, sem valor. E por isso eu chorei. Copiosa e soluçantemente. E aí estalou. E eu vi que estou cercada de bons amigos que me querem bem, preocupam-se com "como estou" e fazem o que podem para tornar a minha existência menos penosa. Velhos e distantes bons amigos, e, em uma tapa na cara levado pela vida, novos e próximos bons amigos. E também vi que eu não preciso que ninguém me valorize para eu ter valor, e mais ainda, vi que precisar de alguém é patológico, e que só poderei ser feliz com alguém quando eu for feliz comigo mesma e esse alguém for só um "plus a mais". E aí vi que a menstruação havia descido.

Eu, do topo da sapiência do fundo do poço, sozinha em uma casa bagunçada, sem comida, vestida como um mendigo, com o cabelo bagunçado, sem maquiagem e com o rosto inchado, digo que dias ruins existem sim, mas também digo que eles acabam. Acabam dando lugar a dias melhores. Mais problemáticos, talvez, mas melhores. Até porque um dia ruim independe dos acontecimentos, porém é condicionado ao modo como olhamos para eles. Se hoje o copo está meio vazio, quem sabe amanhã ele não amanhece meio cheio? E quanto à menstruação, ela não desceu de verdade, mas seria engraçado se assim fosse.... além de que faria total sentido. E é tão bom quando as coisas pelo menos parecem fazer sentido.

Vida Nova  

Posted by: Cris Andersen in

Hoje meu cabelo amanheceu mais claro, mais cacheado, mais brilhoso. Meus olhos acordaram maiores, mais verdes e mais brilhantes. Minha cabeça mais despreocupada, meu coração mais leve, meu ânimo redobrado. Hoje eu acordei diferente. Hoje, finalmente, despertei verdadeiramente para uma nova vida. A madrugada nada mais foi além de um passo à frente, uma virada de página, um despertar para um novo mundo.

E que magnífico e necessário novo mundo. Um lugar onde não existem mágoas nem arrependimentos, onde nada se conserta, tudo se constrói. Um pequenino espaço em que as coisas ainda não tem seu lugar predefinido, é onde se pode experimentar, trocar, mudar, retocar, e principalmente, criar. É onde tudo é novo, nada se conhece e tudo se experimenta. Um novo mundo cheio de expectativas e esperanças.

É hoje que eu, Cristine Scattolin Andersen, apresento-me, de peito aberto e com a cara ao tapa, de frente para a vida que recém se inicia. Abro-me a novos horizontes e, a cada instante, desejo dos pontos mais fundos do meu coração que tudo dê certo, respeitando sempre os tênues limites que o “dar certo” possui. Eu quero é ser feliz, o resto é conseqüência. E a partir dessa madrugada a felicidade bateu à minha porta, e eu deixei entrar, de braços e tudo o mais que se tem direito abertos.

Vida nova com festa de inauguração. E que festa bem boa.

É fazendo merda que se aduba a Vida.  

Posted by: Cris Andersen in ,

Mudança é uma bosta. E isso não é novidade pra ninguém. Nem pra mim, pobre menina rica cujas costas doem após uma noite com a ervilha sob os 12 colchões. Ok, isso é outra história.

Independentemente das ervilhas, mudar é uma merda. Daquelas BEM grandes, que fedem, entopem privadas e tudo o mais que tem direito. E o que não tem também. E como merda pouca é bobagem, e merda nunca vem sozinha, é evidente que todas as merdas, ops, mudanças que poderiam acontecer na minha vida, vão acontecer. Juntas. E do modo que cause mais danos e traumas possíveis.

A começar pela maldita reforma ortográfica. Não é exatamente o que se chama de mudança na minha vida, afinal eu não trabalho com 'letras' nem pretendo participar do "Soletrando no Caldeirão do Hulk" num futuro próximo. Mas também seria muita hipocrisia da minha parte negar que eu gosto de português correto no meu blog. E desde de que eles resolveram unificar a porcaria do idioma, eu provavelmente nunca mais terei a chance de aprender a usar hífem. Que droga.

Ta, fora a gramática incorreta do meu blog, eu também estou mudando de casa. Ou melhor, minha mãe dediciu mudar, e como se não bastasse mudar de casa, também está mudando de cidade. E como daqui uns parcos meses eu viro "escravoranda" (mão de obra gratuita para a faculdade de medicina), eu não poderia ir e voltar de São Lourenço todos os dias. Não da. Mesmo. Tô de plantão.

Morar sozinha? Yupii! Sonho de qualquer adolescente/adulto jovem (ta, o Pablo talvez não). E realmente seria uma maravilha se eu não tivesse sido desalojada do meu quarto, obrigada a passar uma semana onde a tecnologia mais recente disponível é uma televisão que pega APENAS a Globo. E como se ser obrigada a assistir o Big Brother não fosse o suficiente, minhas aulas resolveram retornar no pior momento possível, obrigando-me a acampar na sala da mãe do meu padrasto por tempo indeterminado. Vocês sabiam que não existem apartamentos vagos em pelotas em março? Pois é... eu descobri agora. Sabe-se lá quando eu conseguirei efetivar minha mudança, só sei que dormir as 21 e acordar as 6 todos os dias não é divertido. Não mesmo.

Ta, depois de acostumada com os novos horários de sono, o próximo problema é a faculdade. Deixando de lado que o expurgo começou um mês antes do que a faculdade estaria preparada (tudo em nome de uma data de formatura), finalmente cheguei ao nono semestre. Pra quem não sabe, é o semestre da festa do Décimo (não, eu não to MESMO a fim de explicar). Trocando por miúdos, é tempo de putaria na faculdade de Medicina. Festa, bebida, comida e todo o tipo de coisa que se faz com gente que se convive por 5 anos e talvez nunca mais vá ver (formatua não conta). Caralho, só eu sei como odeio esse tipo de coisa, mas como eu descobri que gente da faculdade lê meu blog, não vou ir muito a fundo nas críticas. Vai que o povo se ofenda. A questão é que depois do X vem os estágios. E estágio significa fim da vida social, sem férias, estudo pra prova de residência e , é claro, trabalho escravo pra faculdade de medicina. Não acredito que alguém possa ficar feliz com isso. Ainda mais quando tem uma ervilha sob os colchões.

Ta, quem eu quero enganar? Merda por merda, o que é um peido pra quem ta todo cagado? Nada, então não faz a mínina diferença se a minha frase do X vai ser "tua namorada não reclama de nada?" ou "É Cristine, não Cristiane", nem se eu durmo na sala ou no porão da casa da minha 'step vó', muito menos se eu aprendi ou não a achar a porcaria do clitoris na aula de gineco, ou se eu gostei ou não de assistir BBB. A merda que mais fede no meio dessa cagalhada toda é muito mais efêmera, importante e não publicável em um blog. Não por enquanto, pelo menos.

Portanto, enquanto eu não puder dar nome às ervilhas, saibam que minha vida está uma grande bosta, entupindo as privadas da minha existência. Nada que não se sobreviva. Só espero que o banheiro esteja cheirosinho para a festa de inauguração da minha nova casa, a qual espero estar ocupando em breve.

E de descarga em descarga as bostam acham seu devido lugar no esgoto.

Pablo diz:  

Posted by: Cris Andersen in

bom cristine. gosto muito de ti. nao apoio todas tuas escolhas, pq o dever do amigo é repreender quando esta errado e aplaudir quando esta certo. mais ou menos como um pai. mas saiba q gosto muito de ti. mesmo. nao daria a minha vida por ti pq minha vida é a vida mais importante desse mundo. mas daria a vida de quase todas as pessoas do mundo pela tua.



se pudesse eu te pegaria pela mão e ensinaria coisas como se tu fosse minha filha. mas tu já é bem crescidinha pra aprender algumas coisas.



a mente é como um prédio. tu nao consegue refazer as fundacoes sem antes destruir o que ta em cima dela.

eu gosto muito de ti. mais do que achei q um dia eu gostaria. entao, mesmo q alguem entre na minha vida, iria demorar muito pra acumular mais carinho do que tenho por ti



ta, nao deixe todos esses elogios q te fiz subirem a cabeça. pessoas com ego alto sao insuportaveis :D





Pra lembrar a mim mesma que por mais vazia e sozinha que eu me sinta, há pessoas que se importam comigo. Cada uma do seu jeito meio torto e peculiar, é verdade, mas que estarão sempre ali nas horas de dificuldade.

RPG Day.  

Posted by: Cris Andersen in , , ,

Tô de férias, o que significa que eu tenho muito tempo pra gastar. Então ontem eu fui sacrificar virgens jogar RPG. Despedida de um dos integrantes do grupo que vai se prostituir fazer mestrado em alguma terra muito distante.

Obviamente a bagunça teria que ser na casa dele. O único problema é que o desgraçado mora na puta que o pariu passando a polícia rodoviária federal, bem em frente ao antro de drogados CAEX (é... quase a meio caminho de Porto Alegre). E ninguém do grupo é motorizado (bando de adolescentes nerds pobretões).

Depois de 30 minutos esperando o ônibus em baixo de um sol do inferno de 32°C (segundo a UFPel, 40°C de sensação térmica), entramos em um ônibus velho, lotado, fedorento e quente. Após mais 30 minutos sentados em um banco que não foi projetado para pessoas altas (é, minhas pernas não cabem naquele espaço MESMO), descobrimos que a lata velha o ônibus não ia até onde achávamos que ela ia. Descemos em meio a poeira e trilhamos o resto do caminho a pé, pelo acostamento da rodovia, em baixo daquele mesmo sol sem UMA sombra sequer, por cerca de 10 minutos.

Claro que não seria só isso. Ainda que acompanhada de dois energúmenos 'homens', eu ainda era uma mulher que parecia uma puta, trajando um short, caminhando pelo acostamento de uma rodovia. E em rodovias passam caminhões. E caminhoneiros são pessoas nojentas peculiares. E os meus acompanhantes são pessoas filhos de umas putas caóticas.

Péssima combinação.

Bi.
Bii.
Biii.
Biiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii.
E aí gostosaaaa.
Que tesããão.
Bi.
Biiiiiiiiiiiiii.

hahahahahaha.

¬¬'


Claro que só eu não achei engraçado.
Mas e daí, né? É pra isso que eu estou no grupo mesmo, fazer favores sexuais trazer alegria pra gurizada.
De início eles prostituíam minhas personagens. Espero que eles não resolvam prostituir a mim. MESMO.

Dias Ruins  

Posted by: Cris Andersen in , ,

Todo mundo tem dias ruins. TODO MUNDO.

Todo mundo acorda de TPM, mesmo fora do período de TPM. Bate com o dedinho no pé da cama. Fica 3 dias sem ir ao banheiro. Quebra a unha. Pisa no cocô de cachorro. Tropeça nos próprios pés. Perde o ônibus. Leva chingão do chefe. Perde uma nota de $10. Rasga a blusa preferida. Pifa o computador. Perde o celular. É assaltado. Ou simplesmente os astros não se alinharam naquela manhã.

Todo mundo chora. Ou pelo menos tem vontade de chorar. Todo mundo já se sentiu a última das criaturas. Esquecido pela mãe. Traído pela irmã. Abandonado pelos amigos. Chutado pelo namorado. Escurraçado pelo cachorro. Ignorado até pelo diabo. Odiado por São Pedro.

Mas a verdade é que lágrimas, embora não resolvam o problema da seca, também não inundam cidades. Olhos inchados não cegam ninguém e os 10 minutos que se perdeu com a cara enfiada no travesseiro não farão de ninguém o último da São Silvestre.

Saber como cair e então levantar faz parte do aprendizado de qualquer criança. Por que diabos gente grande reluta tanto em aprender? Até porque, por mais escura e fria que seja uma madrugada, o sol ta sempre lá todo dia de manhã. Escondido entre nuvens, não importa, ainda assim está lá, brilhando em todo seu explendor. Basta saber em que perspectiva encarar.

Meme do RPG.  

Posted by: Cris Andersen in , ,

O Moisés, meu querido amigo ET que agora vive lá na ETlândia, decidiu que eu seria uma boa pessoa para dar continuidade a um meme RPGístico. Eu quase nunca mantenho o fio dos memes, mas a coisa funciona exatamente como vários já disseram, esse vale a pena. Mesmo.



Vamos às regras:

Apresente a pessoa que te convidou.
Coloque as regras em seu blog.
Escreva 25 coisas que você aprendeu jogando RPG.
Escolha 3 pessoas e coloque os links no final do artigo.
Avise a pessoa que o convidou, deixando um comentário no blog original.
Avise seus convidados que eles foram escolhidos.



25 Coisas que Aprendi com o RPG: (não necessariamente nessa ordem)

1. Aprendi que não vale a pena tentar explicar o que diabos eu fiz na sexta a noite ou sábado a tarde, as pessoas simplesmente não entendem.

2. Aprendi que, depois de mencionar "RPG" em público, há uma grande probabilidade de eu ter que explicar que eu não sacrifico cabras nem mato meus pais.

3. Aprendi RPG não foi feito para ser entendido por pais. E mesmo entre os 'jovens', é necessário um grau mínimo de intelecto para a compreensão, o que, infelizmente, não são todos que o tem.

4. Aprendi que a vida imita o RPG, o que significa que eu tenho direito de escolher minha melhor parada de dados, basta conhecer minha ficha.

5. Aliás, com o RPG eu aprendi que ficha bombada não significa nada, conhecer e saber usar as possibilidades de uma ficha é a verdadeira chave para o sucesso.

6. Aprendi que ter escolhido RPG como hobbie é muito vantajoso quando o mundo resolve desabar sobre nossas cabeças no sábado a tarde.

7. Também aprendi que é muito difícil fazer uma mãe entender que sua filha vai passar a madrugada na casa de alguém rodeada de dados, meia dúzia de homens e muita comida. Muito mais do que se essa mesma filha fosse passar a madrugada na rua, rodeada de bebidas alcoólicas e sabe-se lá quantos tipos diferentes de homens tentando fazê-la de comida.

8. Aprendi que os melhores amigos de uma vida toda sempre virão de uma mesa de RPG. Se não os melhores, pelo menos os mais engraçados e peculiares.

9. Aprendi que jogadores de RPG são indubitavelmente estanhos. E essa sim é uma regra que não há exceções.

10. Aprendi que comida e fichas de RPG são coisas quase complementares. Afinal, uma ficha de RPG só é verdadeiramente uma ficha de RPG se ela estiver amassada, rabiscada e com alguma mancha de comida, refrigerante ou café.

11. Aprendi que o melhor modo de fazer os jogadores mudarem seus planos é simplesmente perguntar "tem certeza?"

12. Aprendi que as idéias "porra loca" são sempre as mais divetidas. Para os jogadores, nunca para o mestre.

13. Aprendi que o mestre torce contra os jogadores e os jogadores torcem contra o mestre. Sempre. O que significa que é quase impossível que todo mundo divirta-se simultaneamente. A menos, é claro, que tu gostes que teu personagem esteja "fudido e mal pago".

14. Aprendi que a sessão de RPG é um momento muito oportuno para fazer as unhas (piadinha interna hehe o.O).

15. Aprendi que Blind Guardian, Hammerfall e Stratovarius são ótimas trilhas sonoras pra D&D. Alanis encaixa bem com vampiro. E a trilha sonora de Jogos Mortais é quase inseparável de "terror com zumbis, intrigas do governo e manipulação genética".

16. Aprendi que RPG e escuro são duas coisas que não combinam, especialmente durante a madrugada.

17. Aprendi que a Taverna é sempre um bom lugar para se visitar, a morada do dragão é sempre um lugar péssimo para estar e que, inevitavelmente, a partir da taverna, sempre chegar-se-á, de algum modo, à caverna de um dragão.

18. Falando em Caverna do Dragão, também aprendi que a única obra verdadeiramente baseada em D&D é "Caverna do Dragão", o que é particularmente muito interessante, porque eu nunca joguei em uma campanha que tivesse um verdadeiro final. Deixando claro que a trágica morte dos personagens não é exatamente um final digno de filme.

19. Aprendi que, por mais que Dragonlance e Forgottem Realms sejam baseados em D&D, jamais será possível reproduzir uma cena do livro no ambiente de jogo. Simplesmente porque na realidade os dados NUNCA colaboram nas horas cruciais.

20. Já que cheguei na questão dos dados, aprendi que essa história de probabilidades é bullshit, pois todo mundo sabe que o D12 é o dado com a pior média de resultados. E, principalmente, a probabilidade de cair um "1" é quase infinitamente maior do que a de cair o número mais alto do dado em questão. Essa regra só é quebrada em situações do tipo "quanto mais baixo o número melhor".

21. Aprendi que o modo mais seguro de saber se uma pessoa já jogou RPG ou não é perguntar o funcionamento do D4. Batata.

22. Aprendi que mulheres, salvo raríssimas e quase inexistentes exceções, vão fazer personagens bonitas, gostosas e sedutoras.

23. Aprendi que a vida é efêmera e o heroísmo é o que há. Na pior das possibilidades faz-se uma parada na próxima cidade e buscamos auxílio divino com o clérigo do templo. Antes um herói temporariamente morto que um covarde fugido e caçado.

24. Aprendi que se pode passar horas conversando com uma pessoa, todavia nunca a conhecerá tão bem como após horas dividindo a mesma casa, a mesma comida, o mesmo banheiro e os mesmos dados.

25. E, principalmente, aprendi que amigos vêm e vão, mas se passou pelo grupo de RPG é eterno.


E, para dar continuidade às sabedorias RPGísticas, eu convoco Augusto, Diego e Vinícius a comparecerem à sala do trono, rolarem seus respectivos Bardic Knowledge e então exibirem sua melhor performance. O poder é de vocês.

A Dona de Olhos Verdes que Choram  

Posted by: Cris Andersen in ,

Lágrimas escorriam daqueles olhos verdes. "Teus olhos são lindos demais para estarem chorando", eram as palavras que ecoavam naquela mente embaralhada, enquanto ela tentava reprimir a água corrente. Úmido e sujo de maquiagem borrada estava o travesseiro em que a aquela pesada cabeça escorava-se. Ali, em posição fetal, no silêncio da madrugada, um coração sofria, dentre tantos mais sob a luz do luar.

Como tudo havia chegado àquele ponto? Era uma pergunta que ela não saberia responder, pelo menos, dentre os próximos anos. Não enquanto a experiência não lhe tirasse da insegurança infantil e a conduzisse à confiança de mulher madura e dona do mundo. O que aqueles olhos verdes ainda não sabiam é o tamanho do seu poder, e principalmente, até onde o poder de uma mulher pode conduzi-la.

Muitas eram as perguntas não respondidas que assolavam aquela mente perdida e coração sofrido. Talvez fosse exatamente esse o maior motivo de tanta dor, a nua e crua falta de respostas. É difícil lidar com a insegurança enquanto se anda de balanço, ainda que calçando saltos altos. Sim, a insegurança fazia brotar salgadas e amargas lágrimas daqueles belos e inchados olhos verdes, adornos de uma cabeça pesada que afogava-se em um travesseiro que, inutilmente, tentava substituir um colo que talvez jamais fosse assumir seu lugar.

Ela não era o tipo de mulher que sabia esperar. Mal continha-se a esperar em filas de banco, certamente não seria pelos acontecimentos que esperaria pacientemente. A dona dos olhos verdes, ainda que fosse jovem demais para aperceber-se, era do tipo "mulher completa". Era daquelas mulheres que tem o mundo girando ao seu redor sem precisar fazer fiasco para isso. Mulher que tem o domínio das situações, ainda que sem onipresença, tem certeza das coisas a seu redor e age como se, em todo seu esplendor, permitisse que as coisas sejam como são. Não era do tipo de mulher que aproveitas as oportunidades, mas que as origina, utilizando os limões da vida com vodca e açúcar, jamais permitindo que esses tornem-se problemas.

Ela lutava contra a injustiça, e principalmente contra a ignorância. Atentava cada mísero passo, evitando o erro e o sofrimento, mesmo que às custas de sua própria dor. Era cuidadosa para que ninguém se ferisse, não houvesse mágoas, rancor ou ressentimentos com suas passadas. Ainda não havia aprendido que não podia abraçar os problemas do mundo, e que pisar na grama seria absolutamente necessário caso quisesse andar sobre ela. Ela ainda amava demais. Em breve perceberia que ser o centro de sua própria vida não era um pensamento mau, apenas necessário, pois ninguém a amaria mais do que ela mesma. Pobre criança, estava aprendendo a conhecer a si mesma.

Todavia, em meio a todas as lágrimas, de uma coisa ela sabia, e disso tinha certeza. Era uma romântica incurável. Ela amava. Ela sentia. Portanto, ela sofria. Era irremediavelmente humana. E exatamente por isso confiava. Confiava na sinceridade, no sentimento, nas promessas. Confiava porque era de sua índole confiar, e porque não apostar e não se entregar seria ir contra ela mesma. Ela que não suportava não ouvir ou deixar de ser ouvida. Ainda que terminasse em lágrimas, que fosse eterno e intenso, especialmente intenso, enquanto durasse. Ela entregava-se porque nenhuma dor poderia ser maior do que a culpa de não ter tentado ao máximo que tudo desse certo, ainda que não soubesse exatamente o que "dar certo" significava.

E essa, nua e crua, é ela. A dona de belos olhos verdes que choram. Moradora de um corpo quente (pelo menos acima dos joelhos) que não sabe não se entregar. Portadora de um coração enorme que ama e que sofre, e que então faz com que os olhos chorem. Criança dona do mundo, mulher dona de si mesma. Insegura a ponto de, ainda que rodeada de gente, sentir-se sozinha e desamparada. Mulher madura que as vezes brinca de balanço. Criança insegura que as vezes anda de salto alto.

E por muito tempo mais ela chorou. Sozinha. Até que então adormeceu. Talvez tenha até sonhado. E então acordou para um novo dia.

Ei, você, quer participar de uma entrevista ao vivo?  

Posted by: Cris Andersen in , ,

Vamos supor que estamos em um desses programas de televisão de auditório que vão ao ar no domingo de tarde, então um repórter vai à rua fazer uma pesquisa popular. O tema é relacionamento, sendo que metade das pessoas responde à pergunta "o que é vida de solteiro?" e a outra metade "o que é vida de casado?". Claro que o tipo de resposta iria variar muito entre os entrevistados, principalmente quanto ao enfático paradigma "mulheres são de vênus e homens são de marte", o que todo mundo está careca de saber. De qualquer modo, alguém tem alguma idéia que tipos de respostas iriam surgir?

A vida de solteiro não tem mistério, afinal todo mundo já foi solteiro um dia, por mais que não se lembre disso. Liberdade é a palavra chave. Sair a hora que quer, com quem bem entender, fazer o que der vontade e não precisar tentar inventar boas desculpas para ninguém em nenhuma parte do trajeto. Entrar em diversos jogos de sedução, conhecer vários corpos em uma noite, acordar na cama de um desconhecido. Para ser solteiro tem-se que ser autosuficiente (não faço idéia se tem hífem ou não). Promiscuidade talvez seja a segunda palavra chave, ou pelo menos a possibilidade sem retaliações morais. O que ninguém fala da vida de solteiro é a solidão. Assistir sem companhia a um filme na tarde do domingo chuvoso (ao invés do programa de auditório), uma panela de brigadeiro para apenas uma pessoa, metade da cama desocupada na noite de temporal, aquela barata maldita correndo livre pela cozinha sem ninguém para esmagá-la.

Já a vida de casado é de pouco mais trabalhosa dissertação, embora não impossível, imaginação é tudo. Há quem diga que aqui a palavra-chave (ainda tem hifem essa porcaria?) é prisão. Satisfação de cada passo dado, com quem foi, onde foi, o que fez, que hora voltou, como voltou, quem voltou contigo, quem encontrou por lá. E ainda tem o grude, a tradição e a obrigação, a famosa convivência forçada. Entretanto, novamente o que quase ninguém menciona, é a companhia para o escurinho do cinema, o abraço na noite fria e chuvosa, o ombro inesgotável para as horas de necessidade, a cumplicidade sexual e, é claro, a tampa do pote aberta, a lâmpada trocada e a barata morta na cozinha.

Tudo nessa vida tem seus pontos positivos e negativos, clichê, certamente, mas também é a mais pura verdade. O que significa que cada um vai ter que pesar os prós e os contras de cada situação para sua vida em particular e decidir o que melhor lhe convém. Eu tenho pesado muitas coisas, e a sensação que tenho é que a minha balança anda meio descalibrada, obviamente é isso que da a mim os quilinhos a mais que tanto desprezo, mas isso não vem ao caso. A raíz da questão toda é que tem momentos em que eu sinto que sou de outro planeta.

Explicando melhor, detesto festas, odeio cigarro, não tiro realização pessoal de rituais de acasalamento e a promiscuidade não me atrai. O que significa que eu só ganho a parte ruim da vida de solteiro. Não que eu seja muito fã de dar satisfação de toda a minha vida, porém eu realmente gosto de assitir filmes acompanhada e ter com quem fazer comentários imbecis, bem como ter em quem esquentar os pés durante a noite e, é óbvio, as baratas da minha casa precisam de alguém que as domine. No fim das contas dar satisfação nem é um fardo tão pesado assim, e a convivência forçada não existe, simplesmente porque a partir do momento em que as presenças são impostas um ao outro, não há mais motivo algum para que a relação seja mantida.

E essa relação a que me refiro não é um atestado de óbito para a liberdade, é apenas um contrato de fidelidade por desejo mútuo. Isso significa que cada indivíduo continua a ser um indivíduo, com suas respectivas qualidades, defeitos, desejos, sonhos, amigos, medos, atividades. Com a diferença que em algum ponto todas essas coisas se cruzam com as coisas de outra pessoa, só que por vontade de ambos e não obrigação de ninguém. A partir do momento que qualquer atividade conjunta torna-se obrigação, seja ela qual for, a relação perdeu suas bases. E uma relação sem bases é nada.

E aí tudo que parecia simples até então, se confunde em um mar de variáveis, apimentado com uma salva de possibilidades, pois vida de solteiro ou casado é muito mais complexo e engloba muitas alternativas mais que uma simples pesquisa popular pode mostrar, principalmente se essa pesquisa for vinculada e um programa de auditório de domingo. Até porque, cá entre nós nós, existe alguma coisa mais sem pontos positivos que a programação da TV aberta no domingo?

Old, Present and Future Cristine.  

Posted by: Cris Andersen in , , ,

Vamos supor que, por um infortúnio do destino, um doutor em língua portuguesa venha a encontrar meu blog e, por algum motivo absurso e abstrato, perca algum tempo tempo do seu dia lendo-o. Supondo isso, já aviso que eu desaprendi a escrever. Desde o dia 01/01/2009 eu faço parte de um imenso grupo de novos analfabetos, graças aos antigos analfabetos políticos, os quais decidiram unificar um idioma que não deveria ser unificado. Convenhamos, antigamente eu já não sabia muito bem o uso do hífen, agora o sei menos ainda. Sem mencionar o acento diferencial do "tem" singular e plural, e sabe-sa lá o que mais mudou e eu não estou sabendo. A parte engraçada disso tudo é que eu vou ser aquela avó que escreve "pharmácia" e põe acento em algumas palavras que não o tem. Ser do século passado pode ter lá suas vantagens.

No fim das contas essas mudanças no meu idioma repercutem em outros campos da minha vida. Um deles, que é o que convém no momento, é meu gosto e desejo por escrever. Não que meus textos sejam brilhantes, aliás, bem longe disso. Entretanto eu tenho certo apreço pela bela escrita, de modo que não meço esforços para que, dentro das minhas possibilidades de mera brasileira não estudiosa da língua, minhas criações sejam, no mínimo, sem errros grosseiros. E agora, como diabos vou escrever alguma coisa sem erros grosseiros se eu nem sequer sei mais o que é um erro de português, seja ele grosseiro ou não?

O exemplo do idioma é deveras pertinente, todavia é fato que essa situação de "antes era assim, mas e agora?" tem tornado-se um tanto quanto repetitiva na minha vida atual. Não deixa de ser um questionamento meio adolescente, de quem não está sabendo lidar com a transição entre reações infantis e adultas, o que, para quem tem 14 anos e está cheio de pêlos pelo corpo sendo que há menos de um ano não passava de uma criança brincando na caixa de areia, não é algo tão difícil de entender. Entretanto eu já passei dessa fase, já menstruo há quase 10 anos, não tenho mais vergonha de ter seios e os pêlos já não são tanto problema assim. E no entanto continuo tendo questionamentos adolescentes. Não que isso seja algo muito fora do comum, pois, psicologicamente, a adolescência vai até os 25 anos, o que me faz pensar que, por 2 anos, meus pacientes serão atendidos por uma médica adolescente. Dá pra acreditar? As vezes eu acho que não dá.

Quase incontáveis são as situações em que eu percebo como penso diferente agora do que pensava há 6 anos. Para citar exemplos, lembro de situações como as de hoje, domingos relativamente ensolarados e intensamente entediantes. Hoje, por decisão própria, preferi ficar em casa, vestida igual um mendigo, comendo apenas quando sentir fome, assistindo seriados de comédia americana no computador, praticamente hibernando no escuro do meu quarto. A Old Cristine enloqueceria, choraria com a cara enfiada no travesseiro, ligaria para todos os amigos disponíveis, sairia a caminhar sem rumo tentanto encontrar alguém com quem conversar, não importando quem fosse. Patético né? E a Future Cristine, como será?

Outras situações, também incontáveis, são as que desejo do recanto mais profundo da minha alma pensar diferente, agir diferente, ser diferente, porém é com grande pesar que realizo que ainda sou a mesma criança chorona que sempre fui. Novamente citando exemplos, sinto-me assim em situações de relacionamentos interpessoais, de amizade também, mas principalmente homem-mulher. Quando mais nova eu apaixonava-me e desapaixonava-me com muita facilidade, sonhava com o príncipe encantado vindo salvar-me montado em um cavalo branco, desejava casamento, até mesmo filhos, e um "felizes para sempre", até o sonho ficar sem cor e aparecer um novo príncipe na história. Convivia com as famosas borboletas no estômago, sentia-me taquicárdica e confabulava em demasia a respeito da correspondência ou não do sentimento. A Present Cristine, apesar de algumas sutis diferenças, ainda é sonhadora, demasiadamente sonhadora. E isso dói, dói como mil facas penetrando meu peito. Claro que dentre as sutis diferenças entre a Old e Present Cristine, uma delas é que eu não me apaixono mais com tanta facilidade, assim como desapaixonar também é muito mais duro que outrora.

E as mundaças não param. Nunca. Há quem diga que tudo pode mudar, porém as coisas importantes não mudam jamais. Eu discordo, pois foram as coisas mais importantes da minha vida que mudaram nos últimos tempos, ou pelo menos foram essas que eu notei a diferença. Quanto a escrita, quem sabe um dia eu venha a reestudar regras gramaticais e volte a fazer parte da casta linguisticamente privilegiada da população, até lá eu seguirei sendo a vó que escreve tudo errado, e sendo feliz assim (ou tentando). Claro que a todo dia agradeço a qualquer que seja a força superior que deu ao ser humano a tão importante e estimada capacidade de negar. Pois sim, eu nego, e não nego que nego. De resto, eu nunca gostei da trema mesmo.

Revivendo o Passado  

Posted by: Cris Andersen in ,

Dois mil e oito foi um ano de mudanças. Sim, foram 365 dias de constante aprendizado, ainda que às custas de um incessante provamento de persistência, amor e fidelidade. Persistência para com meus sonhos, amor às minhas escolhas e fidelidade a meus sentimentos.

Dois mil e oito foi um ano em que emagreci, depois engordei (e como). E por fim já estava em precesso forçado de emagrecimento novamente. Foi um ano em que decidi retornar às madeixas louras, primeiro discreto, gradativamente enlourecendo até o fim louro muito louro, embora não branco. Foi o ano em que a maquiagem começou pesada nos olhos, pesou ainda mais um pouco até um fim deveras discreto, realçando o olhar que naturalmente não precisa ser realçado, provando que não é o peso da maquiagem que confere o peso do meu olhar.

Foi um ano que começou embotado em lágrimas, as quais cederam lugar para grandiosas gargalhadas, finalizadas por sorrisos molhados e mergulhados no sofrimento. Foi um ano de alguns "ois", é verdade, porém muito mais numeros e doloridos foram os "tchaus". Foi um ano de balanço negativo, dolorosas perdas que consigo trouxeram a esperança de que o para sempre não seja tão sempre assim.

Mas 2008 também foi um ano de aprendizagem, dolorosas lições. Foi um ano que ensinou-me que a recompensa nem sempre vem com o esforço e que a vida nunca é um jogo de regras justas. Aprendi que os inteligentes nem sempre são espertos e que é a esperteza que move o mundo. Aprendi a lidar com injustiça, com problemas insolucionáveis e com a mentalidade das pessoas. Aprendi que a medicina pode ser muito cruel, e o que vai me diferenciar dos demais não é exatamente o conhecimento, mas a sensibilidade. Aprendi que a gentileza tras recompensas e salvar vidas jamais foi o objetivo. Aprendi muito mais da teoria do que jamais pensei que fosse capaz de aprender, mas o mais importante de tudo, aprendi que sempre haverá muito mais o que aprender.

Foi um ano em que aprendi que as coisas mudam, e que temos que lidar com essas mudanças. Todavia muito mais que as coisas, as pessoas mudam, e são essas mudanças que ditam os caminhos das relações. Aprendi que maturidade não é sinônimo de felicidade, mas que depois de um certo período na vida ela se torna necessária, muito embora com essa chegada a graça de muitas coisas simplesmente vá embora. Aprendi a mudar mesmo sem querer, aprendi que querer mudar leva a uma perda de identidade. Mudanças vêm e vão, só nos resta lidar com elas.

Dois mil e oito foi um ano difícil, o qual começou com mudanças e terminou com mudanças, deixando para tras importantes lições e a sensação de papel cumprido. Foi um ano que me ensinou a ser feliz, a acreditar na esperança, a lidar com a mudança. Foi um ano que me ensinou a acreditar no ser humano e a desconfiar do ser humano. Ensinou-me a crescer, mas principalmente ensinou-me a viver, a buscar, a acreditar, confiar e o mais importante de tudo, foi um ano que fez com que eu aprendesse a lidar.

Dois mil e oito foi o ano que deu lugar a 2009, e esse sim promete ser um verdadeiro ano de mudanças. Mundanças externas, visíveis e palpáveis. Não tenho muitas esperanças nem faço muitos planos, venha o que vier estou preparada. Preparada para viver, preparada para crescer. Seguindo sempre na expectativa de para onde o vento irá nos levar.

O Último Dia.  

Posted by: Cris Andersen in

Ela acordou com o sol batendo no rosto. Que horas seria aquilo? Nove? Meio dia? Três da tarde? Não sabia ao certo, e a verdade é que nem queria saber. Queria que o tempo apenas passasse e fosse embora, levando consigo todas as mágoas que lhe feriam o coração. Sentiu os olhos enchendo-se de lágrimas. Uma vez mais secou-os e desejou perceber que tudo havia sido um sonho quando finalmente fosse capaz de os abrir. Encorajou-se e encarou o sol alto no céu. Tudo estava em ordem, e no entanto tudo parecia fora de lugar. Sentou-se na cama, levantou devagar e logo dirigiu-se ao computador que jazia a seu lado, ligado, esperando por atenção.

Ligou o monitor, viu que alguns amigos lhe haviam dirigido a palavra no tal de msn durante a noite. Não deu muita bola e fechou as janelas. Atualizou seu blog, nada de novos comentários. Visitou o orkut, sem novos recados. Abriu, então, a janela principal do msn para ver quem encontrava-se on line no momento. Sem muita surpresa, encontrou os contatos já esperados. Parou, quase catatônica, a olhar para a janela, pensamento no vazio. Sentiu revigorada toda a dor dos últimos dias, todo o sofrimento escondido, todo o pesar camuflado. Sentiu tudo vir à tona em uma explosão de raiva e medo, com pitadas de pesar e arrependimento. Desejou imensamente voltar no tempo e poder viver tudo de novo, fazer tudo de novo e até errar tudo de novo. Desejou reviver e reaprender.

Escolheu um dos contatos on line, abriu a janela e escreveu um simples "oi". Recebeu outro "oi" como resposta. Olhou a mensagem pessoal do amigo que dizia "1 dia ^^" e chorou, copiosamente, como uma criança que não ganhou o que queria de Natal. Chorou de medo, chorou de raiva, chorou de pesar. Chorou, e quando não havia mais o que chorar, precisou de um motivo para diminuir a dor da perda. E então, como fêmea acuada, atacou. Atacou do modo mais vil e cruel que conseguiu, fazendo das palavras sua arma, da mágoa sua munição. Atacou como se ferir fosse lhe curar. Atacou com a ânsia da angústia a apertar o peito. Atacou com o desespero, atacou com o medo. E então ruiu. Ruiu como jamais imaginou que poderia ruir. Ruiu em mil pedaços, espalhados ao vento para sempre. E então novamente chorou como fera ferida.

E a fera, parecendo um filhote desprotegido, atirou-se ao leito e abraçou ao travesseiro como se fosse seu salvador, sua única e última esperança, seu ombro amigo para chorar. E então chorou. Chorou até as lágrimas secarem. Chorou até a cabeça doer. Chorou até adormecer. Adormeceu sem entender. Quanto tempo havia dormido? Não fazia idéia, o sol ainda reinava alto no céu. Endireitou-se na cama, secou o suor da testa e pensou. Pensou com as idéias ainda meio embaralhadas do sono, da dor e do sofrimento. Pensou e tentou organizar o que jamais poderia ser organizado. Pensou e novamente chorou.

Nas infindáveis horas que se passaram lembrou de todas as coisas que havia acontecido até então. Sua mente vagou pelas cócegas e quedas no chão molhado, pelos estranhos acontecidos no fatídico sarau, pelo doce de pêssego naquele aniversário esquecido. Lembrou do fim, da despedida e do reencontro. Lembrou das reuniões sob o sol, do divertimento sob a água. Pensou em tudo o que disse e não deveria ter dito, e em tudo o que deveria ser falado e no entando não falou. Lembrou dos sonhos, dos planos, dos desejos e até das mentiras. Lembrou do que não deveria ser lembrado, imaginou o que não deveria ser imaginado. E assim, perdida em pensamentos, banhada em lágrimas torcida na cama feito um feto no útero quente e protetor da mãe, passou o última dia.

Gastou o último dia em meio a dor, sozinha, chorando, pensando e sofrendo. Sentia-se como um animal acuado, como uma criança com medo do bicho papão. Desejou que o tempo logo passasse mas ao mesmo tempo que ao início retornasse. Sentia que, ao negar a existência de um último dia, este não existiria e tudo voltaria ao normal. Porém ele existiu, e existindo ele passou. E passando deixou marcas. As marcas da lembrança de um último dia dedicado à dor e ao rancor. Ao arrependimento de ter feito muitas coisas, não ter feito outras tantas, não ter dado um forte abraço. Não ter dado um beijo a mais. Sim, apenas um beijo a mais.

Já noite escura, perdida em um lago de lágrimas, o maior arrependimento que ficará é o de não ter dado, pelo menos, um beijo a mais. Quanto ao resto, tudo se desvia, tudo se contorna. Afinal, o mundo não é um lugar tão grande assim. E com essa esperança de que o para sempre não é tanto tempo e o nunca mais não existe, novamente adormeceu. Adormeceu para encontrar a si mesma no dia após o último dia.


Quem disse que não posso?  

Posted by: Cris Andersen in ,

Ainda ontem estava lendo um texto da escritora Martha Medeiros a respeito de prisões. Sim, prisões, essas mesmo, no sentido mais amplo e sutil da palavra. Amplo pois prisão não é apenas o Carandiru, e sutil pois todos nós vivemos enclausurados, apercebamo-nos disso ou não. Nossas escolhas nos aprisionam, certamente, entretanto muito mais que nossas escolhas, nossa própria mente nos torna escravos de pensamentos que nem ao menos são nossos. Nosso maior carrasco somos nós mesmos, mediante uma das funções psíquicas chamada superego. E é esse nosso superego, nosso maior inimigo, que impõe a nós punições muito mais duras que chibatadas em praça pública, nos trancafia em celas da nossa própria mente, das quais nenhum advogado será capaz de nos tirar. Não há quem tenha acesso à consciência alheia, aquela que pesa quando escoramos a cabeça no travesseiro.

Todos nós vivemos aprisionados em nossos próprios (pré)conceitos, estabelecidos desde nossos primórdios, aqueles que sabemos que temos mas não sabemos de onde os tiramos, muito menos por quê. Partindo para exemplos, desde que nasce a menina aprende que tem que manter as pernas fechadas. "Fecha as pernas, queridinha, estas de saia!"; "não deixa as pernas abertas assim, é feio pra uma menina"; e então a guria cresce achando que mulheres têm que crescer, amadurecer, aproveitar a vida, casar, ter filhos, envelhecer e morrer, sempre com as pernas fechadas. Por quê? Porque é feio uma mulher abrir as pernas. Mas por quê? Quem disse que não é bonito uma mulher manter as pernas abertas?

E assim são todas as coisas na vida. "Ai, não posso dar pra um desconhecido!". Mas não pode por quê, quem disse que não pode? "Puts, não posso trocar de emprego!"; "Não posso sair pra viajar sem rumo"; "Não posso sair sem maquiagem"; Não posso, não posso e não posso. Somos todos cheios de "não posso" quando na verdade ninguém nos proibiu de nada, além de nós mesmos, por motivos que sequer conhecemos. E essa é a nossa maior prisão, nosso maior cárcere, o que mais nos tolhe.

Portanto, querido leitor, de fato celebremos nossos cárceres privados com celas especiais, porém jamais esqueçamos que o carrasco é nossa mente, e apenas nós temos acesso a ela. Não podemos esquecer-nos disso. Não podemos? Pois que foi mesmo que disse que não podemos? E por quê?

Domingo Nublado na Internet da Nisso.  

Posted by: Cris Andersen in , , ,

Hoje, em mais um tedioso, nublado e úmido domingo da minha vida, deparei-me com uma dessas revistas eletrônicas, em que pessoas supostamente normais escrevem textos sobre assuntos específicos. No caso, li textos feministas sobre diversos espectros da sobrevivência feminina em um mundo dominado pelos homens. Obviamente muitos desses textos tangiam o âmbito sexual, o qual, sem dúvida, é o tema de maior interesse para a maioria das pessoas. Ao ler o que aquelas mulheres escreveram muitas filosofias de banheiro vieram à mente, principalmente devido ao carater liberal dos comentários. Até porque para uma mulher escrever sobre coisas sexuais em um blog de internet não pode ser lá muito conservadora.

Um dos temas mais abordados foi sexo casual. Do jeito que elas falam parece que toda mulher faz sexo casual a todo fim de semana. Eu, no entanto, sou mulher, e nunca fiz sexo casual. Pensando bem, até que não seria uma má idéia ir a uma festa qualquer, escolher a dedo o indivíduo mais atraente a meus olhos do sexo oposto, dar início àquelas jogadas de sedução bestas seguidas das famosas "conversas de cu pra piça", ir a um motelzinho barato com a desculpa de "bonito teu tênis, vamos transar?" e então dar início a toda a função. Após o duplo "AAAHhhhhhhhh" recolher minhas roupas e dirigir-me a minha casa, talvez sem nem dizer tchau por não saber o nome da pessoa ao lado. Feliz e faceira, voltaria para uma tranquila noite de sono ao lado do meu cachorro saudoso.

Embora a idéia seja tentadora, provavelmente eu jamais venha a concretizá-la, de fato. E diversos serão os motivos. Um deles é que eu me sentiria usada, e a sensação de "há, usei essa babaca para me dar prazer" duraria menos de cinco minutos e logo eu já estaria sentindo-me um lixo. Eu ainda tenho aquela visão romântica e pré-adolescente da vida. Não que sexo só possa ser feito depois do casamento, todavia ainda acho essencial, muito mais do que o tesão, a cumplicidade e o carinho. Eu não imagino como uma relação sexual possa ser proveitosa para a dupla sem a cumplicidade, pois é somente assim que um vai saber o que o outro gosta. E não me venha com essa história de "chave mestra" ou "segredinho universal" porque é balela. No que se refere a seres humanos, NADA é universal, por que com o sexo seria diferente?

Outra coisa que pelo jeito só eu que ainda não experimentei foi algum tipo de relação homossexual. Eu aceito que a maioria dos homens tenha desejos e fantasias com duas mulheres, fazendo todo o tipo de coisa que, se fosse realidade, nem sequer dariam conta. Entretanto eu não me considero anormal por não ter interesse em "por as aranhas para brigarem". Pensem comigo: peitos, já tenho os meus e divirto-me bastante com eles, não preciso de mais um par; bunda, nem sou tão fã de bundas assim, sem contar que de bunda feminina já basta a minha, prefiro uma masculina durinha para apertar; vagina, o que diabos eu vou fazer com mais uma?!?!? Tudo isso sem contar nos objetos absolutamente necessários que ficam faltando em uma relação homossexual feminina. Em fim, não, eu não tive nem quero ter experiências homossexuais, e não sou um ET por isso.

E por último, mas não menos importante, dentre as experiências citadas também figurava o sexo sem compromisso com colegas de trabalho. Imagina uma tarde exaustiva de o que quer quer seja o trabalho da dupla, fim de expediente, chove lá fora, o cavalheiro não vai deixar que a pobre moça pegue ônibus e oferece uma carona. Resolvem comer um cachorro-quente no meio do caminho, na chegada a moça convida o rapaz para entrar em seu lar, e em breve ele já está entrando em outros lugares mais inóspitos. No dia seguinte tudo segue como se nada tivesse acontecido, pelo menos até a próxima carona com cachorro-quente. Caso não haja um clima de estranheza pós coito no ar, seria uma situação deveras engraçada e quem sabe até proveitosa, principalmente se, além do sexo sem compromisso, ainda houver amizade entre o casal. Eu sempre quis ter um amigo a quem recorrer nas horas de desespero, o verdadeiro amigo para todas as horas!! Ta aí uma coisa a ser posta na lista do que ainda farei antes de morrer.

Muitos itens já estão e muitos outros ainda serão postos nessa famosa lista. Muitos deles talvez realizem-se em breve, muitos outros é provável que nunca saiam do papel. O importante mesmo é que, apesar de eu escrever posts na internet sobre sexo eu não sou uma mulher tão liberal assim, e mesmo que eu não tenha a vida e experiência sexual que a maioria das mulheres orgulha-se de ter, eu não me considero nenhuma anormal. E, apesar de todos os pesares, estou bem feliz e satisfeita assim, do jeitinho que estou, sem muito o que tirar ou pôr.

A Magnífica Mente Humana  

Posted by: Cris Andersen in , ,

A realidade pode ser muito dura de vez em quando. Para todo mundo. Quem aqui nunca, sequer por alguns instantes, fugiu da realidade? Todo mundo. Pois não pense que aquela tua punhetinha sem compromisso, auxiliada pela Silvia Saint, não é fugir da realidade, porque é sim. Talvez um modo mais saudável, mas ainda assim de fuga de vivência em um mundo irreal.

Todos nós, em alguns (pra não dizer vários, ao estilo de quase todos) momentos criamos fantasias e ilusões, conscientes ou não, para tornar a existência um pouco menos sofrível. Isso ocorre porque é fisiológico do ser humano guardar as informações em sua mente, não do modo como tudo aconteceu, mas do modo como o indivíduo interpretou do que aconteceu, de acordo com os sentimentos e emoções do momento. Claro que eu poderia citar rotas bioquímicas e linkar artigos científicos que comprovam o que eu estou dizendo, mas aí o texto ficaria muito mais chato do que já está. Então, confiem em mim.

O mesmo acontece quando evocamos uma memória, ela vem, nós revivemos o momento, despertamos sensações, sentimentos e emoções, e então guardamos a informação novamente. Criamos uma nova memória a partir de uma antiga, que por sua vez havia sido criada a partir de um acontecimento. E assim ocorre toda vez que evocamos informações guardadas. Tudo isso nos leva a crer que as informações mais puras que temos na mente são aquelas que pouco são utilizadas, pois a cada utilização nossas memórias são fisiologicamente modificadas, de acordo com as emoções (liberação de adrenalina e neurohormônios) do momento.

Como o cérebro seleciona que informações serão retidas e quais serão descartadas também funciona com base na liberação neurohormonal no momento da vivência. Também é fisiológico que o ser humano esqueça a maior parte das coisas que entra em contato, afinal, nós não sintetizamos proteínas com a mesma rapidez com que entramos em contato com novas informações. Entretanto, alguns eventos são selecionados para serem esquecidos. O exemplo mais conhecido diz respeito os acidentes, onde há uma grande liberação de adrenalina, o que inibe a síntese proteica, impedindo o armazenamento de uma memória, explicando porque as pessoas comumente não lembram do acontecido após eventos traumáticos. O mesmo ocorre com situações ruins (não necessariamente traumáticas) da nossa vida. Por despertar sentimentos e sensações desagradáveis, nosso magnífico encéfalo tem a capacidade de bloquear a síntese de proteínas para esse evento em especial, fazendo com que não guardemos memórias de eventos que nos despertem sensações ruins.

Claro que existem exceções, há pessoas que têm na mente descrições detalhadas de eventos traumáticos e/ou desagradáveis. Isso ocorre porque essas pessoas, em uma espécie de autoflagelação mental (aí entramos em funções e defesas do Ego, assunto para uma próxima discussão), revivem mental e incessantemente o acontecido, fazendo com que a memória seja armazenada por repetição. Não é o mais comum, em geral as pessoas esquecem. E esquecem mesmo. E é absolutamente normal, sendo nada mais que um necessário mecanismo de auto-preservação.

A maioria das pessoas mantém-se dentro dos limites de "sanidade mental" graças à auto-preservação, consciente ou não. Todavia, para alguns todos esses esforços não são suficientes. Não se sabe exatamente por quê, se por alteração anatomofisiopatológica (dado o traço genético da esquizofrenia), se por falha nos mecanismos de defesa, se por ego ("eu") fragilizado ou por algum outro motivo desconhecido, entretanto alguns indivíduos simplesmente não conseguem lidar com a 'realidade'. E é exatamente aqui que tem origem a psicose (não, não é a do filme). Quando alguém não consegue lidar com a realidade como ela é, cria existências alternativas onde sentem-se mais à vontade e mais livres. Vide todas as Marias, Jesuses, Super Man's e Homens Aranhas com quem já tive contato.

Manipular a realidade é possível, e todos nós fazemos isso a todo momento, não é privilégio de alguns divinamente abençoados. A grande diferença é que alguns conseguem perceber as manipulações na trama que fazem, conseguindo até mesmo tecer uma realidade alternativa conscientemente, o que nada mais é que enganar a si próprio e orgulhar-se disso.

Mente, memórias, funções do Ego e mecanismos de defesa do Ego, todos assuntos para próximas discussões, selecionados a dedo de lugares fontes inesgotáveis de assuntos para estudos e discussões. Mas se eu bem conheço meu eleitorado, tudo permanecerá apenas como planos. E caso alguém queira completar as informações, ou simplesmente não acredita no que eu disse, encontrará o que procura aqui e aqui. Boa leitura. Conhecimento nunca é demais.

E a título de curiosidade: a estrutura cerebral de processamento e armazanamento de informações é exatamente igual em ratos e seres humanos.

Ensinamentos da Mamãe  

Posted by: Cris Andersen in

Mães, em geral, são engraçadas. Mas a minha mãe, em especial, tem uma graça toda peculiar. Digo isso porque ela tem todas as coisas divertidas que uma boa mãe deve ter, sem as inconvenientes caracteristicas que vêm no kit de quase qualquer mãe.


Pois, por mais incrível que possa pareçer, minha mãe consegue ser ainda mais aversa a tecnologia do que eu, beirando a tecnofobia. E ainda assim eu recebo, advindos dela, cerca de 5 ou 6 e-mails desses de correntes diariamente. Logicamente eu não os confiro com a mesma velocidade que os recebo, o que leva a um sério acúmulo de mails que devem ser limpos em algum momento, antes de minha caixa de entrada não aceitar mais e-maisl novos (é, o Hotmail ainda tem dessas é uma droga, mas a preguiça impede de trocar todos meus contatos para um mail novo).

Claro que esse tipo de mail é daqueles que vêm em um arquivo de power point, cheio de figuras e imensamente pesados. Considerando a frequência com que ela entra em contato com esses arquivos, a criatura, no mínimo, deveria ser expert em power point.

Qual não é a minha surpresa quando ela se diz apavorada por ter que dar uma aula sobre mel (é mel, de abelha) com os slides que um amigo faria para ela. Taí da onde eu herdei o dom de incumbir os outros com tarefas que deveriam ser minhas. Não resisti e perguntei por que ela mesma não faria os próprios slides. Misto de surpresa e arrependimento tomou conta de mim quando ela respondeu simplesmente que não sabia como fazer isso. E só piorou quando ficou surpresa com a notícia de nós tínhamos o programa necessário em casa.



Essa é a minha mãe. E eu sou a filha da minha mãe. Mas a querida dona Mirela ainda tem várias outras peculiaridas que apenas a dona Mirela tem. E foi ela que deu a mim diversos ensinamentos que somente dela eu poderia ter aprendido.

Por exemplo, minha deu a mim o dom de valorizar o sorriso:
"vai escovar esses dentes agora antes que eles apodreçam e caiam durante a noite".



Minha mãe também ensinou-me a retidão:
"eu ainda te ajeito, nem que seja aos tapas".

Também foi ela que a mim deu a capacidade de valorizar o trabalho alheio:
"querem se matar, se matem, mas lá fora porque eu acabei de varrer a casa".

Obviamente lógica a hierarquia também figuraram nos ensinamentos:
"é sim porque eu estou dizendo que é, a mãe aqui sou eu".



A dona Mirela também sempre deu motivação:
"continua chorando que eu vou te dar motivo pra chorar"

Minha mãe frequentemente ensinava sobre contradição:
"fecha a boca e come logo".

Ela sempre teve paciência, e soube passar a lição muito bem:
"espera só chegarmos em casa".

Jamais permitiu que não enfrentássemos desafios:
"Olha pra mim! Responde quando eu te perguntar alguma coisa!"

Minha mãe ensinou-me a ter raciocínio lógico:
"Se tu cair dessa árvore e morrer vais apanhar tanto depois!!"

Deu-me importantes lições sobre a fisiologia animal:
"se tu não comer direito os bichos da tua barriga vão te comer."



Também sempre deu-me ensinamentos religiosos:
"reza pra que dê pra consertar isso aí".

Minha sonhava com que eu fosse contorcionista:
"olha essa orelha, que nojeira".

Jamais deixou faltar determinação:
"só te levantas daí com o prato vazio"

Mas a lição mais importante que eu poderia ter aprendido da minha mãe é ter carater. Carater como pouquíssimas pessoas têm no dia de hoje. O carater da minha mãe (claro que as habilidades tecnológicas a gente não menciona nesse momento especial).

Egocentrismo.  

Posted by: Cris Andersen in

Egocentrismo.
Do latin, ego, eu + cêntro, centro

Tendência pessoal exagerada em considerar tudo sob o próprio ponto de vista e em fazer de si próprio o centro do universo.



'Meu mundo é meu umbigo', já dizia minha querida mãe.

Todo mundo é egocêntrico. Uns mais, outros menos. Mas todos têm seu próprio umbigo no centro do universo. A preservação da espécie depende disso. E tem funcionado bem até então, certo dona Natureza?

Eu também sou assim. Sou um ser humano normal e ortodoxo, que como qualquer outro só deseja ser feliz e fazer coisas que lhe dão prazer.

Chega a ser engraçado o modo como eu tenho deixado meu 'eu' escanteado das minhas prioridades ultimamente. Tenho saído da dieta, exercitado-me pouco, lido quase nada, escrito vaga e aleatoriamente. Essa não sou eu, eu não sou assim. No entanto, tenho estado assim. Valerá a pena todo esse sacrifício? Talvez as férias respondam essa pergunta. Talvez a resposta não venha até o primeiro ano pós formatura. Talvez a questão vá comigo para as inconfortáveis gavetas do São Francisco de Paula.

O ponto principal é que eu sou muito mais que uma aspirante a médica bitolada. Eu sou um ser completo e repleto de curiosidades.

Eu tenho um seio maior que o outro, por isso prefiro sutiãs com bojo, diminui a discrepância abaixo da blusa.

Eu odeio vomitar, prefiro ficar horas nauseada de depois simplesmente dormir do que vomitar e ficar bem o resto do dia.

Em consequência, faz com que eu não faça uso de bebidas alcoólicas por um bobo e infantil medo de vomitar.

A única vez que eu fiquei bêbada foi pós vestibular, situação pós a qual fiquei uma semana comendo canja de galinha devido a um estômago excessivamente irritado. Mas eu não senti que tenha perdido o superego (filtro). Então eu acho que não sei o que é ficar bêbada.

Contrabalancendo, eu não preciso estar bêbada pra passar vergonha.



Eu não consigo virar a noite. Além de cair dormindo (quase que nem os Sims), eu fico de MUITO mau humor.

Eu tenho crises fortes de TPM. Mas eu não fico (muito) irritada, eu choro. MUITO.

Eu calço 39, o que faz do meu pé uma coisa gigante e desengonçada. Por mais que eu deteste sentir calor, raramente eu uso sandálias. Sem contar que eu já não gosto de pés, em geral.

Odeio a minha barriga e me sinto extremamente acima do peso. Ainda assim é impossível resistir ao chocolate, ou ao sorvete, ou ao doce, ou...

Todos os dias eu acesso meu blog/fotolog/orkut esperando ler recadinhos dos amigos. Fico triste quando não tem nenhum.

Gosto de ficar em casa, e tenho uma preguiça imensa de sair.

Adoro estudar. Sou aficcionada por conhecimento. Mas é só por em mim a obrigação que tudo vira um saco.

Não acredito em destino nem em horóscopo. Mas não sei explicar as incríveis coincidências que existem por ai.

Não acho emocionante ficar mudando a cor do cabelo mensalmente. A questão é que eu tenho cabelo ruim, o que impede que eu faça cortes diferente, do tipo curto e/ou com franja. Logo, só me resta mudar a cor. Isso significa que eu nasci loira...


...Já fui morena...



...Já fui ruiva...



...E agora voltei a ser loira.



Eu babo bastante quando durmo.

Detesto estar sem meias.



Eu me apego facilmente às pessoas. Já elas não se apegam tão facilmente a mim. Eu me desapego facilmente das pessoas. Já elas não se desapegam tão facilmente de mim. Toda regra tem exceções.

Sou uma criança chorona que seguidamente precisa de um abraço. Mas também sou uma criança orgulhosa que raramente vai pedir por um abraço. Isso tudo leva a uma situação bem triste para mim, com uma infindável sensação de solidão e abandono.

Mas, francamente, que tipo de desocupado estaria interessado em saber mais a respeito de mim?



Peixes de ascendente Escorpião  

Posted by: Cris Andersen in , ,

Escorpião:
O poder
O império das emoções
A dominação pelos afetos.

Já peixes é mais sonhador e altruista
Gosta de ajudar as pessoas e vive pela fé em que acredita
Mas tem escondido ai um certo narcisismo
Recheado de uma vontade de dominar
Pela via das emoções

Ai... Em algum lugar da psique...
Mora uma mulher que quer viver a vida apaixonadamente
Nos fins últimos da emoção


Já disse Renato Russo, nunca brinque com um Peixes de ascendente Escorpião.

Começos Inacabados  

Posted by: Cris Andersen in

Tudo é apenas uma questão de perspectiva. E é bem sobre esse assunto que eu estaria apta a dissertar no momento atual. Considerando que são 17:41h de um belo sábado de sol no qual eu deveria estar estudando, e no entanto encontro-me sozinha, sentindo o peso nefasto da solidão tentando enganar a mim mesma que a coisa não é bem assim... não será bem sobre perspectivas que dissetarei, muito embora elas realmente comandem (ou pelo menos deveriam comandar


Pois então as coisas seguem seu rumo, quase que tal qual como deveriam seguir. Ou pelo menos como esperamos que elas sigam


Liguei o computador. Acessei páginas da internet. Respondi a scraps do orkut. Postei uma fotinho no fotolog. Olhei novos comentários no meu blog. Cliquei no botãozinho "nova postagem" e, agora aqui encontro-me. Olho para o campo que diz "título" e lembro que eu nunca soube escolher bons títulos, o coitado sempre é deixado para o final e quase nunca representa aquilo que eu realmente quis escrever no texto, mas eu nunca consigo expressar bem o que quero, creio que um título anômalo não tem lá tanto problema assim. E, pensando bem, relendo a obra final eu sempre acabo mudando de assunto e dissertando sobre algo que não era exatamente o que eu queria, mas sobre o que eu consegui juntar as palavras da forma mais harmoniônica e com algum sentido, sem, necessariamente, fazer sentido mesmo. Está aí o porquê de as minhas redações nunca terem recebido notas altas, apesar de eu ser uma das melhores escritoras de textos em papel higiênico que conheço. Engraçada maneira como eu gosto e dedico-me à escrita extra-oficial, aí chega um professor e pergunta na prova "o que é ser médico para mim" e eu simplesmente não sei e não consigo escrever, rebaixando minha opinião para o patamar de uma das piores escritas da turma.

Mas a verdade é que, muito embora eu aqui tenha chegado, não comecei a escrever para lamentar minha falta de habilidade redatória, mas sim para expor, ainda que de modo aparentemente incoerente, algumas coisas que têm povoado a minha mente



Felicidade é uma coisa tão abstrata. O que é razão de felicidade pra ti pode não ser apra mim. Do mesmo modo que o sentimento de felicidade pra mim pode não significar nada pra ti.

Mas por que diabos alguém escreveria sobre felicidade?

"Ah, porque é sobre o que estava pensando"

"Nah, é porque tem se sentido muito feliz"

"Que nada, na verdade se sente é muito infeliz"

"psssss... até parece, ta mais é querendo convencer-se a si mesmo a ser feliz"

"hum...vai ver não tem mais nada de útil pra fazer mesmo"

Ta aí, nada de útil pra fazer. Quem diabos gastaria uma enormidade de tempo com um blog que inguém lê? E pior, com um blog cheio de assuntos enfadonhos, com parágrafos enormes e que realmente ninguém lê?

Ta aí, parágrafo grandes são enfadonhos.



Ahh sim! Acabou o semestre, então? Bem, quase. Ainda não recebi uma de minhas notas finais (a mais importante, em minha opinião), porém estou confiante de meu bom resultado e, na pior das hipóteses, minhas férias são adiadas em uma semana e todo mundo faz de conta que esse texto foi postado semana que vem mesmo (como se esse "todo mundo" fosse, de fato, muita gente).

Claro, como todo fim de semestre não posso deixar de sentir algo semelhante a nostalgia pelos momentos que foram e não voltam mais. Por todas as lições que aprendi e, principalmente, por todos os ensinamentos que deixei de aprender. Analiso todas as situações que vivi, todas as coisas que pensei, todas atitudes que tive, todas as decisões que tomei. Todas as coisas que mudaram. Todas as coisas que não mudaram.

O semestre começou a com a formatura do querido Thiago. O único com direito a cela especial caso seja preso é também o menino prodígio daqueles poucos que posso realmente chamar de amigos.



Férias. Iupi.
Passei, sem exames. Independentemente de terrorismos e sustos e medos e cagaços. Passei. Resta a dúvida, serei uma boa profissional ta



Chovia lá fora, embora não fizesse frio. "Quanto mais molhada melhor", pensou ela. Não há homem capaz de resistir aos encantos de uma bela dama, molhada e indefesa, buscando ajuda ao cair da noite. O tempo era escasso, porém mais do que suficiente para que a tarefa fosse cumprida, principalmente a partir de mãos tão meigas e indubitavelmente habilidosas.


Aproximou-se devagar da suntuosa contrução, adornada com gigantescas estátuas de uma figura bastante conhecida. O templo em honra a Baiano, o grandioso e famoso deus craidor dos humanos, era facilmente reconhecido entre as demais obras arquitetônicas da pequena vila. Já próximo ao portal principal, a bela jovem aprumou os cabelos e delicadamente arrumou a blusa de modo que seus seios fossem evidenciados, conseguindo dar a impressão de que a chuva e o movimento causaram tal situação, jamais a vulgaridade. Segura de si, forçou uma respiração pesada e bateu à porta, aguardando com demasiada impaciência.


Quando a pesada porta de madeira abriu-se, a jovem humana de longas madeixas castanhas molhadas teve que conter a surpresa ao ver, no lugar de um pré-adolescente cheio de espinhas, um belo homem de seus 25 anos, no auge de sua beleza física. "Mais fácil ainda", pensou, dando continuidade a seu plano.


- Oh bela jovem, vejo que os deuses dos viajantes não lhe sorriram nesta jornada. Entre e espere um momento, trarei algo para secar-te e aquecer-te. De certo esse frio no corpo não lhe fará bem. Em que mais podemos ajudá-la?


- Vim de longe visitar um tio, mas acho que perdi-me pelo caminho, não sei bem onde estou nem como voltar. Poderia passar a noite aqui e amanhã pela manhã tentar reencontrar meu caminho de volta?


- Claro, bela jovem, o templo e os seguidores do Grande Baiano sempre estarão dispostos a ajudar. Me chamo Derek, qual seu nome?


- Yasmin.


- Yasmin... você vêm dos arredores de Zullah?


- Sim.


- Você vem mesmo de muito longe. Mas venha, acompanha-me.


Derek a conduziu até um vestíbulo, entregou-lhe toalhas secas e um robe adornado no peito com um suntuoso bordado em alto relevo de um berimbau, o símbolo de Baiano. Mostrou-lhe onde estavam os sais de banho, a tina com água quente e os sabonetes. Deixou-a a sós para que se banhasse e foi cuidar de seus afazeres. Yasmin banhou-se demoradamente, vestiu-se e tentou da melhor maneira que foi possível tornar-se atraente a olhos humanos. Não que essa tarefa tivesse qualquer grau de dificuldade, mas tudo deveria sair perfeito, sem chances para falhas. Olhou-se no espelho e concluiu que já bastava, seria a mulher mais bela que aqueles homens já teriam visto em suas vidas mesmo que estivese sangrando e suja de lama, porém beleza jamais seria em demasia. Arrumou os volumosos seios dentro do desajeitado robe e saiu, cheirando a pétalas de rosa. Encontrou Derek sentado a uma mesa ao lado de um senhor de seus 50 anos, conversando animadamente. Assim que a viu Derek levantou-se e dirigiu-se a Yasmin, sem, no entanto, conseguir disfarçar a atração que sentiu ao por os olhos na agora sobrenaturalmente bela jovem.




O hospício e Eu!  

Posted by: Cris Andersen in , , , ,

A meus queridos leitores, já aviso que o seguinte texto trata-se de medicina, mais especificamente hospício, mais especificamente ainda eu e o hospício e as pessoas do hospício. Para ajudar a evitar leituras entediantes sobre assuntos desinteressantes, sabem como é. Essa coisa de assuntos mais abordados 'ta em alta ultimamente, e a última coisa que quero são comentários vazios sobre um tema pouco interessante aos olhos de alguém. Por que eu não fecho o livro de comentários, então? Porque eu sempre gosto de receber comentários. Quem não gosta, não é? Ah, a audiência...

Mas onde eu estava mesmo? Ah, é... redação de volta às aulas, hospício e eu. Pois bem, pensando retrospectivamente desde aquele 02 de novembro de 2007 às 20:00, vejo como as coisas mudaram. E como as coisas não mudaram. A ala dos dependentes químicos continua abarrotada, é verdade. Assim como o crack continua a proliferar, marginais continuam a nos procurar e rebeliões continuam a se formar. Alguns ainda batem com a cabeça na parede, ainda masturbam-se em público, ainda choram aparentemente sem razão. Outros ainda tentam sacrificar seus filhos, ainda marcam encontros com amigos imaginários, ainda tentam tirar sua própria vida. Muita coisa nos arredores do hospício não mudou. E, sinceramente, não creio que venha a mudar.

Mas muita coisa mudou também. Mudou principalmente em mim. Eu sou mais dura e mais madura. Não compadeço de qualquer choro, não encaro qualquer pedido e não acredito em qualquer desculpa. Não mais sinto-me dimiuída, não mais tenho medo, não engulo desaforos. Muito aprendi e tudo devo às lições que pude tirar lá daqueles corredores escuros e quartos fedorentos cujas paredes conheces histórias que até esculápio duvida. Quem diria, feios também amam, loucos também... bem... deixa isso para uma próxima edição.

É, era só isso que eu tinha a dizer sobre 'o hospício e eu'. Bem que eu gostaria de poder fazer uma cartinha de agradecimento a todas as pessoas legais que eu conheci por lá, mas não é bem algo em tom de despedida que eu procuro, então deixa para a próxima. Quem sabe?

E de resto tudo segue numa boa, marcando o ritmo com os ponteiros do relógio. E a cada segundo que passa, e todos eles passam, mais idéias tenho a respeito de que coisas interessantes posso postar no meu blog. Fantasia entremeadas de indisposição a unir palavras harmonicamente. O cansaço destrói vidas... e blogs.

Três Conselhos  

Posted by: Cris Andersen in , ,

Para que meus queridos amigos e (únicos) leitores possam ser bem sucedidos na vida:


- Deixa de ser burro!

- Não vai te esquecer!

- Não deixa ninguém te enganar!


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A verdade é que eu tinha muito o mais o que escrever. Aliás, muito mais eu deveria escrever.
Tem um testimonial que ficou perdido em algum lugar do tempo e espaço. Um eu te amo que nunca vai vir. Um eu não quero que tu vá que nunca será dito. Um tu és muito importante pra mim que será esquecido. Tantos uns alguma coisa que deveriam vir e não virão. Tantas momentos que um silêncio cheio de palavras não ditas predominou. Tantos sentimentos esquecidos, desculpas não ditas, agradecimento não dados, esclarecimentos não feitos.

Mas a verdade é que hoje eu estou meio que sem palavras. Meio sem saber o que dizer. Meio sem saber o que pensar. Meio sem saber o que sentir. Com o afeto embotado, com o pensamento meio acelerado meio lentificado, com atenção hipoproséxica. Meio perdida nos labirintos da minha prípria vida, meio presa nos escombros do meu próprio quarto. Meio culpada pelas coisas que fiz e pelas que não fiz. Meio com os olhos cheios d'água pensando no que poderia ter feito e não poderei mais fazer.

O momento de felicidade que não compartilhei só serviu para mostrar-me como eu não estava preparada para perder, e como meu egoísmo sobrepuja o bem maior. Como eu fiquei triste e chorosa pensando no motivo da felicidade suprema alheia. Como eu, no meu íntimo, desejei que tudo desse errado. Por puro egoísmo, puro amor, puro medo. Puro o que quer que seja que eu mal consigo denominar.

No fundo sei que há muito o que deveria ser dito. Bem como também sei que nada disso de fato será. E só o que me resa é mascarar meu medo e minha dor do melhor modo que eu puder.

Dica Cultural  

Posted by: Cris Andersen in

Que eu adoro escrever, todo mundo sabe. Que eu adoro ler, talvez nem todo mundo saiba, mas então ta dada a informação. Baseando-se nisso, eu costumo a ir a livrarias folhear livros quando eu não tenho mais nada o que fazer (ressalto que ultimamente essa prática não tem sido muito comum). Pois foi assim que eu decidi que presente dar de aniversário para o último aniversariante a que de fato dei um presente. Tudo foi meio ao acaso, livro de capa feia para cá, título estranho para lá, resenha bizarra aqui, preço exorbitante acolá... até que um daqueles bixinhos cheios de folhas saltou aos meus olhos. De imediato vi que seria o presente perfeito. Num impulso, comprei, mas não antes de ler a contracapa.

Inicialmente me senti a pessoa mais engraçada do mundo, seria o presente perfeito, engraçado, divertido e, é claro, sagaz. Tudo isso por causa da capa do dito cujo do livro. Autor, David Coimbra. Relativamente famoso escritor gaúcho, principalmente por causa de Canibais, paixão e morte na rua do arvoredo, aquele livro que conta a história do açougueiro que fazia salsichas de carne humana, medonho, a princípio, mas relato verídico da história de Porto Alegre. Bem, é a única obra do autor que eu conheço, e aprovei, esta em minhas mãos também haveria de ser valiosa. Bem, assim eu esperava, naquele momento pós compulsão.

Na capa, figurava uma estonteante loura, cabelos crespos, aparentando ser alta, trajando um robe desses de dormir, azul de seda. Perfeito. Encontrava-se em uma sensual pose escorada em uma parede (ou marco de porta, vai saber), e havia um longo fio de fumaçaexalado pelo cigarro que ela segurava. Bem, aí estava o problema, cigarro. Mas é o que dava todo o charme, mesmo fugindo da realidade não haveria de fazer mal. Digo essa coisa viajona toda de "faltar à realidade" baseada no título da obra, o que, de fato, foi o que mais chamou-me a ateção e que deu-me a certeza de que seria o presente perfeitamente mais divertido de todos. O livro tinha como título: "Cris, a fera".

Quem não entendeu o porque eu amei o livro pela capa, que vá se ferrar e ler o blog de alguém que conheça. Mas aqueles que me conhecem com certeza entenderam, se compartilham minha opinião ja não sei. Mas o fato é que eu adorei, escrevi a dedicatória e entreguei o presente no dia programado. Estranhamente, melhor que a encomenda. Digo isso porque livros enganam pela capa, mas a verdade é que há muito tempo eu não experimentava uma leitura tão agradável e divertida. O livro é composto de contos, ao todo 7, se não me engano, todos escritos em primeira pessoa, problemas e mais problemas até o final inesperado. De cara nota-se que o autor tem determinados gostos, como por exemplo pés e tornozelos, principalmente se vestidos com sandálias trançadas até as canelas. Bem como de repetir frases, principalmentes pensamentos, do tipo "que escrever agora,que escrever agora,que escrever agora!". Eu contaria parte dos contos, de tão excitada com a leitura que estou, mas creio poder estragar a supresa de alguns. E como, de fato, a leitura vale a pena, fica a dica.

Pois quem puder, que leia Cris, a fera. Ambientado em Porto Alegre, é um dos poucos livros que tiveram a capacidade de deixar-me angustiada em meio a leitura. Pois é, eu quase chorei junto com um dos personagens, sofri, pensei e busquei soluções, ao ponto de precisar fazer uma pausa na leitura e voltar à minha vida real tamanha era a angústia. Pois sim, invejo de um modo quase doentio o senhor David Coimbra a partir de agora. A obra não é exatamente erótica, mas também não é bem o tipo de livro que eu deixaria a mãe ler sabendo que fui que comprei, ainda mais que, por mais que a tal fera cris de fato não tenho nada a ver comigo, ao ler conto associações seriam feitas, e não é algo que eu gostaria que minha mãe fizesse. De qualquer modo, o livro faz parte da coleçao poket, é baratinho, brasileiro, lançado em agosto, e divertidíssimo.

Fica a dica cultural de hoje.

A Dádiva do Altruísmo  

Posted by: Cris Andersen in , ,

Quem é que não gosta de fazer o bem ao próximo, não é mesmo? Pois é, eu gosto. Amo. E é isso que me realiza profissionalmente, independente do fato de eu não ter uma profissão. Vai dizer, aquela pessoinha, suja, fedida, escabelada , piolhenta e doente, cheia de 'poblemas' precisando de um apoio emocional, quem resistiria? Ainda mais porque é de conhecimento geral que uma internação hospitalar sem uma equipe de quatro "médicos" que nos acompanham, nos fazem responder quatro vezes a mesma pergunta (o que engloba alimentação, xixi e cocô), e nos examinam quatro vezes em apenas uma manhã a partir das 9h, oh, não seria uma verdadeira internação hospitalar, qualquer paciente precisa disso. E eu, gentilmente, estou lá para dar-lhes esse indispensável conforto.

Pois sim, quem não gostaria de gastar toda sua manhã examinando pacientes que já foram previamente examinados? Quem não agradeceria por fazer um trabalho completamente dispensável, assim, gratuitamente? Quem não sentiria-se agraciado por abrir mão do estudo para fazer o bem ao próximo? Ah... quantos não são os que me invejam, eu sou mesmo uma pessoa de sorte!! Tu não acha? Eu acho, é claro.

E quando a gente sente que o paciente realmente precisa de ajuda a sensação de dever cumprido é ainda maior, revigorante. Não existe nada de mais triste no mundo do que não ter com quem desabafar, não ter a quem culpar, não ter em quem descontar. Não é? Pois então, eu como uma boa altruista, regozijo-me com poucas coisas além de tentar conversar com a mãe de um menino de 12 anos em coma (adrenoleucodistrofia, pra quem quiser persquisar, a doença do filme O Óleo de Lorenzo). Ser ignorada, sentir que o frasco de soro vazio que não mais pinga é mais interessante do que eu, ter uma fralda suja esfregada na cara como prova de que o menino têm atividade intestinal, ser acusada de dopar uma criança que não acorda, e ser qualificada como qualquer uma em um lugar em que qualquer um é médico. Como é gratificante a sensação de ajudar um coração aflito que precisa desabafar. Infelizes aqueles que não têm essa oportunidade.

E, claro, nada disso seria plenamente válido caso o domingo não tivesse sido gasto dentro de um hospital, ocupado em pesquisas para elucidar a origem genética da doença, traçando planos de como triar possíveis manifestações da mãe ainda que apenas carreadora do gene recessivo (herança ligada ao "x", novamente pra quem quiser pesquisar) e assim minimizar possíveis sofrimentos atuais e futuros. A preocupação com um paciente só é válida quando fazemos tudo para ajudá-lo, juntamente com seus familiares. Ô, isso sim é que é invejável.

Ahh.. filantropia é mesmo um dom. E eu sou mesmo uma pessoa de muita sorte, tenho certeza. Alguém discordaria?

Quando será que a coisa melhora?  

Posted by: Cris Andersen in , ,

Esses dias, fugindo do iminente e necessário estudo para as 4 provas desta semana, deparei-me com a atualização do blog da Ingrid. Dentre todas as palavras lá proferidas, sem dúvida as que mais prenderam minha atenção foram as que compunham a seguinte construção frasal: "Minha inteligência é indispensável. Eu detesto gente burra e que não pensa. Se eu penso e perco um domingo de sol na frente do computador é porque eu amo a minha profissão, amo criar e dou valor para meus estudos." Bonito isso.

Hoje em dia é estranho encontrar alguém que grite a plenos pulmões que ama sua (futura) profissão. Eu, por exemplo, faço parte daquela casta de pessoas que ama o que deveria fazer, mas na prática não é bem o que faz. O que, por mais que eu realmente dissesse que amo o que faço, na verdade não passaria de um discurso hipócrita de quem "virtualmente gosta da profissão". Sim, vitualmente porque o que eu faço hoje em nada se parece com o que eu farei pro resto da vida. Não vou citar exemplos porque a explainação já está entediante o suficiente sem que eu precise esforço para tal. Mas o fato é que eu não posso enganar, nem a minha nem a meus leitores, dizendo que eu gosto e amo o que faço, pois não seria verdade. Eu amo o que eu deveria fazer e não faço.

Concordo com minha querida amiga, minha inteligência é indispensável e eu odeio gente burra que tem preguiça de pensar. Mas eu não perco um domingo de sol na frente do computador, mas sim escondida atras de livros. E esses domingos perdidos dóem quando eu olho pra recompensa e vejo que não valeu a pena, que não era isso que eu queria estar fazendo, que até a faxina do banheiro parece mais interessante que as atividades que eu ou obrigada a executar. Não que o banheiro da minha casa seja tentador, mas ir diariamente ao hopital conviver com pessoas que acham que eu não tenho mais nada pra fazer, encontrar pacientes (que não são meus) a beira da morte, executar trabalho escravo absurdamente pouco aproveitado no sentido estudantil é que dificulta minha saída da cama toda manhã. Tudo isso agravado pela falta de sábado e domingo, em que eu ainda preciso cumprir tabela e comparecer ao hospital pra mais um pouquinho de trabalho exaustivo, não opcional e não remunerado. Apesar disso a clínica teórica é linda.

Linda, mas não compensa. Pelo menos a meus olhos não vale a pena não poder assisitir meus seriados favoritos na televisão, não compensa a impossibilidade de exercício mental mediante leitura sem compromisso, não vale a pena a impossibilidade de dar seguimento a meus projetos paralelos. Não compensa uma vida vivida exclusivamente para a medicina, pois eu sinto falta das coisas mais banais que não me são mais permitidas, por mais que eu realmente goste de estudar. Eu amo a medicina, mas apenas ela não me satisfaz, preciso de mais... e não me é permitido.

E aí, em momentos como esse em que eu deveria estar estudando para as duas provas de amanhã, ou a de depois de amanhã, ou para o seminário que eu tenho que apresentar depois de depois de amanhã, eu estou aqui, cansada, com sono, tentando distrair os pensamentos por alguns minutos porque eu preciso voltar a estudar, já que todo o resto do dia é ocupado por atividades acadêmicas. Minha força para continuar é o pensamento de que um dia tudo isso melhora e eu serei soberana de mim mesma para exercer a medicina do melhor jeito que me convier. Ou pelo menos assim espero. Eu invejo poucas coisas nessa vida, uma delas são aqueles tipos genéticos que podem comer um boi por dia que não engordam, outra não aquelas pessoas amam o que fazem, e que, ou isso é suficiente, ou lhes é permitido "atividades extra-classe".

Sigo eu perguntando-me, quando será que a coisa melhora?

Uma Tarde no Hospício  

Posted by: Cris Andersen in , ,

Concurso:
Melhor pérola do plantão psiquiátrico:




- Ah minha filha, agora com 71 anos finalmente encontrei o amor da minha vida. Ainda não nos conhecemos pessoalmente, mas assim que ele puder sair do serviço e vir me conhecer nós vamos casar.

- De onde ele é?

- Ah, de longe... mas a gente se fala a todo momento. Pena que ele ainda não pôde vir. Me prometeu que ia me dar uma prova que ele existe, disse que ia me mandar um pão de presente. Tadinho... era bem o dia do feriado, as padarias estavam fechadas, não pôde mandar. Ainda bem que a gente ta sempre se falando.

- Se falam como?

- Ligação oras.

- E não sai caro?

- Claro que não, ligação mental é de graça.



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- Bah né, daí minha filha de 21 anos fuma pedra, tava acabada. Eu achava é que ela não tinha força de vontade pra largar o vício, daí resolvi provar pra ela que crack não vicia porra nenhuma. Fudeu né, agora nós duas brigamos pra saber quem vende o que de casa pra comprar a pedra.

- E o resto da família?

- Ah, minha filha de 13 é que trabalha e sutenta a casa. Meu marido, coitado, ficou pena de ver nós duas na pedra, aí pra nos dar uma força começou a fumar também. Fuma com nós todo dia, mas ele não é viciado, não!



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- Ô dotorinha... que mané remdinho branco o que?! To aqui dentro pra medir pressão... não preciso de remédio... ta achando que eu sou louco, é?



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- COMO TU É CAPAZ DE CHAMAR MARIA, A MÃE DE DEUS, DE LOUCA? SUA ENDEMONIADA!! NÃO SE PODE MAIS NEM SACRIFICAR O FILHO EM NOME DE DEUS QUE OS FILHOS DO DIABO VEM INTERROMPER A ADORAÇÃO DE MARIA, A MAE DE JESUS, PARA DEUS? DEMONIA!!!!!



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- psssssssssssiuuuuuuu! Cala a boca porra!!!!

- Que foi?

- Essas vozes que não param de me encomodar... medica eu não, dá remedinho pra elas... eu sou normal, essas vozes que vem encomodar... medica elas....


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A verdade é que eu tenho pena.

Diálogo em Transporte Coletivo  

Posted by: Cris Andersen in

O porquê todo mundo deveria usar fones de ouvido em meio aos empurrões, puxões, bolsadas, chutes e coxadas:





- ... bah né, daí deu uns pobrema lá...


- poblema.

- han? eu sou meia ruim em português, nunca sei quando usar pobrema ou poblema...

- assim, vou te explicar: quando é coisa da vida, poblema em casa e no trabalho, se diz poblema. Quando é de matemática, é pobrema.

- ahhh, como tu é inteligente!

O Significado do Reclamar.  

Posted by: Cris Andersen in , , , ,

Reclamar é uma arte. Pois claro que é. Pensamentos positivos qualquer macaco treinado consegue formular, mantras da boa vontade fluem soltos pelos lábios, pela luz o caminho sempre é mais fácil. Difícil mesmo é caminhar na escuridão, tropeçando nos próprios pés, encontrando o mais ínfimo e escondido aspecto desagradável até mesmo nas melhores situações. Reclamar com classe, sim, isso é que é tarefa para poucos. E eu, feliz ou infelizmente, sou dotada da quase inesgotável capacidade de encotrar pontos negativos, falar mal e reclamar sobre todas as coisas que me cercam.

Claro que a bola da vez não poderia ser outra a não ser a malfadada faculdade. Poxa, eu também sou filha de deus, também gosto de mordomias e sempre escolherei o caminho mais fácil. Por que esforçar-me em procurar novos e diversos assuntos reclamáveis se meu ambiente (dito) de estudo propicia tantas situações propícias que nem sequer eu mesma consigo falar mal de todas com a rapidez com que elas surgem? Claro que elas não se importam em ficar esquecidas no depois quando a concorrência é tão desleal, devemos reconhecer nossas limitações.

Pois é fato que não é novidade para ninguém que o curso formador de médicos é extremamente estressante (e olha que eu acho até que levo numa boa). Tem dias que os pacientes são um saco, as aulas são um saco, a fisiopatologia das coisas é um saco, e, principalmente, os professores (leia-se superiores) são um saco... se bem que esses são um saco sempre. E como se tudo isso não fosse o suficiente para desagregar alguém, o sistema é absurda e completamente falho. Claro que isso é uma opinião pessoal, e caso algum querido leitor discorde da afirmação, obviamente estamos abertos a discussão. Mas falo isso baseada no fato de que eu não creio que atender demanda do SUS como mão de obra barata (pra não dizer de graça), associada a cobrança não condizente com o conhecimento transmitido, maximizado com uma farsa tentativa de tornar a coisa mais acadêmica com um seminário meramente ilustrativo, seja um bom método de ensino e formação médica. Isso quando sequer há a tentativa do 'seminariozinho'. Sim, eu realmente acho esse sistema uma farsa.

E é aí que eu acabo identificando com músicas melancólicas de letras intensas e chocantes, tipo Another Angel Down - Avantasia. O trecho principal diz:

"We rock the ball, been smashed to the ground
Arose from devotion to take a look and see what is inside
Sight of the crown: another angel down
We rock the ball, I'm facing my pain
A rage and a symphony driven by the wounds I cannot hide
Rise above the crowd: another angel down"

Eu não vou traduzir, quem quiser que use o tradutor da google (bem que eu poderia receber comissão pela propaganda). Mas a questão é que, por mais que eu tente manter minhas convicções, meus sonhos, meus planos e, principalmente, minha índole, eu tenho a péssima mania de sempre analisar o que se passa dentro de mim(não no sentido literal), encarar o que me causa dor, e sucumbir à fúria guiada pelos ferimentos que eu não sou capaz de esconder. E então mais um anjo junta-se à horda dos renegados anjos caídos.

Qualquer criatura acima de 5 anos de idade vai entender o que eu quis dizer metaforicamente, mas eu explico mesmo assim. A cada dia dispendido em minhas onerosas atividades acadêmicas, minhas boas motivações são substituídas por angústia, fazendo com que diariamente um pedaço daquilo que me diferencia de tantos outros "colegas" morra, bem aqui dentro de mim, a humanidade. E ao final só o que restará é mais um exemplar do que a faculdade de medicina forma, anjos caídos, somados aos que já começaram como diabos.

E essa é a coisa mais triste que existe, a sensação de ser vencida pelo sistema. E por mais que eu tente, flagro-me a pensar sobre o que será do amanhã, o ontem ainda teima em martelar na minha mente, não sou capaz de viver apenas por esta noite (leu a letra da música?). E em meio à impotência, reclamar é o único mecanismo de defesa a que consigo apegar-me.

Oi!!!  

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Oi minha gente querida. Tô viva. Meio moribunda, confesso, mas tô viva. Só para não deixar meus quase intermináveis fãs na agonia pensando que tipo de atrocidade poderia ter acontecido com quem aqui escreve.
Terça-feira a tarde, tomando chá de camomila (é, porque com o café meu estômago inflamado reclama) e blogando (apesar de odiar esse termo internetês). Claro que eu teria muitas e muitas outras coisas a fazer, tipo estudar insuficiência renal, mas quando o dia está escuro e chuvoso, como hoje, a nostalgia das minhas tardes de sábado na casa a nona comendo bolinho de chuva toma conta de mim. Ainda bem que não tem trovões, sabe como é, a chuva vem e o ânimo sai.
Não que a vida que eu leve agora seja de todo ruim, mas quando se tem a obrigação diária de ir ao hospital (e diária eu me refiro a sábados, domingos e feriados, se tivesse algum feriado até o fim do ano) todos os dias têm cara de segunda-feira sem a perspectiva da sexta. E aí fica mesmo muito difícil de encontrar ânimo em meio a água que bate na janela.
Eu tenho me esforçado, juro que tenho. Levanto cedinho, chego na hora, dedico a maior boa vontade a meus pacientes, tenho dado o meu melhor. E não tem sido o suficiente. Claro que quando o fulaninho diz para o beltraninho "essa moça aí está me dando a maior força", e aí aponta para mim, parece que o esforço é recompensado e tudo vale a pena. Mas a boa sensação só perdura até o momento em que os superiores fazem parecer tudo em vão, desde o esforço até o estudo. É uma baita merda buscar referências na literatura e o "dono do carimbo" fazer tudo diferente sem uma explicação razoável e ainda me taxar de idiota por questionar a decisão da autoridade. E o pior de tudo é que essa autoridade é que vai dar a minha nota no fim do semestre, avaliando diversos pontos, dentre eles "controle emocional". Que porcaria é essa? Desde quando alguém pode avaliar o quão boa profissional posso ser durante um mês de parca coexistência e ainda ter autoridade para dizer o quão bem controlo minhas emoções?? Eu tenho me esforçado, principalmente para manter o bom humor, juro que tenho. Mas tá difícil. Oh se tá.
Não precisa ser gênio para saber que eu vou me ferrar. Ainda mais porque parece que as pessoas em geral (lê-se professores), além de precisarem estudar menos que eu, ainda conseguem aproveitar melhor o tempo. Afinal, o que será que fico fazendo da meia-noite as 3 da manhã? Perdendo tempo, só pode.
Então é isso, estou viva. Desagregando, talvez, mas viva. Dizem que é isso que importa. E eu acredito. Só o que eu queria é a oportunidade de trabalhar no que gosto (embora eu não saiba muito bem do que eu gosto) e ainda ter algum tempinho de sobra pra futilidades, tipo dormir satisfatoriamente (não demais, apenas o mínimo necessário). Viu? Não sou diferente de ninguém.
E tudo segue quase como sempre no mundo paralelo da Cristine.

Diálogo no ambulatório da faculdade de medicina:  

Posted by: Cris Andersen in

- Qual seu nome?

- Hans. O sobrenome escreve aí que eu vou ditar.

- Ok.

- S - I - L - V - A.

- Silva?

- Isso, pronunciou direitinho!



Tem coisas que só a medicina é capaz de oferecer.

Recomeços.  

Posted by: Cris Andersen in , , ,

Mais um recomeço.
Ultimamente os tempos têm sido de muitos recomeços. Fatos estranhos da vida de alguém que nunca começou muita coisa, principalmente porque pra recomeçar depende, além de um começar, de um terminar. E eu não tenho habilidade pra terminar coisas, incrivelmente ainda menos que para começar. Se eu não começo e não termino, realmente é de se estranhar como as coisas podem recomeçar. Mas recomeçam. E ainda assim eu sobrevivo. 'Facin facin'.

O recomeço mais recente foi o oitavo semestre na faculdade de medicina. O pior, dizem os mais experientes. Relembrando-me do quarto, penso se eu chegarei em dezembro com o mínimo de sanidade necessária para a sobrevivência em sociedade, não consigo imaginar coisa pior. Se bem que, analisando bem a situação, aula teórica das 8 as 9h, pacientes hospitalizados a serem vistos das 10 as 12, aula prática de dermato/pato das 13:30 as 16h, culminando com aula teórico-prática das 17 as 18h de segunda a sexta, mais visitas obrigatórias a meus pacientes hospitalizados em sábados, domingos e feriados, pode vir a tornar-se um inferno ainda maior que quantas ranhuras têm as asas de uma mosca. Ainda mais se eu juntar o curso de italiano, no mínimo um plantão de 12 semanal e a monitoria de pediatria. É, vamos pensar pelo ângulo positivo, não tem mais feriado até o fim do ano, logo, não terei que trabalhar nos feriados.

Minha querida Iarima, quando eu conseguir encaixar-te no meu horário, espero que consigamos dissertar melhor a respeito do nosso recomeço. Estranho, conturbado, inevitável. Talvez tu não tenhas mudado quanto eu penso, mas eu, com certeza, mudei mais do que podes imaginar. Se isso é bom? Não sei, gostaria mesmo que fosse, mas tenho ainda minhas dúvidas. Sempre ouvi dizer que a vida endurece, mas não pensei que fosse tanto. O que mais sinto falta é da minha inocência de menina, aquela que tu bem conheces. De resto, ainda prefiro 14 andares pela escada a um elevador, ainda choro vendo Titanic e continuo gostando daquele bolo de laranja. Não mais choro sozinha pelos cantos, não mais sofro por opção, e por fim parei de preocupar-me demais com aquilo que não posso mudar. De resto, com o tempo verás. Minha amizade sempre será a mais sincera de todas.

Augusto, meu anjo. Recomeço conturbado e diferente. Espero que um dia eu possa ser capaz de me redimir de todos os erros que cometi, enquanto isso contento-me com teu sincero perdão e dedico-me a tentar dar de mim o melhor. Até porque, onde mais eu encontraria alguém que me acomapanhasse no croassonho de chocolate com cobertuda extra de chocolate? Ou nas interpretações psicológicas de vilões perturbados? Ou ainda nos fins de semana dedicados à fantasia? Mas, principalmente, a planos que prometem realizar-me como quase nenhum outro? Foste escolhido a dedo, e preso a correntes ficarás. Sem piadinhas.

Falando em recomeços, como esquecer do recomeço de projetos paralelos? Ah, se eu pudesse ganhar a vida apenas escrevendo, deixando as palavras fluirem por meus dedos, dedicando-me a um mundo que não existe a uma existência que não me pertence. Claro que eu fico imansamente feliz em pode cumprir aquela tal papel de médica, mas a medicina me oprime. Escrever liberta-me. Ajudar concome-me. Escrever renasce-me. Praticar a medicina me prende. Praticar a escrita ajuda-me a voar. Recomecei meus planos. A continuidade só depende do quão possessiva minha futura profissão será. Sonhos é o que não faltam.

E de começos e recomeços sigo trilhando meu caminho. Como um coração, que a cada segundo começa, termina e recomeça seu ciclo vital e interminável, eterno enquanto durar.
PS: claro que eu poderia dar um exemplo do tipo "dia-noite-dia", mas não seria tão a minha cara.

Aos Poucos e Bons  

Posted by: Cris Andersen in

Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga `Isso é meu`,
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.



Finalização do Prólogo de algo que ainda não sei o título.  

Posted by: Cris Andersen in

Já no final da tarde, faltando algumas poucas horas para a biblioteca encerrar suas atividades, uma leve fumaça, mais parecendo uma suave neblina, envolveu parte do recinto. De repente a fumaça ficou mais densa e então apareceu um grupo de pessoas, bem em frente ao humano que ali estudava, quebrando sua concentração. A jovem maga só apercebeu-se da situação quando o humano deu um leve grito de terror, enquanto o monge já punha-se de pé para averiguar a situação. Nesse momento o grupo invasor, composto de quatro pessoas, dispos-se ameaçadoramente ao redor do humano, o qual, ainda sentado, tremia envolto em terror. Aquele que parecia ser o chefe dos recém chegados, um goblinóide de pele amarronzada, vestindo um robe azul marinho e segurando uma adaga próximo ao pescoço do homem, falou:

- Então nos encontramos novamente, não é?

- oh.. aah.. o..o.. o que vocês querem de mim? - Disse o amedrontado humano, embora seu tom de voz revelasse consciência sobre o que ocorria.

- Você sabe muito bem o que queremos!! Kayla, o que está esperando? - Rugiu o goblinóide.

Nesse momento a jovem de longos cabelos avermelhados trajando um robe semelhante ao do seu mestre, que cobria todo seu corpo, começou a proferir as palavras de um encanto, revelando em seu rosto uma mancha cor de sangue que cobria a parte inferior de sua hemiface esquerda, dando um toque de terror a algo que poderia vir a ser muito belo. O funcionário da biblioteca começou a correr em direção à porta no mesmo instante em que a segunda jovem que compunha o grupo, loira, pele clara sem manchas visíveis, e vestida do mesmo modo que os demais, conjurou uma magia, tornando os músculos do infeliz funcionário rígidos e incapazes exercer sua função, fazendo com que o homem caísse ao chão, como uma estátua humana em cuja face foi gravada a expressão de terror. O quarto membro do grupo invasor em nenhum momento moveu-se, evidenciando apenas suas vestes longas e largas demais para revelar qualquer detalhe do corpo, associadas ao capuz que impedia a visualização do rosto. Quase simultaneamente ao baque surdo da queda do homem paralisado ao chão, a jovem ruiva terminou seu encantamento, exibindo uma expressão satisfeita, embora nada aparente tenha acontecido.

A maga, ainda sentada em seu lugar, percebeu, ao analisar os gestos e palavas proferidos pela ruiva, que o efeito mágico intencionado seria cancelar o encantamento permanente que havia na porta da sala em que se encontravam. Se a porta realmente era um portal mágico, como imaginava, eles provavelmente estariam presos, em algum local longe de Zullah, talvez até em outro plano de existência. Ao passo que a jovem maga continuou sentada acariciando seu morcego, não desejando enfrentar inimigos que não são seus, o monge, que já encontrava-se de pé, dirigiu-se ao grupo, mostrou o símbolo de Baiano bordado em seu peito e disse:

- O que vocês querem com o pobre homem? Deixem-no em paz!!

- Mas quem ousa se opor a nós? - sibilou a jovem loira - Fique longe do nosso caminho e nós não o mataremos, pelo menos não agora!

Nesse instante o goblin investiu sua adaga contra o pescoço do humano acuado, fazendo com que sangue jorrasse pelo local, parecendo deliciar-se com as manchas vermelhas em seu robe. O corpo inerte caiu ao chão formando uma poça de sangue no chão ao seu redor. O goblin mecheu no bolso do homem que acabara de matar, pegou algo do tamanho de uma peça de ouro e olhou para seus companheiros. O monge pareceu controlar um ímpeto de investir contra o grupo, temendo por sua vida. O funcionário ainda estava ao chão, paralisado em sua face de terror. A maga permanecia sentada, apenas olhando a situação. Foi quando a jovem de cabelos vermelhos começou a proferir um novo encantamento, desaparecendo do local instantes após, junto com seus companheiros. De relance a jovem maga apercebeu-se que todos os quatro invasores carregavam como adorno, bordado no peito do robe, um símbolo, bastante peculiar. Quase não recordou-se do que se tratava, porém um instante de sabedoria revelou-lhe que aquele grupo só poderia ser compostos de servos de Reisen, o deus da maldade. Pela face de terror, o monge servo de baiano, certamente, havia feito a mesma constatação.

Insatantes que pareceram horas se passaram, até que alguem ousasse se mecher. O monge dirigiu-se ao funcionário paralisado e constatou que este ainda encontrava-se vivo, apesar do encantamento que sobre ele foi lançado.

- Em breve a magia cessa e ele volta ao normal - Disse a jovem maga, ainda sentada em seu lugar.

Sem proferir uma palavra, o monge foi até o humano cuja garganta havia sido cortada, pesarosamente constatando o invetável, não havia mais fluxo de vida naquele corpo. Percebeu que na fivela do cinto do homem havia entalhado o símbolo de uma facção secreta de servos de Baiano, a Ordem de Olinda. Mentalizou se isso poderia ter algo relacionado com os acontecimento recentes, dando início, então, ao rito de passagem do pobre homem. Enquanto o meio elfo proferia um mantra pedindo que Baiano acolhesse a alma de seu servo, o corpo do funcionário da biblioteca amoleceu, sem, no entanto, recuperar a consciência. Pela primeira vez a jovem maga levantou-se e foi ver o que havia acontecido com o funcionário, juntamente com o monge. Este, que possuía alguns conhecimentos de curandeirismo, contatou que o homem estava engolindo algo que o impedia de respirar, mais precisamente, havia algo descendo voluntariamente por sua garganta, contudo não obteve sucesso em ajudá-lo. Após alguns instantes o homem cessou o esforço respiratório, estava aparentemente morto. Em seu abdome foram percebidos alguns movimentos estranhos, principalmente para alguém que havia acabado de morer. O monge decidiu averiguar o que poderia estar acontecendo, decidindo abrir aquele abdome, utilizando a espada pertencente ao homem atras do qual o grupo maligno viera, já que não carregava armas. Qual não foi a surpresa quando foi revelado, dentro do abdome do funcionário da biblioteca, uma espécie de larva, medindo cerca de 25 centímetros de comprimento, grossa como o punho de uma criança, alimentando-se das entranhas de seu hospedeiro. Nauseada, a maga virou-se enquanto o monge desferia um soco fatal naquela bizarra forma de vida parasita, fazendo saltar sangue, entranhas e partes de larva pelo local. Após encaminhar a alma do homem ao plano de Baiano, o monge falou, enquanto dirigia-se à porta:

- Meu nome é Gallin, servo de Baiano, creio que temos muito o que relatar às autoridades de segurança desse local.

- Me chamo Selena, porém não creio que essa tarefa será fácil.

Ao abrir a porta, invés de deparar-se com o esperado corredor, Gallin encontrou uma parede de pedra, ocupando todo o espaço de onde deveria haver uma passagem que levaria ao corredor no fim do qual estaria o balcão da elfa. Olhou ao redor e a única abertura na sala esculpida na pedra que pôde encontrar foi um buraco arredondado, de cerca de 30 centímetros de diâmetro, esculpido no teto, por onde sentiu entrar uma leve corrente de ar.

E assim, Gallin, o monge servo de Baiano, Selena, a maga, encontravam-se presos em uma das salas da biblioteca de Zullah, acompanhados apenas de milhares de livros, dois cadáveres e a necessidade de uma ótima idéia que pudesse tirá-los dali.

A novela das Oito (que na verdade é as 9)  

Posted by: Cris Andersen in

Tá, eu nem sou muito chegada nessas correntes onde devo expor a meu respeito, mas como eu sou "maria vai com as outras" e gosto de estar "na onda da gurizada", não posso ficar de fora. Mas já aviso, não constará aqui nada que quem me conhece já não saiba, bem como nada muito interessante a ponto de fazer com que aqueles que não me conhecem desejem vir a conhecer.

Outra coisa, como eu acrescentei o 10º item na lista de coisas a seres respondidas, cada um dos meus itens deveria conter também 10 respostas... Mas isso tornaria meu post o "jogo dos 10", e não dos "8" ou dos "9", de modo que perde totalmente a piada e contextualização do meu título. Logo... façamos de conta que ninguém percebeu a falha e fiquemos apenas com 9 coisas, vale a pena só pelo título bacana, né?!


Nove coisas a fazer antes de morrer:

$ entender o que há de tão cabalístico no número 8 (eu podia tirar esse item, pois já entendi da onde saiu "o jogo do 8", mas eu não tenho vergonha de ser meio retardadinha)
$ salvar pelo menos uma vida (profissionalmente)
$ publicar um livro
$ casar (típica resposta feminina)
$ aprimorar satisfatoriamente minhas habilidades empáticas
$ ser fluente em inglês, espanhol, italiano, francês e algum outro idioma que eu possa vir a me interessar em um futuro próximo
$ fazer uma mudança drástica na minha aparência, tipo pintar o cabelo de loiro loiríssimo
$ entender coisas mirabolantes que hoje em dia não tenho capacidade de entender
$ poder dizer "ah, eu vou comprar isso apenas por consumismo, tenho dinheiro suficiente e não vai faltar em outro lugar", e isso ser verdade

Nove coisas que eu mais digo:
$ pombas, tchê!!
$ A-ham!!
$ pssssss...
$ mas bah, tchê!
$ má pukê?!?
$ bããã!
$ Xiiiiiii!
$ ta loco, é?? bebeu?
$ Ah... eu quero! (acompanhado de um beiço)

Nove coisas que eu faço bem:
$ falar merda
$ escrever
$ otimizar meu tempo
$ confortar corações aflitos
$ sentir o que os outros sentem (vulgo colocar-me em seus lugares, a famosa "empatia")
$ chantagem emocional
$ aprender sem necessariamente decorar
$ conversar (quando eu quero, obviamente)
$ retardadices, de todo o tipo, sem medo de ser feliz

Nove coisas que eu não faço:
$ lavar roupa
$ cocô fora de casa e xixi sem papel higiênico
$ ser sociável em situações de "cinismo social"
$ sair de casa sem creme no cabelo ou lápis e rímel nos olhos
$ estudar conteúdos que julgo inúteis
$ escutar música ruim
$ ser estúpida desnecessariamente com as pessoas
$ assistir a filmes dublados
$ sexo casual

Nove
coisas que me encantam:
$ comportamento das pessoas
$ comportamento dos animais
$ livre associação de idéias
$ atos falhos
$ o dom que algumas pessoas têm para o uso de palavras nas mais diversas situações
$ criatividade, principalmente a inútil
$ sentimentos
$ beleza exótica
$ fisiologia animal


Nove
coisas que você deve saber sobre mim:
$ ADORO gastar meu tempo assistindo a seriados americanos imbecis
$ quando estou com sono fico de mau humor
$ sou a verdadeira "abombada da câmera digital"
$ tenho um coração mole, muito mole, e por mais que a princípio eu pense em algo bem malígno eu sempre vou ficar com pena e fazer o meu máximo para ajudar
$ eu penso DEMAIS a respeito das coisas da vida
$ as pessoas que eu amo são as coisas mais preciosas que tenho na vida
$ perco o amigo mas não perco a piada
$ faço coisas retardadas em prol da diversão sem me importar com taxações que eu possa vir a receber
$ entrar em uma discussão me deixa extremamente irritada

Nove
coisas que eu odeio:
$ ponto e vírgula (;)
$ erros de português grosseiros
$ criança manhenta, principalmente se acompanhada de uma mãe omissa ou histérica
$ "inguinorância" (se dúvidas, clique
aqui)
$ traição (de todo tipo)
$ gente que se acha (essa é a campeã de citação)
$ quando falta luz, ou água, ou a internet sai fora do ar, ou a televisão... bem, quando as coisas que deveriam funcionar naão funcionam
$ filmes estúpidos
$ pessoas perfeitinhas

Nove Nostalgias gastronômicas:
$ a carne de panela desfiada da minha nona (as avós também são campeãs de citação por aqui)
$ a massa da Luciara (senhora que cuida da minha nona)
$ a cuca da Luciara
$ a pizza da única pizzaria de Araranguá
$ o bolo de leite condensado da Ieda (indireta, heim Moisés)
$ a nega maluca abatumada que eu mesma faço
$ o "risóleo" de queijo da antiga cantina do cefet
$ o arroz + feijão + bife + batata frita da minha mãe
$ sopa de letrinhas

Nove
hobbies estranhos:
$ a necessidade de ler a última frase de um livro antes de lê-lo
$ inventar palavras e gestos arcanos
$ andar pelada e saltitando pela casa quando estou sozinha
$ conversar comigo mesma (difere um pouco de falar sozinha)
$ fazer poses estranhas para fotos, principalmente quando tiro fotos sozinha (viva a invenção do timer)
$ fazer eu mesma minhas unhas, refazê-las porque não gostei do toque final, encher o saco e acabar não fazendo nada no final
$ todo meu ritual pré-banho
$ tentar soltar peidos barulhentos quando estou sozinha (adoro o barulhinho!!)
$ eu gosto de tentar fazer trancinhas nos meus pentelhos, mas eles geralmente não são grandes o suficiente, então eu deixo uma partezinha mais comprida (as vezes) só para poder trançar.


E, seguindo a tradiação (porque eu sou mesmo uma imitona e não consego quebrar conceitos e inovar tendências):
Nove
pensamentos maldosos que já tive:
$ não sou eu quem tenho que me preocupar com as criancinhas da áfrica que passam fome (embora isso não signifique que eu não deseje que as coisas melhorem para elas)
$ deu sem camisinha? pegou AIDS? BEM FEITO!
$ traficante de drogas tem mais é que morrer... e a grande parte dos usuários também
$ não tenho pena de pais ausentes cujos filhos cairam no crack (o coisa do tipo), quem mandou não cumprir o papel de pai?
$ estupradores são as mulherzinhas do presídio? Bem feito, podia ser pior. Aliás, DEVERIA ser pior
$ diabético e continua comendo açúcar? Tomara que perca o pé para aprender que só tu mesmo pode zelar pela tua saúde (esse é só em dias de extremo mau humor)
$ quanto a ataques terroristas ao redor do mundo, bem que um aviãozinho podia cair no palácio do planalto
$ quanto mais a pessoa se acha mais ela merece se ferrar
$ BEM FEITO que não passou pra Medicina, sua vaca! Pode ser que assim tu aprenda a ser humilde! (esse pensamento o pessoal até sabe pra quem se dirige)


E por hoje é só, pessoal!

Prólogo de algo que eu ainda não sei o título.  

Posted by: Cris Andersen in

Que calor infernal, pensou ela, que havia acabado de chegar magicamente na entrada de Zullah, a cidade fronteiriça com o deserto. Às suas costas estava a escadaria que conduz à entrada da cidade a partir do mar de areia, à sua frente, algumas barracas de comerciantes em uma espécie de corredor que leva à cidade em si. Em meio aos chamados dos comerciantes tentando vender suas mercadorias, percebeu que o item mais valioso nas barracas eram garrafas de água. Após uma viagem pelo deserto, nada mais natural que os viajantes estejam dipostos a pagar caro pelo refresco, infelizes daqueles que não podem desfrutar de meios mágicos de deslocamento, pensou a jovem de castanhos e compridos cabelos desgrenhados, enquanto caminhava em direção ao centro da cidade. Já havia estado em Zullah algumas vezes antes, de modo que não impressionou-se com as características daquele povo, cuja pele era escurecida e envelhecida pelo sol constante, apesar do uso de volumosas capas protetoras. Seguiu seu rumo observando as construções e acariciando seu melhor e mais fiel companheiro, um tipo de morcego que agora estava pendurado em seu pingente, o qual simula um poleiro. O pequeno animal, nomeado de Rusty pela estranha jovem, de fato, parecia-se muito com um morcego, mas aqueles que olhavam com atenção percebiam que os olhos eram saltados, a membrana das asas tinha um aspecto estranho, com algumas protuberâncias e os sons produzidos eram levemente diferentes de um morcego comum. Ninguém deu muita importância ao fato, entretanto.

Perdida em pensamentos, quando deu por si, a jovem estava em frente a uma grande construção esculpida em pedra, sem janelas. Uma escadaria de pedra conduzia à porta de duas folhas, em cuja madeira haviam alguns símbolos entalhados. Subiu as escadas, abriu a grande porta, notando que esta era bem mais leve do que parecia, e deparou-se com um corredor todo de pedra, com cerca de 3 metros de comprimento, finalizado por uma porta de folha única, em cuja porção superior haviam vitrais. Ao lado direito da porta havia uma espécie de lápide esculpida na pedra da parede onde estava escrito nas mais diversas línguas a palavra "Silêncio", ao lado esquerdo havia uma espécie de recipiente, pequeno e levemente aquadradado, também esculpido na pedra, com uma pequena fenda na face superior, que parecia revelar um interior oco. Tentou abrir a porta e a encontou trancada. Pensou um pouco, olhou ao redor e depositou uma moeda de cobre na pequena fenda, esperou, e nada aconteceu. Tentou abrir a porta e esta continuava trancada. Dez moedas de cobre equivalem a uma de prata, dez de prata a uma de ouro e dez de ouro a uma de platina, pensando nas equivalências, depositou uma moeda de ouro, sentindo-se saqueada mediante tamanho custo para consulta a livros. Nada aconteceu. Tentou abrir a porta e percebeu que esta estava destrancada, entrou, então, na biblioteca de Zullah, uma das maiores de que se tem conhecimento. Deparou-se com outro corredor também esculpido na pedra, de cerca de 3 metros de comprimento e finalizado por uma porta. Logo no início do corredor havia um balcão atras do qual estava uma elfa, aparentando cerca de 30 anos humanos, trajando um vestido simples e com os cabelos presos em uma trança totalmente desgrenhada para o padrão élfico. Que lugar estranho, pensou a jovem, elfos, seres quase eternos comparados à uma vida humana, em seus 700 anos de existência costumam ser mais belos e cuidadosos com sua aparência, orelhas tão pontudas e rostos de traços tão finos praticamente denunciam certo grau de futilidade, porém isso não se verifica com esta, deve ser a convivência com humanos, concluiu a moça. A elfa olhou para a jovem e seu morcego, reparou com certo desdém que a vestimenta da humana era composta de apenas um vestido longo, mangas curtas, levemente rodado e acinturado, relativamente surrado e não completamente limpo, o qual outrora havia sido em algum tom de azul, associado a uma leve sandália nos pés empoeirados. Perguntou, então:

- Em que posso ajudá-la?

- Vim em busca de conhecimento a respeito de deuses e seus planos de criação e existência.

A elfa virou-se e passou a analisar um enorme bloco de pedra onde estavam penduradas diversas chaves, certamente haviam mais de cem, meticulosamente organizadas. Escolheu uma, entregou à jovem e disse apenas para seguir o corredor e entrar na porta do final. A jovem percorreu o corredor pensando em quão diferente era a organização da biblioteca de Zullah. Destrancou a porta com a chave que lhe foi dada e adentrou em uma grande sala. Teve certeza que aquela porta na verdade era um portal mágico, o qual conduzia a algum outro plano, ou pelo menos algum outro local ainda dentro do plano material(*) que não uma sala imediatamente após a porta. Olhou ao redor e analizou o local. Era uma sala esculpida na pedra, retangular, medindo cerca de 15 metros comprimento por 10 metros de largura, com cerca de 10 metros de altura. Nos primeiros 5 metros de sala haviam 4 grandes mesas para estudo, duas a cada lado da porta de entrada. O restante da sala era ocupado por estantes contendo livros, sendo que as paredes também possuím livros, como uma estante embutida esculpida na pedra. Havia duas colunas de prateleiras, sendo que cada coluna era composta de doze estantes, cada uma com cerca de dez metros de altura, havia uma escada em cada um dos lados de cada estante. Cada uma das estantes era uma continuidade do chão ao teto, meticulosamente esculpidas. Ao lado da porta havia um homem parado, humano, gordinho, que deveria ser funcionário da biblioteca. Além dela, havia apenas mais um homem estudando no local, humano, aparentando seus 35 anos, cabelo escuro e curto, pele clara. Estava sentado em uma mesa distante cercado de livros e anotações, completamente absorto em pensamentos. Trajava um belo casaco azul, não condizente com o calor de Zullah, o restante da roupa estava escondido pela mesa, parecia carregar apenas uma leve sacola de couro e uma espada curta embainhada sobre a mesa. Após a análise a jovem concluiu que o restante do acervo da biblioteca deveria estar guardado em algum outro local, acessível apenas com a chave correta para abrir o portal.

Escolheu os livros desejados, sentou-se e começou a formular um encantamento. Notou que a magia não havia funcionado, sem enteder o porquê, concentrou-se e tentou buscar respostas, quando, então, percebeu que o funcionário da biblioteca estava ao seu lado terminando de completar uma frase:

- ... não é pemitido aqui.

- Aahn?!?

- Não é permitido o uso de magias dentro da biblioteca.

- Hm, mas essa magia não é danosa, apenas fará com que eu entenda a idéia geral do livro com um toque, economizando tempo para que, então, se for do interesse, eu o estude com mais afinco posteriormente. Er... hum... hã... com quem eu posso falar para pedir permissão para usar apenas essa magia?

- Acompanhe-me, senhora.

A jovem maga foi levada ao encontro do que ela acreditou ser o encarregado pela ordem da biblioteca. Após alguns minutos de conversa foi-lhe permitido o uso daquela, e apenas daquela magia, todas as demais continuariam sendo bloqueadas. Se não houvesse tamanha proteção, também não haveria tamanho acervo, pensou a maga. Voltou, então, à sala de estudos e recomeçou suas pesquisas com mais afinco do que nunca, afinal, nunca havia estado tão perto de, finalmente, encontrar o caminho de volta para o lugar onde, há tanto tempo, havia sido enviada contra sua vontade, apriosionada e usada por tempo suficiente para gerar uma prole, após perder a utilidade mandada de volta, forçando-a a abandonar um pedaço seu que lá estava. Sim, em breve atingiria o objetivo que tanto almeja.


***


Neste momento adentra o recinto de estudos um meio-elfo, raça mestiça fruto da cruza direta entre humanos e elfos, suas feições são finas como as de um elfo, porém com um toque rústico característico dos humanos. Face de traços delicados e orelhas afiladas, herdadas dos elfos, contrastam com um rosto levemente barbado e músculos mais proeminentes, resquício da herança humana. O meio-elfo de pele clara e lisos cabelos castanho-claro, prende-os em um "rabo-de-cavalo" apenas para que que não lhe caiam no rosto, veste-se com um robe característico dos monastérios em cujo peito há bordado o Berimbau de Baiano, símbolo do deus criador, calça sandálias e carrega uma leve mochila nas costas, não porta armas. Fecha, então, a porta que havia aberto, cumprimenta o funcionário da biblioteca e dirige-se às estantes. Escolhe os livros de seu interesse e senta-se em uma mesa a meio caminho entre a jovem maga e o homem absorto em pensamentos. Em silêncio, o monge começa sua pesquisa sobre o panteão local de Zullah, em busca de melhores argumentos que facilitem sua missão de levar a palavra e o poder de Baiano para os habitantes locais. Buscava meios para que sua missão, como servo de Baiano, pudesse ser cumprida, almejando sempre a comunhão entre corpo, mente e fé.

Em silêncio, cada qual com seus objetivos e medos, todos, individualmente, consumavam sua busca sem jamais imaginar o que estava prestes a acontecer.

Lições Durante a Vida  

Posted by: Cris Andersen in

Vocês já pararam para pensar em todas as coisas que aprendemos durante a nossa vida? Pois é, eu já. Nota-se que eu estou de férias e não tenho nada mais interessante para fazer da minha vida, então penso sobre coisas inúteis e, o que é ainda pior, escrevo sobre as mesmas. As bolas do Pablo cairiam se ele tivesse que escrever tanto. Finalmente sanei a dúvida que assola-me desde meus 3 anos de idade, o momento em que vi um homem desnudo pela pimeira vez o qual marcou-me para sempre. Sim, alguém foi capaz de explicar-me por que não tenho bolas. De fato prefiro escrever do que carregar acessórios entre as pernas, além de um ponto fraco a mais, elas nem sequer permitiriam-me fazer xixi em pé. Totalmente sem graça esse negócio de bolas aí.

Mas tá, não era sobre bolas que eu queria falar, e sim sobre as aprendizagens que temos ao longo de nossas humildes vidas. Primeiro aprendemos que viver apertado é bacana, em um mar me mecônio (cocô), mais bacana ainda. Tudo o que precisamos vem pelo umbigo e aquelas batidas constantes de frequencia variável são música a nossos ouvidos. Até que somos espremidos e expelidos a um mundo frio, claro e sem batidas, onde precisamos chupar uma teta para não sentir fome (nesse meio tempo aprendemos o que é fome e que chorar, quanto mais alto melhor, tras alguém para sanar a fome). E por aí vai, aprendemos a ver, ouvir, cheirar, conhecer e reconhecer. Tem o tal "caminhar com minhas próprias pernas", usar o peniquinho (e aí vem a lição de que comer e passar cocô pelas paredes não é legal). Até que um dia aprendemos as coisas que as professoras têm para ensinar-nos. Supimpa.

Em fim, faculdade. Nada na vida ensina mais para alguém do que a faculdade (é, nem sequer a questão do cocô). Bem, "nada nos REensina mais do que a faculdade" fica uma construção frasal melhor. Poxa vida, (re)aprendi que as cordas vocais na verdade não são cordas porcaria nenhuma, são fendas, e bem toscas, aliás. Também (re)aprendi que aquelas coisas brancas que as vezes vêm na carne, e que todo mundo sempre chamou de nervo, e ainda fez a piadinha "mas bah, que carne nervosa", na verdade são tendões, para nervos faltando muito e muito. Ou pior ainda, aquela historinha de sal em baixo da língua para pressão baixa é piada e funciona menos que placebo.

Mas, sem dúvida, a maior lição que a faculdade me ensinou até hoje é a de que estudar é variável menos impotante no que tange a notas finais. Discussões filosóficas de "aprender para a vida" deixadas um pouco de lado, nada é mais broxante que estudar de verdade para uma prova e o resultado final ser 9,0 para TODA a turma, independente do estudo e conhecimento (ainda que empírico) individual. Ou ainda, tirar 8,0 em uma prova com 20 ridículas questões, a serem respondidas 10 de minha escolha. E o que é ainda pior, tirar 9,0 em um teste valendo 10 com 5 questões objetivas (vulgo de marcar).

Sorteio de notas, tem coisas que só a faculdade faz por você.

Eu não entendo. E desisti de tentar entender.  

Posted by: Cris Andersen in

Acabei de atender a um telefonema. Era a mãe do meu padrasto. Em meio a alguns comentário familiares totalmente desinteressantes, ela comentou que iria visitar a irmã, a qual mora no mesmo pátio que a sogra e os dois irmãos do marido com suas respectivas famílias. Um desses irmãos têm 3 filhos, sendo que 2 moram também no mesmo pátio acompanhados de suas famílias. Um desses dois filhos, que no caso é uma filha, acaba de ganhar um bebê. Mais um bebê. Isso aí, a filha do irmão do marido da irmã da mãe do meu padrasto acaba de pôr mais uma criança no mundo.

O que vocês, caros leitores, têm a ver com isso? Pois é, nada. Pior ainda, o que eu, queridos, tenho a ver com isso? Também nada. O fato é que esse episódio todo me fez pensar, principalmente o fato de que essa é a quarta criança gerada por aquela mulher. E a dita cuja ainda não tem trinta. E o irmão, que tem seus 23 anos (dois a mais que eu), também já transmitiu seus genes a uma prole, composta de, até onde sei, uma criança. Nenhum dos dois têm profissão, deixando claro que trabalhar no comércio não é profissão, é emprego, e mesmo falando apenas de empregos, a nova (?) mãe finge que trabalha em uma loja de bijuterias pertencente ao marido (que só é pai dos 3 últimos filhos).

O assunto continua desinteressante, eu sei, mas aí eu pergunto-me, o que leva uma pessoa a querer pôr filhos em mundo como o atual, com poucas condições de prover-lhe um futuro promissor, dada a situação da família como um todo? E olha que não são pessoas faveladas e ignorantes. Lembro-me que uma das últimas vezes que conversei pessoalmente com as pessoas supracitadas foi mais ou menos na época que entrei para o CEFET (lá pelos meados de 2001), quando as mesmas zombaram de meus desejos profissionais, pensando ser idiota a idéia de dedicar-se aos estudos quando se pode trabalhar e ganhar dinheiro. É difícil imaginar um futuro mais promissor que entrar no mercado de trabalho com 15, construir carreira como vendedor de artigos femininos, não precisar preocupar-se com promoções no emprego e satisfazer-se plenamente com um salário de 500 reais até a idade para aposentar-se e então usufruir de uma velhice sustentada na base de aposentadoria de salário mínimo e com a mesa cheia de familiares para o churrasco de domingo. Mas eu sou uma pessoa criativa, embora difícil, consigo imaginar o que possa ser um futuro promissor diferente dessa utópica e perfeita vida.

É estranho, embora eu possa ser considerada uma pessoa extremamente empática, há coisas que eu realmente não consigo imaginar o que leva as pessoas a fazerem, seja perpetuar a espécie compulsivamente, mandar cartas de amor para presidiários, ou ler e o que é pior, acreditar e seguir piamente os conselhos do Terra Mulher. Se bem que eu consigo entender como alguém que lê o Terra mulher manda cartas para presidiários ou encara-se como salvadora da humanidade pondo filhos no mundo. Okay, já dizia algum personagem da Matrix: "a ignorância é uma virtude", mas tudo tem limite nesse mundo. Ou deveria ter.

Realmente não entendo, e desisti de tentar entender. Cada um faz o que bem entende. Só sei que eu não nasci para uma vidinha medíocre. Só espero que da próxima vez as pessoas guardem suas opiniões de cabeça pequena para si, poupando-me de ficar por meses preocupada e pensando se não seria melhor procurar um emprego e abandonar os estudos em busca de futuro imediato.

Início de Férias  

Posted by: Cris Andersen in

Estou de férias. Oficialmente. Passada. Sem vontade de fazer xixi. O que significa que estou apta a fazer quase qualquer coisa que me dê vontade (e o que não me dê vontade também, considerando que nem sempre as coisas são como gostaríamos que fossem).

Mais um semestre se passou, e esse foi o sétimo a passar. Quem diria, quarto ano. Faltam apenas dois. E, findados esses dois, ganharei meu número de CRM e possuirei, então, o tão desejado carimbo. Até lá atenderei pacientes que não são meus, arcarei com decisões que não são minhas, e não ganharei méritos que são meus por direito. Faz diferença? Claro que não, no fim todos são iguais mesmo. O que pretendo fazer depois? Depende. Residência? Claro que sim, resta decidir em quê e onde. A única coisa que tenho como certa é fazer o meu melhor na medicina (o que, infelizmente, nem sempre é suficiente) e dedicar-me ao italiano. Voltar às origens. Uma das poucas coisas que tenho como certas entre meus desejos e planos futuros. Já aviso que sei que não será fácil. Em nenhum dos pontos citados.

E nesses dois anos que me restam? Qualquer um que conheça um pingo a respeito de mim sabe que eu jamais conseguiria dedicar-me inteira e exclusivamente a atividades acadêmicas (talvez seja por isso que eu não seja boa o suficiente). Pois é, queridos, eu jamais serei a número um, exceto em situações cuja concorrência seja repleta de acéfalos, o que, em geral, não é verdadeiro. Aí eu fico pensando, valeria a pena recusar meu RPGzinho sagrado dos fins de semana em troca de um 9 aos invés de um 7,5? Não, do mesmo modo que eu não trocaria 25% da minha inteligência por 25% a mais de beleza, até porque não existe mulher feia, existe mulher pobre. A menos que minha beleza extra me desse um marido bem rico, a inteligência fará de mim melhor sucedida, e sem depender de ninguém, o que é melhor. O que tudo isso quer dizer? Não troco meus momentos de diversão por nada (bem, nada que me tenha sido oferecido até hoje). Muito menos meus momentos de diversão entre amigos.

Oh sim, amigos. Eu os tenho. E esses sim eu não os trocaria por nada. Ora, nem sequer um 10 na malfadada prova de bases da técnica cirúrgica e anestesiologia (nome bonito né? podem chamar de BTCA se quiserem) seria capaz de suplantar momentos maravilhosos que tenho ao lado daqueles a quem chamo de poucos e bons. Nem tão poucos, felizmente, mas muito bons. o que eu quero dizer é, neste mundo não há nada melhor que bons momentos junto àqueles que amamos. E vai dizer, quem aqui trocaria um montinho pra foto por uma nota maior em uma medíocre prova?



Ou ainda, sejamos francos, comemorar aniversários entre amigos é muito mais que comer e dar presentes, é um momento de confraternizar e reafirmar os laços de amizade, quase como uma daquelas cerimônias de bodas de prata, ouro ou o que for, só que sem lembrancinhas com o nome de todos e duas alianças entrelaçadas. Eu sempre achei as pombinhas mais legais, mas não combinam com um grupo grande de amigos, exceto quando se fala em surubas, mas no fim das contas suruba nunca esteve lá muito presente no meu grupo de amigos, mesmo. É, deixa só as fotos mesmo, cria menos problemas. Ou não.

Falando em aniversários, legal quando as pessoas comemoram os anos abertos pertinho umas das outras, desde que não comecemos a imaginar nossos pais nove meses antes. Que desagradável. Desagradável mesmo é pizza ruim, e pior que pizza ruim é atendente mal educado. No fim isso nem faz lá tanta diferença, exceto para dar mais assunto para um post, afinal a intenção é a reunião e diversão, e não o ato de comer em si (não?). Mas o que importa é que, apesar de todos os pesares, só quem é mesmo muito retardado tira foto em uma pizzaria fazendo pose de time de futebol. E eu ainda acho que só aquele que sabe controlar e rir de sua loucura é capaz de divertir-se de verdade.



E o mais legal de tudo é cortar o aniversariante da foto. Nós te amamos do mesmo jeito viu? E a Ingrid, querida, mais presente do que nunca, contando com inúmeras vantagens, do tipo não pagar e não engordar. As pizzas estavam ruim mesmo.

Melhor que reunião para aniversário, é dupla reunião para aniversário, e isso só o Moisés é capaz de fazer por você. Falando nisso, ainda tem algum mísero pedacinho daquele bolo magnífico e maravilhoso? Quem não foi perdeu. E perdeu MESMO. O bolo foi a recompensa pela amizade verdadeira, afinal só quem comparece nos dois dias pode ser classificado como amigo de verdade. Han han han?!?!!?

Ah, sei lá meus queridos pulhas. Amo vocês e não trocaria meus momentos felizes por nada. Que cada um consiga o sucesso e que todos sejam muito felizes, mesmo que longe de mim. Enquanto isso eu sigo lutando pelo que desejo do modo como creio ser justo. Ser feliz é o que importa, seja com 10 ou 7,5.

Estímulo  

Posted by: Cris Andersen in

Em um restaurante de hospital:

- Oi Fulaninha, posso sentar pra almoçar contigo?

- Claro, professor.

- E então, já leu as artigos para a prova de amanhã? O que achou?

- Li sim, são bem interessantes.


(chomp chomp chomp)


- Ta difícil a prova. Bem difícil.


(chomp chomp chomp)


- Até mais, Fulaninha, te vejo no exame.





(tão estimulante!!!)

Respeito  

Posted by: Cris Andersen in

Depois de uma provinha de psico, com certeza eu teria muito, mas muito o que dissertar. Contudo o que eu realmente quero falar está situado um pouco mais no mundo da fantasia, tendendo ao mundo fantástico da Cristine, não tanto na realidade ou o que eu acho ser realidade, muito embora quase sempre pareça totalmente irreal e até mesmo falso.

É de conhecimento semi-público que eu adoro ler, muito embora eu não costume escrever muito a respeito dos livros que leio. Confesso que sou leitora pseudo-intelectual, preferindo, estranhamente, ao invés de filosofias como Nietzsh (assim que escreve?), romances, desde o policial com Agatha Christie, médico com Robin Cook ou simplesmente romance mesmo, com Sidney Sheldon. Não sou adepta a escritores nacionais e minha verdadeira paixão paira nas histórias de fantasia medieval.

Sim, fantasia medieval, aí que está minha paixão e onde concentra-se minha última leitura. Forgotten Realms, A Jóia do Halfling, terceiro livro de uma trilogia, muito embora as obras pudessem ser separadas sem problemas, pois fora a cronologia nada torna a obra uma verdadeira trilogia, como Senhor dos Anéis. A saga não tem o que se chama de personagem principal, porém um deles cumpre esse papel muito bem, mais por sua personalidade que por ser o centro da história. Pra quem conhece ou virá a conhecer a obra, refiro-me ao drow (elfo negro) Drizzt Do'Urden, aquele que renegou suas vis origens e trocou o mundo subterrâneo e maléfico de seu povo pela superfície, onde vive de acordo com seus próprios princípios, porém rejeitado e pre-julgado devido à cor de sua pele, a qual reflete a fama (justificada) de seu povo. Não muito diferente dos dias atuais onde a cor da pele leva a pré-jugamentos, porém estes são baseados em puro preconceito, não na fama de todo um povo anterior.

Drizzt Do'Urden é um indivíduo que, apesar das aparências, conquista o respeito de quem quer que consiga aproximar-se o suficiente para conhecer-lhe a verdadeira índole. E, embora este fato em si nada tenha de simples, o motivo que leva a isso é estremamente singelo, Drizzt Do'Urden tem o coração puro, age de acordo com o que julga ser correto e tem um senso de noção (vulgo 'lawful') invejável. Entretanto, o motivo principal não é esse, mas sim a incrível capacidade que o renegado drow tem de demonstrar respeito para com as pessoas, não apenas seus adversários. É, respeito.

Eu mesma, sempre pensei que respeito era uma coisa que deveria ser conquistado e, a partir do momento que alguém o fizesse, tal pessoa seria digna de todo e qualquer esforço de minha parte, a começar com minha mais sincera amizade, lembrando que amigos, como eu tenho a capacidade de ser, são extremamente raros por aí. Entretanto, um pensamento desse tipo não deixa de ser megalomaníaco, pois parte do princípio que meu respeito é algo digno de ser conquistado.

Algo digno de ser conquistado, chega a ser engraçado, pois, na verdade, respeito é o mínimo que eu devo dar pra QUALQUER pessoa, partindo do princípio de que todos são dignos de, no mínimo, ser tratados com respeito. E é essa capacidade de respeitar as pessoas que faz com que Drizzt Do'Urden tenha um carater tão melhor que qualquer outra pessoa (muito embora ele seja um ser de carater fictício).

Quem sabe um dia eu consiga dispensar respeito às pessoas com quem tenho contato, sejam elas quem forem, pois somente com respeito é que se ganha respeito de volta. E eu tenho toda autoridade pra poder dizer, como é ruim ser desrespeitado e subestimado.

Mais um Fim de Semestre  

Posted by: Cris Andersen in , ,

Hoje terminou a cadeira de radiologia. Última prova, sem muitas despedidas e o inveitável desespero quanto às perspectivas das próximas provas que estão por vir. É, mais um fim de semestre na faculdade de medicina. Mas voltando ao assunto da prova, o professor de radiologia pediu nossa colaboração para a "aula da saudade" (que eu to com preguiça de explicar o que é agora), colocando como uma questão da prova o seguinte pedido: "Eu médico. Medos e Esperanças" (ou algo do tipo, mas que espressava esa idéia aí mesmo). E então eu dissertei. Dissertei mas não lavei a alma. Escrevi muito e no fim das contas disse muito pouco. E saindo da prova, já no corredor, apercebi-me que, dentre todas as palavras escritas em péssima caligrafia naquela folha de papel, em nenhum momento o mais importante foi dito. O que eu realmente tinha vontade que ele soubesse não foi explicitado. O que ele, sem dúvida alguma, merecia saber não constava na minha resposta. E então me arrependi. E logo após lembrei que eu havia adicionado o endereço deste blog para o caso de ele querer encontrar mais algumas filosofias de banheiro sobre o que eu penso do meu "eu como médica", e quem sabe até mais alguns eus por aí. Não que eu seja o melhor exemplar dentre os estudantes de medicina, mas eu sou igualzinha a qualquer um de lá, sem muito o que tirar ou pôr. E eis, então, que tranquilizei-me e pensei que ainda poderia ter uma segunda chance de poder dizer o quão especial ele foi pra mim nesse semestre, não tanto pela cadeira em sim, mas pelo exemplo de como ser um bom médico, os ensinamentos empíricos de como ser uma boa pessoa, o exemplo concreto de como ser um bom professor. E eu espero que ele realmente passe por aqui e veja isso, pois é importante pra mim que ele saiba o enorme carinho que eu tenho por ele, desconsiderando todo o tipo de piada que pode ser feita pelo fato de ele "me conhecer por dentro".

E é pensando nisso que resolvi anexar neste blog um texto escrito por mim datado de antes da existência deste endereço eletrônico. Um texto que escrevi no final do meu quinto semestre, em agosto de 2007. Não que seja a leitura mais dinâmica, divertida ou instrutiva possível, mas etm algum valor pra quem quer entender um pouco mais dos sentimentos estudantis de um pseudo-médico ao longo da faculdade. De coração, espero que seja de alguma ajuda, e mais do que eu isso, que eu tenha conseguido expressar aquilo que não pude com caneta e papel na mão.




"Mais um fim de semestre da Medicina.

Fim de semestre. Todo mundo já passou por isso. E todo mundo sabe como é.
Provas. Provas. Provas. Mais algumas provas. Exames.

E muito embora o semestre tenha sido muito diferente do habitual, a rotina de enceramento tem seguido a tradição comum (esclarecendo que eu não considero o encerramento da bioquímica um ritual comum).
Retrocedendo um pouco os acontecimentos, em uma nada (in)consciente tentativa de fugir do exame de competência e de provas finais, volto aos diversos sentimentos que tive durante esse semestre.

Inicialmente, em nenhum momento, dede o início do tempo que minha memória permite classificar como início, eu havia me sentido tão, mas tão, tão incompetente. Lidar com o saber que nada se sabe foi muito difícil no começo. Feliz ou infelizmente eu consegui entender que o erro não foi meu, e sim do sistema. Afinal, sair da fisiologia (onde tudo é normal) e ser largada no hospital (onde tudo é anormal - pois se assim não fosse não haveria porquê ter pacientes por lá), não apenas me tira a obrigação de saber o que se passa com os pacientes, mas primordialmente me da o pleno direito de estar perdida e não saber sobre nada do que é falado.

Mas sabe, minha inutilidade aflorada foi um dos menores problemas (pelo menos depois que eu entendi a causa dela). Assistir a um paciente, ainda que pouco (ou nada) conhecido, literalmente definhar em um leito de UTI, foi mais complicado do que eu previ que fosse quando me perguntavam o que eu faria em tal situação. Ainda hoje tenho vivíssima a imagem dele dissertando a respeito da sua situação pós laxante (mais um dos inúmeros erros da enfermagem que presenciei). Lembro da tamanha felicidade quando teve alta e a face de dor quando inafortunadamente teve que voltar. Contudo, o realmente pior foi ver um corpo sem mente, totalmente amarelo, inchado, com edema sanguinolento palpebral severo. Não sei se o fato de eu não ter visto o corpo sem vida, porém em paz, foi melhor ou pior para o que eu estava sentindo.

Esse semestre foi muito mais que apenas um semestre da faculdade, foi tempo de aprendizagem para a minha vida, toda ela.
Aprendi como é tênua e linha da vida, e como se pode ultrapassá-la num piscar de olhos, abaixo do nariz de muita gente.
Aprendi que os sentimentos alheios são muito mais preciosos que os nossos, e que a compreensão desses diferentes e valiosos sentimentos é que me fará não apenas uma médica, mas uma pessoa melhor.
Aprendi que não se sabe muito mais do que se sabe, e que, embora devamos ao máximo lutar contra isso, temos que entender que assim será sempre. Apenas a humildade poderá tentar tornar nossa inútil situação (um pouco) melhor.
Aprendi que o mais sábio não é aquele que fala palavras de sabedoria, mas sim aquele que consegue guardar para si comentários inoportunos.
Aprendi que a vida é curta e viver é mais importante que tudo, até mesmo do que ser "uma pessoa plenamente realizada pessoal e profissionalmente". Não posso desperdiçar meus dias sabendo que tem tanta gente implorando por apenas mais algumas horas. Coisas abruptas também podem acontecer comigo, e o fato de eu lidar com a doença mascara mas não elimina o medo que tenho de terminar exatamente como quem busco ajudar. "



E assim finalizo esse post.

A Arte de ser Médico.  

Posted by: Cris Andersen in

Ter uma profissão é difícil. E eu digo isso com toda a autoridade de alguém que está construindo uma profissão. Não posso falar de todas as outras, afinal eu nunca tentei ser estilista, nem publicitária, sequer engenheira. Não que eu nunca tenha pensado em todas essas possibilidades e algumas mais, como ser modelo, austronauta ou simplesmente mulher de marido rico. De qualquer modo, não importa qual seja a profissão, ela exije mais que dedicação, implora habilidade.

Taí, habilidade. Embora pra todas as outras coisas exista mastercard, habilidade o dinheiro não compra. Claro que muitas vezes a habilidade pode ser substituída por algo que o dinheiro comprou, tipo uma vaga na universidade, o que, aliás, estou até pensando em me candidatar para fazer provas para alguéns mediante pagamento, porém esse pequeno deslize das regras ficará omitido para maior convencibilidade da idéia expressa no meu texto. Sabe como é, se eu for levar em conta todas as variáveis eu não acabo isso aqui hoje, e quando acabar será um magnifico escrito candidato ao prêmio nobel de alguma coisa. E eu não tenho nem habilidade (ha ha) nem tempo para gastar com isso, afinal a minha luta por adquirir uma profissão consome bastante do meu tempo.

Puta merda, eu faço curso pra ser médica, beleza, mas bem que paciente podia fazer um cursinho, desses intensivos de verão pra ser paciente também, né! Se eu pergunto "fulaninha, como é essa tua dor?", a resposta "ah, é uma dor que dói" não explica lá muito bem o que eu quero saber. E é claro que a resposta "hum, é um comprimidinho branquinho, redondinho e com um risco no meio" também não me ajuda a indentificar qual o bendito remédio que a criatura toma, sem contar que ninguém me convence que alguém que tome o mesmo remédio, todos os dias há sei la eu quanto tempo não vai saber o nome. Tudo isso pra não mencionar "ah, meu relacionamento com a patroa vai bem", e pior que o "bem" só o "normal".

Tche, como eu odeio quando eles respondem "normal". Até porque depois que a gente ouve "ná, eu não bato na minha mulher, só o normal", eu passo a ter sérias dúvidas quanto ao que eu posso classificar e entender como normal. E é exatamente aí que complica a tal da história da habilidade, pois aqui sim, não adianta comprar vaga, quem não consegue entender o que as pessoas dizem sem dizer jamais conseguirá ser médico. E para os aspirantes eu já aviso, eles nunca dizem. Parece que para ser médico, além do poder de decidir quem vive e quem morre, também é pré-requisito a habilidade de ler pensamentos, pra não mencionar, é claro, memória eidética.

E eu, como competente aspirante a médica, adquiri o hábito de sempre adicionar a meu questionário "normal como?", pois mesmo que de imediato eles respondam "normal ué!", em geral alguma coisa mais útil no contexto médico é extraída logo após. Vide o paciente que responde "minha vida sexual está ótima, plenamente satisfatória. Faço sexo uma vez a cada 6 meses". E o médico competente associará essa resposta ao fato de ele ser o padre de uruguaiana e então entenderá o significado que tem, para esse paciente específico, "plenamente satisfatório".

Gorda não, grande.  

Posted by: Cris Andersen in , ,

- Ei, a Joana vai dirigindo, mas como vamos nos dividir nos outros quatro lugares?

- Ah, a Josefa é maior, vai na frente?

- Ta me chamando de gorda?

- Não, de grande... alta.

- Mas não faz diferença a altura, afinal uma de um metro e meio com um bundão encomoda atras muito mais que uma de um e noventa dona de uma bundinha.

- Hum... então critério pra divisão é tamanho de bunda... vamos medir?!?!

- Não.

- De qualquer modo, nem precisa medir. Josefa, vai na frente.


Holy Crap.  

Posted by: Cris Andersen in


Pra esse bando de chatos aí pararem de encomodar porque eu largo meu blog atirado às traças. E pra espantar as moscas do local (e olha que nem está tão empoeirado assim, considerando que estou em fim de semestre), nada melhor que mostrar meu enorme senso de humor e tentar descontrair e principalmente abstrair.

Depois do meu 1/10 em técnica cirúrgica, realmente queimarei neurônios com coisas inúteis, sairei menos à rua e, consequentemente, encontrarei menos motivos para sorrir (ou gargalhar) em público mediante gafes alheias.

Oh holy crap.

Se bem que até sei qual será o tema do próximo post. Um pouquinho mais de empolgação, tempo e boa vontade farão com que a coisa aqui flua agradavelmente. Afinal, um blog deve ser divertido para que as pessoas queiram visitá-lo. Infelizmente eu não vejo muitas coisas divertidas por aqui.

Nerd, eu?  

Posted by: Cris Andersen in ,

Apesar de eu já ter adentrado na era da internet de alta velocidade, há momentos que não posso deixar de sentir-me estagnada do período dial-up. Isso porque, apesar de 750 Mb de pura emoção digital, porém dividido com um irmão adolescente que descobriu as maravilhas da indústria pornográfica on line disponível para download, faz com que tentar assistir vídeos noYouTube protagonizados por Achmed, The Dead Terrorist seja uma tarefa árdua, demorada e requerente de demasiada paciência. Minha sorte é que o YouTube não está, mesmo, indexado a meus favoritos, o que não muda o fato de estar bastante dificultada a execução dos meus desejos intrinsicamente nerds de baixar seriados americanos babacas e deliciar-me com situações totalmente exageradas mas que, dadas as devidas proporções, não posso deixar de identificar-me.

Eu sempre encarei a mim mesma como uma pessoa nerd. Fato. Não que eu tenha entrado na faculdade com 11 anos de idade, graduado-me com 15, concluído o PHD com 18 e aos 21 já estar concorrendo ao prêmio nobel de neurociência por uma grande descoberta no campo científico trabalhando por uma grande e renomada universidade norte-americana. Mas, ao contrário das pessoas em geral, interesso-me por assuntos como física quântica, astronomia e principalmente neurociência, o que, infelizmente, não significa que de fato eu tenha algum conhecimento nesses ramos, até porque há 3,5 anos meu tempo livre (leia-se não dedicado à medicina) é gasto jogando RPG ou escrevendo em um blog, enquanto, infelizmente, aquilo que aprendi antes de 2005 foi, inevitavelmente, substiuído por alguma informação menos relevante como o ciclo de krebs ou o papel das citocinas na resposta inflamatória no trauma cirúrgico. Se algum dia eu conseguir, de fato, entrar no ramo de pesquisas da neurociência, tentarei desenvolver mecanismos neurobioquímicos de tornar o cérebro humano um HD de maior capacidade, quem sabe até com uma entrada USB. Que sonho!!

Apesar disso, eu ja me achei uma pessoa dentro dos padrões de normalidade, exatamente como qualquer um, sem o que tirar nem pôr. Eis, então, que eu passei no vestibular e comecei a cursar a faculdade. Aí eu vi que não é normal meninas da minha idade andarem de tênis, nem pintar o cabelo de escuro, ou ter seu guarda roupa formado de roupas em sua maioria de cor preta, muito menos andar de cuturno, all star então, nem se fala. Percebi que a maioria das pessoas pensa que jogar RPG envolve sacrifício de cabras virgens e até criancinhas inocentes, algumas pessoas não entendem que quem usa roupas pretas não necessariamente quer parecer malvadeza, e parece que ninguém encherga o quão confortável é um bendito tênis, principalmente quando se caminha quase 1km entre a casa e a faculdade, aliás, caminhar já é meio anormal, já que pessoas definitivamente dentro dos padrões da normalidade têm carro, e quem não tem carro tem motorista. A faculdade definitivamente me mostrou que pensar é privilégio de poucos e que ser diferente não é nada divertido, porém felizmente a espécie humana é dotada de capacidade de adaptação em sociedade, o que faz com que a coexistência torne-se menos desagradável às custas de uma máscara mais agradável aos olhos daqueles com quem temos que obrigatoriamente coexistir, sem, no entanto, necessariamente conviver.

Tudo isso porque eu, finalmente, consegui baixar a primeira temporada do seriado "The Big Bang Theory". O fato de as legendas estarem em espanhol (preguiça) não impede a diversão ambientada em um mundo mais do que completamente nerd. Escrachado (ou seria com "X"?!?), de fato, mais ainda assim, dada as devidas proporções, parecido com como eu sinto-me mediante o filme da minha vida. Se eu pudesse, claro que jogaria World of Warcraft, trabalharia no ramo de pesquisas científicas, faria experiências com a separação das proteínas do ovo como teste de sabor e venderia meu esperma para um banco especializado em fecundações artificiais para a geração de crianças de alto QI. Claro que eu faria. Entretanto, adaptado à uma estudante de medicina, brasileira, QI dentro da faixa da normalidade e financeiramente desqualificada, eu também sinto-me meio perdida nas relações interpessoais e em como é a vida lá fora, onde não terei tempo para consultar algum dos meus livros (mais uma vez viva a era digital).

Eu tenho sobrevivido bem nesses 3 anos e meio, porém tenho lá minhas dúvidas se algum dia realmente irei integrar-me a este mundo de pobreza intelectual, baixa aspiração ao conhecimento e iminente preguiça de pensar. Ainda bem que ainda há quem jogue RPG sem o compromisso de sacríficios sanguinolentos e com a capacidade de aprender que usar uma varinha de bola de fogo em si mesmo, principalmente quando se está à beira da morte, não é uma coisa muito esperta de se fazer, até porque varinha de bola de fogo não cura.




The Big Bang Theory

Our whole universe was in a hot dense state,
Nosso Universo inteiro estava em um estado quente e denso,
And then nearly fourteen billion years ago
E então há quase 14 bilhões de anos atrás
Expansion started. Wait…
A expansão começou. Espera…
The Earth began to cool,
A Terra começou a esfriar,
The autotrophs began to drool,
Os autótrofos começaram a babar,
Neanderthals developed tools,
Neandertais desenvolveram ferramentas,
We built a wall (we built the pyramids),
Nós contruímos uma parede ( nós contruímos as pirâmides),
Math, science, history, unraveling the mystery,
Matemática, ciência, história, desvendando os mistérios,
That all started with The Big Bang.
Isso tudo começou com O Big Bang.
Bang!!!
Bang!!!



Seio Bom X Seio Mau  

Posted by: Cris Andersen in

Seio Bom X Seio Mau. Bebês têm fome. Ter fome é uma coisa ruim. Se me deixam ter fome, querem o meu mal. Seio muito mau este que abandona-me e permite que eu sofra dessa maneira cruel: fome. Tenho raiva. Choro odiando aquele seio mau que quer apenas meu mal. Eis, então, que surge um segundo seio, mas este, por sua vez, é incrivelmente bom. Sana meus desejos e de mim tira os sentimentos ruins: a fome. Deleito-me de prazer, deliciado com tamanha bondade. Amo esse seio incrivelmente bom que para mim só deseja o bem. Qual não é, então, minha surpresa, quando enfim descubro que a melhor a pior coisa que poderiam existir, aquela que mais amo e aquela que mais odeio, na verdade, não passam de duas faces de apenas um só. Como é possível que algo tão horrendo e que a mim tanto odeia reciprocamente, possa ser também aquela coisa maravilhosa, a que tanto amo também reciprocamente, e que de mim tira todos os males? Sinto fome e odeio com todas as minhas forças, tenho minhas angústias sanadas e amo, do modo maior e mais puro que pode existir. E então culpo-me por ter tido a audácia de odiar aquilo que tanto bem me tras. Como é possível que bem e mal estejam assim reunidos em um só? Como é possível que amor e ódio possam ser assim direcionados para um só? Sofro, odeio, recebo, amo, culpo-me.

Novamente eu, exemplar ortodoxo dos Homo Sapiens sapiens, experimento sentimentos de dualidade carregados de amor, ódio e, consequentemente, culpa. A diferença é que o foco ansiogênico dessa vez não é o 'seio bom X seio mau', nem 'aquela mãe maravilhosa que me cuida X aquela bruxa medonha que quer roubar aquele maravilhoso homem (vulgo pai) de mim', nem qualquer outro conflito puramente inconsciente que povoa de ansiedade o desenvolvimento infantil e adulto jovem. Meu conflito, paradoxalmente, é puramente consciente e tange aquilo sem o qual eu não teria conhecimento sobre o que falo. Bendita X Maldita Psicologia (Médica IV).

É estranho. Sim, eu simplesmente AMO entender o funcionamento de coisas que, até então, pareciam totalmente sem sentido, ou pior, sem significado, sem alguma explicação mais convincente do que um apenas "é porque é". Por exemplo, algumas características do universo masculino contrastadas com o universo feminino, as quais finalmente adquiriram algum significado. Sendo mais específica: machos, por não perderem muito tempo de sua vida reprodutiva gestando, em geral não têm preocupações quanto ao bem estar da prole, de modo que seu intuito principal é espraiar seus genes, ao passo que as fêmeas tem por obrigação natural, além de cuidar da prole, escolher um macho com a melhor genética, para que, assim, os decendentes sejam o mais geneticamente perfeitos possível. Isso explica porque a poligamia é naturalmente masculina, bem como porque as mulheres são (e devem ser) muito mais seletivas quanto a seus parceiros em potencial. Tudo isso sem mencionar que os parceiros preferenciais são aqueles geneticamente mais perfeitos, e como o genótipo se manifesta através do fenótipo, não é de se estranhar que a aparência física conte tantos pontos para a fatídica escolha. Mulheres com medida da cintura de 80% do quadril e seios fartos, juntamente com os homens altos, fortes e de ombros largos, tendem a ser melhores reprodutores que seus companheiros de gênero sem tais características de simetria.

Falando em escolher pares pelo melhor fenótipo, outra manifestação genotípica são os feromônios, que nada mais são do que fragrâncias naturais geradas pela degradação bacteriana do suor em locais de junção pele-cabelo (cabeça, axila e região pubiana). Através desse cheiro característico de cada indivíduo temos a capacidade de perceber, ainda que inconscientemente, aqueles cheiros que são mais próximos ou mais distantes da nossa genética, de modo que os aromas mais agradáveis a nosso olfato serão, certamente, aqueles cuja genética é mais distante da nossa. A natureza é mesmo muito sábia, afinal qual lucro ela teria em heranças recessivas combinadas gerando indivíduos portadores de anomalias? Claro que heranças recessivas de qualidades também poderiam ser herdadas... mas, vale a pena a tentativa? Em comunidades isoladas (cruzamentos consanguíneos obrigatórios) com certeza, mas esse não parece ser nosso caso. Não mais.

Ainda falando em feromônios, chega a ser engraçado analisar os ditos rituais de sedução, tipo conversa ao pé de ouvido, dança com os braços levantados, abraços apertados e situações afins. Maneira totalmente inconsciente porém imensamente clara de fazer nossos íntimos e pessoais cheiros chegarem nos narizes daqueles que gostaríamos que os sentissem, e agradassem-se, é claro. Mais uma vez espanto-me com a sapiência da natureza.

Voltando para as escolhas, nada mais natural que cada um escolha parceiro que melhor lhe convém. Fêmeas precisam de um companheiro que lhes auxilie com a prole, alguém discorda que o fulgor da juventude masculina só iria atrapalhar esse auxílio? Nada mais natural que as mulherem tenham a tendência a procurar homens mais velhos, por consequinte mais estáveis. Já os homens precisam de uma fêmea boa reproduta, capacidade que, comprovadamente, diminui com o avançar da idade. Logicamente é natural que os homens tenham melhores olhos para as fêmeas mais jovens. Não é a toa que a preferência geral sejam as loiras (símbolo de juventude, afinal o cabelo escurece com a maturidade sexual), com pernas e axilas depiladas (lembrando pernas e axilas infantis).

E ainda tem toda a questão de o par perfeito ser a imagem do genitor de sexo oposto. A coisa não funciona bem assim como estamos acostumados a ouvir. Simplesmente nós montamos nossoo conceito de certo e errado, bom ou ruim com base naquilo que temos contato durante nosso desenvolvimento, de modo que nossos perfis de parceio ideal serão contruídos com base naquelas experiências que tivemos, não necessariamente com o pai, mas com qualquer pessoas do sexo oposto com quem tivemos contato, pais, irmãos, tios, vizinhos, primos, e etc. O tipo de relacionamento vai definir se encaramos aquilo como bom ou ruim. E não é que faz sentido?

É, eu simplesmente AMO entender o funcionamento de coisas que, até então, pareciam totalmente sem sentido, mas ao mesmo tempo uma coisa bem ruim me invade. Uma sensação de que eu não sou eu, que sou totalmente governada por coisas que não conheço, não entendo e o que é pior, não controlo. No fundo eu não passo de sinapses elétricas, interações bioquímicas, entra sódio e sai potássio. E aí vem a pergunta que não quer calar, conhecer o razão e o funcionamento de algumas coisas compensa a sensação de ser ínfima e impotente até mesmo sobre mim mesma?

Renascimento  

Posted by: Cris Andersen in

Pôr pingos nos is. Cortar os tês.
Todo mundo deveria ter conversas esclarecedoras com mais frequência na vida. Facilita o entendimento e permite o aprendizado. E entender e aprender é tudo na vida, não é?

Falando em entender e aprender, quando a nossa mãe nos manda estudar para ser alguém na vida, quando temos lá nossos 7 anos de idade, parece que a coisa vai ser agradável. Amiguinhos, professora e algumas novas lições a cada dia.

Quando chegamos no ensino médio tomamos conhecimento do tal vestibular, mas amigos, colegas, jardins, cantinas, saguões, bibliotecas e RPG fazem com que estudar para ser realmente alguém na vida não seja algo muito enfadonho.

Só depois de muito tempo de dedicação é que apercebemo-nos do que "lutar para crescer" realmente significa. Aprendemos que nosso esforço nunca é suficiente, o tempo que dispomos sempre é escasso, sempre tem alguma coisa importante que não sabemos, parece que todas as coisas que não sabemos são as importantes, sempre tem alguém que é melhor que nós em tudo, e, cada vez mais, as coisas simples tornam-se raras e o foco é cada vez menor. Velha história de que o ser humano, para ser realmente bom, tem que saber cada vez mais sobre cada vez menos. Poxa, é pedir demais para ser uma boa médica mas não necessariamente ser uma alienada quanto a coisas como física, química e história? A sensação que tenho é de que são coisas excludentes.

Tangenciando coisas que excluem uma a outra, estranho como as vezes excluímos pessoas das nossas vidas. Pessoas importantes outrora que depois um tempo parece que nem existiram. Engraçado como cometemos erros, como acreditamos em coisas erradas, como vemos as coisas de modo diferente daquilo que realmente se passa. Estranho como pomos o orgulho acima da amizade, o ressentimento acima da confiança, o medo acima da esperança. Triste como pequenos mal entendidos viram uma bola de neve e estragam coisas que tinham todos ventos a seu favor... e quando vê... naufragam.

Simbolizando por naufrágios, não é porque a carcaça caiu no fundo do oceano que deve ser esquecida, aliás, por mais que seja uma carcaça velha, quebrada e cheia de limo, ainda é uma carcaça, ainda conta sua história, ainda mostra o que já existiu e, sem dúvida alguma, pode ter seus artefatos reaproveitados. E, convenhamos, decoração moderna é muito prática, mas ninguém discorda que peças antigas, muito mais que exalam história, elas revivem o passado.

De fato eu gostaria de reviver alguns pontos do meu passado, porém a impossibilidade do fato não muda a questão de que o passado, muito embora não possa ser revivido, pode ser ressucitado, ou renascido, mais precisamente. Quantas Josefinas existem perambulando por aí em homenagem a suas avós? Isso aí, renascimento.

Portanto, depois de todos os pontos esclarecidos, estou pronta para renascer e permitir de coração aberto o ressurgimento. Que reapareçam a confiança, o carinho, o amor, o bem querer e todo e qualquer sentimento (que por ventura posso não lembrar algora) que esteja englobado em uma verdadeira amizade.

É possível? Claro que é, basta querer. E eu quero.

Acabando com a minha vida para salvar a tua  

Posted by: Cris Andersen in ,

Definitivamente, vida de estudante não é fácil. Ou pelo menos a minha não o é. Poxa vida, levanto as 6:30h da manhã, com sorte consigo dormir as 11h da noite, tenho mal e porcamente 2h para almoço (já contabilizado o tempo de deslocamento). Trabalho em turno integral DE GRAÇA. E aquele período do dia em que a maioria das pessoas descansam, vêem televisão e tomam seu chimarrão, eu, aspirante a médica, tenho que estudar, afinal é o único período do dia em que não estou enfiada em uma sala de consulta ou ambiente de aula. Rotina. Cansativa rotina.

"Acabando com a minha vida para salvar a tua". Não deixa de ser um ponto de vista deveras pessimista, mas deixando um pouco de lado a visão romântica e eufêmica da vida, a coisa toda funciona mais ou menos assim, um modus operandi simplesmente humano. Aqueles que entendem a origem e significado de Homo Sapiens sapiens dão risada da perspicácia dos estudiosos que assim nos nomearam. Digo isso baseado no fato de que eu não acho que, exatamente, aquele que sabe que sabe e tem capacidade de canalizar o saber usaria toda essa sapiência num estilo de vida "perco saúde para juntar dinheiro, depois perco dinheiro para recuperar saúde, penso ansiosamente no futuro que no fim não vivo nem presente nem futuro, vivo como se nunca fosse morrer e morro como se nunca tivesse vivido".

À medida que conheço aquilo que é intrinsicamente humano, menos estranho aquilo que vejo me parece. E ter uma profissão em que tenho a oportunidade de ver as pessoas do seu modo mais puro, íntimo, fiel e verdadeiro, dá-me a oportunidade de conhecer coisas que, sinceramente, não sei se estou preparada para ver e assumir como realidade. Poucas não são as vezes em que repenso minha decisão profissional, almejando por algo mais leve, com menos responsabilidade e menos coisas assustadoras em meio a minha rotina. Tenho sérias dúvidas quanto a meu preparo para tamanha responsabilidade, não apenas preparo psicológico, mas preparo intelectual. Vejo que cada vez tenho menos paciência para conversar com meus pacientes. Logo eu.

A verdade é que, por mais que eu pense e teça teorias quanto as possibilidades que cercam-me, não tenho muitas certezas quanto aquilo que sinto, quanto a coisas que desejo. Estou preparada? Com certeza não. Posso vir a preparar-me? Talvez, nada mais tem soado-me estranho. Quero despreender tanta energia para algo que não sei se trará recompensas? Não sei.

E em meio a todos esses "não sei" sigo minha cansativa rotina pensando e repensando cada vez mais quanto a minhas possibilidades, mas, principalmente, quanto a minhas impossibilidades.

Ser Mulher.  

Posted by: Cris Andersen in

Estranhos todos esses pensamentos que passam na cabeça de uma mulher, aparentemente tão distintos das predominâncias nas cabeças recheadas de testosterona. O fato é que não tive o vil hormônio masculino comandando meu desenvolvimento embrionário, de modo que tudo o que eu disser a respeito do que homens vem a pensar será por que que eu acho ou alguém contou. Nada perto da sinceridade do que posso expressar aquilo que pensei, senti, vivi. E, de fato, como toda boa mulher, como penso e fantasio!!!

A começar pelo chato e frequentemente presente período menstrual. Qual mulher nunca apercebeu-se daquele sanguezinho fujão no momento mais inoportuno possível? E claro que a bendita sempre virá naquele dia que saímos tão atrasadas de casa que sequer lembramos de pegar um absorvente. E se vamos passar o dia todo fora, ou ainda não levamos dinheiro, melhor ainda, aí mesmo que a dita cuja resolve descer, mesmo que não seja seu momento. Tudo isso sem mencionar quando a fisiológica menstruação resolve mutar-se em uma hemorragia, manchando de vermelho o que quer esteja no caminho. Malditos absorventes. Obviamente que quem não perde quase 9mm de útero mensalmente não vai entender toda a tensão psicológica que precede esse fato. E por falar em TPM...

A capacidade de chorar copiosamente assistindo a propagandas comerciais de margarina, sem dúvida, é algo difícil de se lidar, principalmente quando o telefone não toca, as palavras sempre parecem algo agressivas e o mundo inteiro cisma em conspirar contras as coisas que precisávamos que dessem certo. Claro que assim não fica nada difícil de identificar-nos com situações vivenciadas nos tais comerciais de margarina e, assim, expressar a emoção com a situação. Novelas, então, deveriam ser proibidas de passar na televisão em períodos tão críticos quanto estes. Verdade seja dita, não é a mulher que fica insuportável no período pré-menstrual, mas sim todo o resto do mundo que muda seu jeito de olhá-la, entendê-la e, principalmente, tratá-la. Realmente não é fácil.

Menstruação e tudo que a envolve (sem esquecer nunca do cheiro) realmente é uma droga, mas pior que mais uma semana menstruada, sem dúvida, é mais de um mês sem menstruação. E parece que quanto mais a gente se preocupa que a dita cuja não veio, mais ainda a infeliz demorar pra vir. Quando desce, ô que alegria, pelo menos até o primeiro acidente vermelho acontecer. Quando a desgraçada realmente não vem, emfim chegou a hora de preocupar-se com engordar, ficar barriguda, inchada, debilitada e, inevitavelmente, gorda. Antes uma grávida gorda que uma gorda gorda, mas mesmo assim, gravidez é um caos.

Deixando-se de lado a parte de ser mãe, assunto demasiado extenso e complexo para quem quer abordar apenas o quesito mulher, expelir coisas de dentro da gente sempre vai ser um problema para as queridinhas do estrogênio. Maldição, por que diabos o intestino não pode, simplesmente, funcionar? Tão fácil, simples e fisiológico!!! Oras, não é só porque eu não como fibras e entupo-me de chocolate, pão e massa que o sagrado momento da ida ao banheiro tem que ser encarado como castigo. E, convenhamos, parece que até isso piora na tal da TPM.

Definitivamente, nascer um exemplar do sexo passivo é sinônimo de uma árdua vida pela frente, a começar pelas expectativas de castidade que todo pai põe em sua filha, seguido do enorme trauma e sentimento de culpa por não possuir entre as pernas o tal pinto que todos os meninos têm, até que então chega-se nas expectativas e pressões sociais para que a mulher seja reservada, saiba cozinhar e torne-se uma boa mãe. Queimar sutiãs? Não sei se é bem assim que a coisa se resolve. Eu, particularmente, apesar de todos os pesares, gosto de ser mulher. Convenhamos, não precisar pagar a conta do restaurante, direito a licensa maternidade e a infalível desculpa da cólica compensam todos os pesares, principalmente depois da invenção do anticoncepcional de uso contínuo. Além do mais, TPM sempre funciona como desculpa para carinhos, cheiros e presentes extras... e, convenhamos, que mulher dispensa um carinho da pessoa amada?

O dinheiro é Tóxico.  

Posted by: Cris Andersen in ,

Eu, confessa e assumida, embora não orgulhosamente, sou integrante de um seleto grupo de pessoas relativamente alienadas quanto aos meios de comunicação. Todavia, ultimamente, assistir aos noticiários tem sido uma atividade relativamente prazerosa e, sem dúvida, inspiradora de muitas reflexões, principalmente quando o tempo ocioso que não se tem vem a ser utilizado na tentativa de compreender as motivações, ainda que inconcientes, que levam as pessoar a tomar determinadas atitudes. Não que seja fácil, mas funciona como um exercício mental.

A bola da vez tem sido, sem sombra de dúvida, a confusão criada entre nosso ex-melhor jogador do mundo e três profissionais do sexo de gênero duvidoso (pelo menos aparentemente). Eufemismos à parte, é de conhecimento nacional (para não dizer mundial) de que o Ronaldo Fenômeno, em uma noite triste (segundo declarações do próprio) decidiu buscar companhia especializada para dispersar a tristeza da solidão noturna. Já no motel descobriu que as três moças possuiam alguns acessórios extras, os quais Ronaldo declarou não ser de seu agrado, decidindo, então, dispensar as profissionais sem a realização do serviço a que se propunham, porém essas receberiam o valor justo pelo tempo disperdiçado. Bem, foi mais ou menos aí que começou a confusão, pois enquanto a jovem relata que Ronaldo a pediu para que fosse comprar drogas entregando-lhe os documentos de seu carro como garantia e no retorno não quis pagar-lhe o valor justo, o Fenômeno conta que em nenhum momento houve o envolvimento de drogas, mas que lhe foi exigido R$50000 ou o caso todo iria ser levado a público. O que realmente aconteceu para que houvesse a explosão pública do caso não é de suma importância, afinal, tendo havido tentativa de extorção ou não, não muda o fato de que um homem rico, famoso e que tem a oportunidade de sair com as mulheres mais belas do mundo tenha procurado companhia em travestis (ou prostitutas, caso realmente a contratação tenha sido um engano), as quais, sem dúvidas, não chegam aos pés, pelo menos fisicamente, das belíssimas mulheres com quem Ronaldo já teve a oportunidade de relacionar-se. Sem dúvida o caso de Ronaldo não foi o primeiro e, com certeza, não será o último escândalo envolvendo pessoas ricas e famosas, de modo que não é de difícil constatação que não são raras as explosões de situações semelhantes, ou pelo menos tão vergonhosas quanto.

Não pude deixar de lembrar das sábias palavras de um de meus professores de Psicologia Médica IV ao ver a manchete a respeito de Ronaldo: "dinheiro é tóxico". E, parando pra pensar mais seriamente no mundo que me cerca, sou obrigada a concordar com ele. Claro que é bom ter dinheiro, poder exercer sem peso na conciência o consumismo capitalista e ter a oportunidade de dar aos filhos todo aquele bem estar que nossos pais não tiveram a oportunidade de nos dar. Entretanto, até que ponto a abundância monetária tras apenas benefícios? Peguemos como exemplo outro homem em voga na mídia atualmente, Alexandre Nardoni. Pai de família, 26 anos, advogado e... recebe mesada mensal do pai ainda hoje. Já não seria tempo do homem caminhar com seus próprios pés e aprender que dinheiro tem valor suado e que temos que batalhar por ele, assim como qualquer outra coisa na vida? Ou ainda toda essa horda de "filhinhos de papai" que, em seu fulgor juvenil, acredita-se imune a fatalidades da vida a ponto de fazer roleta russa em uma movimentada avenida ou, muito pior, atear fogo em um mendigo sem o menor remorso ou medo das penalidades legais?

A impressão que tenho é que algumas pessoas não dão valor a coisas como dinheiro, status social, profissão e, nos casos mais graves, não dão importância à família e subvalorizam até mesmo a vida, e o que é pior, dos próprios filhos, contrariando a todos os instintos. A coisa funciona mais ou menos como uma compra, "meu filho, sou seco demais para te dar amor, então eu compro essa falta com uma gorda mesada, ok?", e aí fica tudo bem, educação e dinheiro são coisas substituíveis, mesmo. Ou ainda "sou podre de rico a ponto de poder fumar notas de 100, por que não sair fazendo coisas idiotas se poderei pagar pelo silêncio ou a fiança depois?". Não que eu ache que dinheiro seja ruim, bem pelo contrário, afinal em nenhum momento tive treinamento em monastério e fiz voto de pobreza, apenas penso que há coisas um pouco mais relevantes para a vida de um indivíduo que sua capacidade financeira, como por exemplo uma educação sólida, consistente, com manifestação de valores e, principalmente, senso de responsabilidade. A verdade é que não é exatamente o dinheiro que é tóxico, mas sim o modo como algumas pessoas o utiliza na tentativas de subtituir aquelas coisas nas quais se acham falhas, como por exemplo amor paterno. Claro que dinheiro é importante, mas não é com ele que se contrói responsabilidade e bom carater. E, feliz ou infelizmente, é primaria, mas não unicamente, com responsabilidade e bom carater que são evitados escândalos com travestis ou assassinatos familiares.

Noticiário  

Posted by: Cris Andersen in

Hoje, estranhamente, resolvi comer algo antes de sucumbir ao sono. Como de praxe liguei a televisão. Novela. Meu cérebro já escorre pelo nariz a cada espirro mais do que o suficiente, não preciso novos e fortes estímulos para isso, de modo que preferi assistir ao noticiário. Sensacionalismo. Fico pensando o tipo de mentalidade que é preciso ter para que se faça parte das massas controladas pela mídia, afinal eu não acho que as evidências do caso Isabella Não Sei das Quantas ou as prévias da CPI de Sei Lá o Quê sejam exatamente assim do jeito que eles mostram. Se o que a mídia diz realmente fosse verdade o Lula seria o melhor presidente que o país já teve, o status econômico e social do brasil estaria em ascenção exponencial e nenhuma pessoa deixaria de ser atendida por falta de profissionais no SUS. Controle de massas acéfalas. Chego a realmente ter dúvidas quanto ao que tem maior poder de estimular e intensificar um derretimento cerebral, notícias sensacionalistas ou a novela das 8.

A parte interessante é que, tomando a manchete por verdadeira, posso tranquilizar meu coração ao saber que atrocidades não acontecem apenas no Brasil. Digo isso porque foi anunciada a libertação de uma mulher depois de 20 anos em cativeiro no porão de sua casa, onde era mantida presa por seu pai. Pelo que ouvi a mulher, agora com 42 anos, deu a luz a 7 crianças, as 3 mais velhas eram mantidas em cárcere com ela, uma morreu logo após o nascimento e foi encinerada pelo pai/avô e as outras 3 eram criadas junto com a avó, como filhos adotivos, na mesma casa, porém na parte de cima, em que estava presa a desgraçada mulher. Ao que parece uma das crianças foi levada em coma ao hospital, os médicos imploraram na mídia pela presença da mãe (quem disse que televisão é de todo ruim?) e esta, que havia visto a reportagem, implorou ao pai, o qual, compadecidamente, libertou-a e confessou o crime de 20 anos. Meio coisa de humor negro, mas eu tive que rir quando a mãe da aprisionada disse que não sabia do paradeiro de sua filha. Tudo isso aconteceu na Áustria, mesmo país em que, recentemente, foi libertada aquela menina (agora mulher) depois de 8 anos de cativeiro. Primeiro mundo, han?

No mesmo noticiário ainda revi, pela enésima vez, a reconstrução do caso da menina defenestrada. Todo esse alvoroço em cima disso lembra-me de um outro assassinato de criança, o menino que foi amarado pelo pé no cinto de segurança e arrastado rua a fora por um carro displiscente em alta velocidade. Não sei o que é mais chocante, um pai que assassina a própria filha (independente do modus operandi) ou um indivíduo qualquer que arrasta uma criança inocente consciente e propositalmente. Não lembro dos detalhes do caso do menino arrasatado, porém lembro perfeitamente que a repercussão não foi tão grande quanto o caso Isabella ou, o que é pior, o caso da cadela Preta. Claro que uma cachorra prenha arrastada por um carro a ponto de não apenas morrer mas também espalhar seus filhotes quase a termo pelas ruas da cidade não apenas é criminoso como também é atroz, só não entendo por que as pessoas chocaram-se pela cadela de modo tão mais superior, verdadeiro e indignante do que pela criança. Também não lembro de tantos manifestos quanto ao índio que foi queimado vivo pelos filhinhos de papai que alegaram achar que fosse um mendigo, como se pobreza, falta de oportunidade na vida e até mesma vagabundagem e marginalidade fossem motivos suficientes para que a carne seja tostada e vida seja abreviada de modo tão cruel.

De fato são muitas as coisas que não entendo, definitivamente, a respeito das motivações humanas, sejam elas quais forem, não importando se é churrasco de mendigo, patê de criança, guisado de cadela ou mulher à wisky 20 anos. Assim como eu também não entendo como a mídia pode, tão facilmente, controlar as massas de um modo tão, mas tão ridículo, a ponto de que Paulo Maluf consiga eleger-se depois de tudo o que a professora de história nos ensina na escola, independente de ser uma cidadezinha lá do fim do mundo, pois lá também existem colégios. E é exatamente por isso que eu acho o indivíduo uma entidadade tão mais intrigante que o conjunto social, pois, apesar de todos os pesares, um indivíduo pode mudar e melhorar, ao passo que para a sociedade eu não vejo mais salvação, pelo menos não enquanto houverem indivíduos que defenestram crianças, arrastam cadelas, põe fogo em mendigos ou acreditam piamente no que diz o Jornal Nacional (a propósito, tu já desde tchau pro Willian Bonner hoje?).

Hamburguer e Batata Frita  

Posted by: Cris Andersen in


Pois então as coisas seguem seu rumo, quase que tal qual como deveriam seguir. Ou pelo menos como esperamos que elas sigam, dentro daqueles ditos padrões de normalidade com os quais estamos acostumados a lidar diariamente. De fato isso não significa que tenha sido fácil ou prazeroso, ou ainda do melhor modo possível, significa apenas que tudo segue ocorrendo dentro do esperado. Sem muitas perspectivas de melhoras, todavia essas não fazem parte do normal, mesmo.

A parte interessante é que, apesar de o semestre em que encontro-me ser aquele que eu mais precisaria estudar em toda minha longa história de 4 anos universitários, tem sido o período em que menos tenho ido ao encontro do conhecimento, correndo contra todas as probabilidades e, principalmente, de encontro a todos os aconselhamentos. Se eu sinto-me culpada? Óbvio que sim, afinal eu, embora fora dos padrões, devo ter tido algum complexo de Édipo e com certeza tenho um superego bastante desenvolvido, o que leva-me a perder alguns instantes de sono perguntando a mim mesma por que diabos eu comi tanto hamburguer com batata-frita ao invs de seguir a dieta que eu não faço, com a cara enfiada nos livros tentando entender a abstração de um eletrocardiograma. De qualquer modo eu perdi grande parte da minha capacidade de abstração mesmo... sou só eu ou nós emburrecemos exponencialmente com o passar do tempo?

Via de regra eu sentiría-me bastante culpada por não saber o que é prurigo estrófulo em uma prova de pediatria, e o que é pior, supôr que é 'apenas' varíola quando não passa de um nome bonito pra picadas de inseto, entretanto a coisa não funciona exatamente como nossos insistentes pais costumam tentar pôr em nossas cabeças desde os primórdios de nossa existência. Afinal, o fato de eu permitir-me reunir-me com amigos pra comer hamburguer e batata frita e quem sabe jogar RPG não significa que eu serei uma profissional tão pior assim que aquelas pessoas que dedicam sua vida exclusivamente à maldita faculdade. Poxa vida, saúde mental é muito mais que fundamental para um bom desempenho estudantil, de modo que se eu não permitir a mim mesma alguns escapes da dieta dos livros eu com certeza irei surtar antes de completar trinta. O estranho é que, por mais que faça todo esse discurso em prol da diversão e comilança, eu deito a cabeça no travesseiro e sinto-me muito culpada por não ter estudado e, principalmente, estar entupindo minhas artérias desde tão cedo. Ainda acho que se o cardápio fosse o tal do marreco recheado metade da minha culpa seria atenuada.

A vedade é que nós sempre fazemos projeções das coisas, independentemente de qual é a realidade, e agimos de acordo com aquilo que achamos que é real. E vamos admitir, quem de nós nunca manipulou a realidade para que ela fosse (parecesse) um pouquinho mais com aquilo que gostaríamos? E o pior de tudo é que, embora na maioria das vezes seja inconsciente, muitas vezes temos plena consciência dessa manipulação da teia. Não culpo ninguém, é muito mais fácil viver desse jeito mesmo, se não fosse assim não existiriam os ditos sintomas psicóticos. Não sei se me fiz entender, mas a questão é que sempre encontramos explicações lógicas para ações e sentimentos ilógicos. Por exemplo o desejo do Moisés de comer uma pera antes do hamburguer e batata frita com a explicação de que assim ele comerá menos depois, ou então nosso acompanhamento de coca zero e maionese sem colesterol para que a comilança seja (um pouco) mais saudável. Ou ainda manifestações de nossos sentimentos pessoais sob a forma de coisas ilusórias ou aquelas ações que sempre encontramos uma explicação lógica para camuflar a nós mesmo uma ansiedade que talvez não saibamos caracterizar.

Ser humano é bicho estranho mesmo, completamente ilógico tentando encontrar lógica em tudo o que vê pela frente. Julga sem querer ser julgado, condena sem querer ser condenado e faz mal sem querer sofrer. Não entende e não aceita que as coisas nem sempre têm explicação. Age e depois morre de culpa por ter feito o que fez. E todo mundo, embora tão diferente, é sempre tão igual. E aqui sigo eu, exemplar ortodoxo do Homo sapiens sapiens tentando explicar e entender coisas que não têm explicação.

E sim, eu sou ingualzinho a qualquer outro por aí, e embora não siga a tendência das botas de plástico da moda, costumo dar tchau para o Willian Bonner (quando vejo jornal nacional) e também já dei tchau pro meu cocô.

Reflexões II  

Posted by: Cris Andersen in ,

Considerando que no momento são 5:42h da tarde de um ensolarado sábado, no qual eu deveria - realmente - estar estudando, principalmente depois da noite anterior, não é de se estranhar que eu esteja inspirada para dissertar a respeito de perspectivas. Perspectivas essas que regem nossa vida, guiam (ou pelo menos deveriam guiar) nossas decisões e determinam o grau de decepção frente a alguma coisa que não deu certo. Entretanto, apesar de toda essa inspiração, não é bem sobre perspectivas que porei-me a falar, até porque muita coisa mudou desde que agrupei mentalmente as palavras em torno das tais perspectivas.

Eu queria muito poder dizer que estou plenamente satisfeita com minha vida, estou pouco me lixando se ele liga ou não, se estou gorda ou não, se meu cabelo está bom ou não, se ela quererá recomeçar ou não, se meu texto ficou perfeito ou não. Mas a verdade é que muitas são as coisas que fazem diferença pra mim, por mais insignificantes que elas possam parecer pra quem olha de fora (e até pra mim mesma quando penso racionalmente na importância que dou a coisas que não merecem importância). E aí é que tá, mesmo que as minhas perspectivas sejam as melhores quase que independentemente do que possa vir a acontecer, eu não sinto exatamente como se assim fosse, o que leva a situação de eu sofrer e preocupar-me com coisas